Systra se prepara para projetos de mobilidade urbana no país

Por Haroldo Aguiar – 19.12.2016 –

Com a aquisição da empresa de engenharia Vetec, a francesa Systra vislumbra um potencial para receitas anuais de R$ 72 milhões em projetos de mobilidade urbana no Brasil.

A empresa de engenharia Systra, que atua em 80 países e gerencia mais de 3.500 contratos para a implantação de metrôs, VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), ferrovias clássicas e de alta velocidade em todo o mundo, tem planos ambiciosos para o Brasil. Com a aquisição da Vetec Engenharia, especializada em projetos para obras de transportes e mobilidade urbana, ela espera multiplicar em cinco vezes o volume de negócios no país, atingindo um faturamento anual de R$ 72 milhões.

Segundo Colas Martinet, diretor da Systra para a América Latina, essa aquisição completa outro negócio realizado ano passado, com a compra da empresa mineira Tectran, especializada em planejamento, consultoria e estudos de viabilidade em engenharia de transporte. “Com isso, passamos a dispor de estrutura para a oferta de soluções completas em projetos de engenharia para obras de metrôs, linhas de alta velocidade, anéis rodoferroviários e outros projetos de mobilidade urbana”, diz Martinet.

Embora tenha participado da obra do metrô do Rio de Janeiro, na década de 1980, e mais recentemente da implantação do VLT na cidade, para os Jogos Olímpicos de 2016, a empresa nunca atuou de forma constante no país. O executivo destaca que essa situação mudou e que os planos da companhia francesa, que tem um faturamento global de 600 milhões de euros, posicionam o mercado brasileiro como um dos prioritários no mundo. “Com a aquisição das duas companhias, dispomos de 400 funcionários e escritórios em seis capitais brasileiras, o que nos consolida como um dos maiores grupos de engenharia da América Latina na área de mobilidade urbana.”

Entre alguns projetos da Systra na região, Martinet destaca a participação na obra dos metrôs da Cidade do México e de Santiago do Chile. Entretanto, ele avalia que o Brasil pode responder por cerca de 50% dos negócios do grupo na América Latina, não apenas em função de seu porte, mas também da demanda por infraestrutura de transporte urbano. “Além da expertise da nossa equipe local, como o conhecimento do mercado e suas referências técnicas que reforçam a posição da Systra, podemos integrar esses profissionais a nossa rede global de engenharia, para disputar contratos de projetos na América do Sul, na África ou outro continente.”

Embora Martinet não enverede por esse caminho, há de se creditar a investida da empresa no mercado às denúncias de corrupção levantadas pela Operação Lava-Jato, que abalaram o setor de construção no Brasil e criaram oportunidades para novos competidores, na medida em que comprometem os players estabelecidos. “Como atuamos no projeto de engenharia, precisamos focar as obras em fase inicial de licitação para estudos de viabilidade e planejamento, não nas que já se encontram em execução”, diz o executivo, ao citar que a Systra já mantém contato com os principais personagens do setor, com vista a futuros projetos.

As áreas de interesse não se limitam apenas a linhas de metrôs e de trens de alta velocidade, pois abrangem também os anéis metropolitanos, rodoviários ou ferroviários, entre outros. A engenharia de negócio pode determinar sua presença também em projetos de concessão privada, mas, conforme explica o executivo, “com investimentos compatíveis ao percentual de participação da engenharia no volume total da obra”.

Capacidades técnica e financeira não faltam à Systra para tal empreitada, já que seu principal acionista é o controlador do Metrô de Paris e, atualmente, ela participa da implantação de linhas metroviárias na capital francesa, em Nova Délhi (Índia), Shangai (China) e Santiago do Chile, além da automatização de 13 quilômetros de linha ferroviária metropolitana entre Epping e Chatswood, na Austrália, entre outros projetos.

 

 

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