Uso incorreto domina assistência técnica de máquinas de fusão e OTDRs

Da Canaris – 10.10.2017 –

Dados da área de Suporte ao Cliente da Redex Telecom indicam que somente 24% dos equipamentos realmente apresentam problemas técnicos e precisariam de intervenção especializada. Os dados são um alerta para os provedores regionais, hoje donos de metade das conexões ópticas no Brasil

A grande maioria das máquinas de fusão e de OTDRs – e outros equipamentos – usados na construção e manutenção de redes ópticas que a Redex Telecom recebe para conserto não deveria ter sido enviada de fato. Estamos falando de 76% do total de dispositivos recebidos pelo Departamento de Suporte ao Cliente (DSC). Com o crescente aumento da participação dos provedores regionais (ISPs) na ativação de conexões ópticas no Brasil, o assunto ganha ainda mais importância. De janeiro a março desse ano, 3 em cada 4 novas ativações foram feitas pelos provedores. Hoje, esse tipo de operadora responde por nada menos do que a metade das conexões de fibra óptica do país. “Considerando esses dados e sabendo que o uso de equipamentos será cada vez maior, lançamos um alerta para o mercado de ISPs”, explica Ana Cláudia Leite, coordenadora do DSC da Redex.

Para a especialista, as melhores práticas evitariam o envio desnecessário dos dispositivos para a assistência técnica. “E melhores práticas são alcançadas com mão de obra qualificada, o que significa treinamento”, resume Ana Cláudia. De acordo com ela, os dados do DSC da Redex, que funciona há nove anos e tem um extenso histórico de atendimento, indicam que a quatro maiores causas de problemas são a programação errada dos equipamentos, a falta de calibração de arco de fusão nas máquinas que fazem a junção de fibra óptica, o desconhecimento de recursos disponíveis e a falta de asseio. Isso mesmo, um dos fatores é a falta de limpeza dos instrumentos. “No caso das máquinas de fusão, 45% da manutenção básica que efetuamos é limpar o equipamento”, informa a coordenadora do DSC.

E qual é o perfil dos equipamentos que realmente apresentam defeito? Primeiro eles são 1 em cada 4 que o DSC recebe. E mais: em 60% dos casos, os defeitos foram causados pelo uso incorreto. Ou seja, apenas 4 em 10 equipamentos com defeito realmente não funcionaram como deveriam em função de algum problema de fabricação. “Tivemos casos extremos nos quais a máquina de fusão foi completamente lubrificada com graxa, numa tentativa de manutenção”, detalha Ana Cláudia. “O resultado foi desastroso e o equipamento não pode ser recuperado, com uma perda de milhares de reais”, resume.

Além do treinamento da mão de obra e da leitura de manuais técnicos especializados, Ana Cláudia tem outras recomendações. No caso dos OTDRs, dispositivos que passam a fazer parte do dia a dia dos provedores regionais com maior intensidade, um recurso simples pode economizar muito dinheiro. Trata-se do uso de cordões de teste, também chamados de cordões mestres, na conexão entre o OTDR e a rede a ser testada. “O objetivo é evitar o desgaste da conexão na porta do OTDR, pois o custo de manutenção dessa porta é muito alto”, explica a especialista do DSC.

A inspeção dos conectores ópticos é outra atividade importante, pois partículas de poeira e de outros tipos podem cobrir parcialmente o conector e piorar o desempenho do OTDR. Se a inspeção constatar sujidades, deve-se limpar os conectores com dispositivos adequados e retomar o processo.

As máquinas de fusão, mais popularizadas entre os provedores regionais, também têm um roteiro de melhores práticas. A limpeza é o cuidado mais importante. Ao fim de cada trabalho, o técnico deve fazer um processo básico, incluindo três componentes – espelhos, holders e vgrooves. Deve-se lembrar também que a máquina de fusão não é um apoio. “Por incrível que pareça há técnicos de campo fazendo a clivagem das fibras ópticas, um corte especializado, em cima da máquina de fusão”, explica Ana Cláudia.

Em relação aos ajustes, as orientações de conservação envolvem três atividades simples da parte dos usuários. A primeira delas é o conhecimento do menu do equipamento, algo que pode ser obtido com a leitura do manual de operação e, em caso de dúvida, na consulta a quem vendeu a máquina. A segunda orientação envolve a verificação dos valores configurados para ângulo de clivagem, potência de arco e tempo de arco de fusão. A calibração do arco fecha o trio de recomendações. “Ela deve ser feita periodicamente ou sempre que o equipamento for usado em ambientes muito diferentes em curto espaço de tempo”, informa Ana Cláudia.

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