Setor brasileiro de mineração está seletivo em seus investimentos

Pesquisa feita pela EY diz que o aporte de capital está focado em empreendimentos brownfield e fusões e aquisições

Por Redação

em 6 de Maio de 2026
Imagem das obras do Projeto 3,5M da LGA Mineração na unidade de Lobo Leite, em MG (foto: divulgação).

A consultoria EY aponta que o capital para investimentos em empreendimentos de mineração está mais seletivo e mais caro. O setor é pragmático e 36% dos respondentes brasileiros pretende alocar seu capital no desenvolvimento brownfield — ou seja, projetos desenvolvidos em áreas com infraestrutura existente, minas em operação ou depósitos já conhecidos. Outro terço (34%) sinalizaram foco em fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). Os dados são do estudo global “Top 10 business risks and opportunities for mining and metals” e ambos acima da média mundial de 25% para os dois indicadores.

Marcelo Andrade, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon, explica que o capital global tem incorporado cada vez mais critérios geopolíticos em suas decisões de alocação, priorizando ativos localizados em jurisdições consideradas “friend-shore” ou geopoliticamente alinhadas. Neste contexto, ele diz que o Brasil tende a se tornar relativamente mais atrativo por conta de fatores estruturais como a presença de reservas de minerais críticos subexplorados, a localização fora de zonas de conflito e uma matriz energética comparativamente mais limpa.

Contexto geopolítico favorece Brasil

A geopolítica também pode criar uma janela de oportunidade para os minerais críticos. Com o Brasil fora dos principais conflitos, aumenta a visibilidade e o papel estratégico das terras raras brasileiras para a economia mundial. O executivo ressalta que é necessário cautela para que o País não se envolva em embates que possam fechar portas com potenciais parceiros, mas alerta que a ausência de um posicionamento claro e estratégico pode levar à perda dessa janela de oportunidade. “É preciso equilíbrio: cautela diplomática, mas também visão estratégica, porque os minerais críticos serão fundamentais para diversas indústrias no futuro”, pontua Andrade.

Na pesquisa, quando perguntado sobre como mitigar o impacto potencial do aumento das tarifas nas operações e vendas da sua empresa nos próximos 12 meses, 62% dos brasileiros disseram que vão diversificar a cadeia de suprimentos, transferindo a produção ou o fornecimento para regiões sem tarifas e 53% indicaram que vão absorver os custos adicionais internamente por meio de ganhos de eficiência operacional e redução de custos.

Ranking de oportunidades e riscos

O estudo global feito pela EY indica que capital aparece em primeiro lugar no ranking das 10 principais oportunidades e riscos da mineração. Aumento dos custos e da produtividade e licença para operar fecham o top 3 apontado pelos entrevistados brasileiros. Mas a complexidade operacional, que é o primeiro lugar no ranking global, aparece apenas em quinto no Brasil, o que mostra que o País ainda não enfrenta os mesmos desafios que nações mais avançadas na mineração, que precisam lidar com a regulação mais exigente e o desgaste dos depósitos minerais.

A EY diz que, hoje, o setor está passando por um reflexo de um imediatismo do passado. Em anos de desenvolvimento, as mineradoras já extraíram os minerais mais superficiais e, portanto, é necessário desenvolver novas formas de atuar. Com corpos minerais mais profundos, a tecnologia é fundamental para novos negócios, bem como o conhecimento geológico, novos equipamentos e mapeamento das novas instalações.

A agenda ESG acaba entrando de encontro com esse desafio através da circularidade, por exemplo, que é uma possibilidade que o setor encontrou para mitigar a complexidade operacional e a falta de capital. Ao reaproveitar materiais descartados, o setor pode acabar com gargalos operacionais, segundo a consultoria, que aponta que o conceito já é entendido por grandes empresas. Além disso, 28% dos brasileiros indicam a circularidade como fator ESG a ser analisado pelos investidores do setor de mineração e metais nos próximos 12 meses, com uma média muito maior que o global (16%).

Ranking brasileiro das 10 principais oportunidades e riscos da mineração (imagem: divulgação EY).

Sobre o estudo: Entre junho e julho de 2025, a EY realizou uma pesquisa online anônima com líderes seniores dos setores de mineração e metais, de organizações com receita de pelo menos US$ 1 bilhão. No total, foram coletadas 500 respostas, sendo 24% de membros do conselho ou executivos de alto escalão (C-suite), 38% líderes de departamentos, unidades de negócios ou grupos de commodities, e 38% presidentes, vice-presidentes ou diretores. O recorte do Brasil corresponde a aproximadamente 10% da base.

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