A Cabo Verde Mineração, empresa de capital 100% brasileiro, avançou em seus estudos em potenciais de terras raras. A companhia controla 57 direitos minerários e mais de 96 mil hectares em pesquisa em um corredor mineral que atravessa Cabo Verde, Muzambinho e Botelhos, em Minas Gerais, e alcança Caconde (SP). Nesta última, a empresa concluiu uma etapa relevante de perfuração por trado no alvo Caconde, que servirá de base para os estudos de futura avaliação de recursos inferidos.
Os resultados preliminares indicam mineralização de Elementos de Terras Raras em perfil de argilas iônicas, com zonas enriquecidas em disprósio e térbio (Dy-Tb), elementos críticos para ímãs permanentes usados em motores elétricos, turbinas eólicas, tecnologias industriais e sistemas de defesa.
Segundo relatório técnico divulgado pela companhia, a base de dados atualizada reúne 736 resultados químicos provenientes de amostragens de superfície, canais e sondagens por trado. No alvo Caconde, os resultados preliminares retornaram teores de até 4.421 ppm de TREO, sigla para óxidos totais de Terras Raras, 895 ppm de MREO, grupo dos óxidos de Terras Raras magnéticas, relação MREO/TREO de até 39,5% e até 82,4 ppm de Dy+Tb. O relatório também destaca resultados positivos em outras frentes exploratórias, como a área da atual operação de minério de ferro em Muzambinho, Botelhos e o novo alvo em Divisa Nova.
A Cabo Verde trabalha com uma meta exploratória interna de até 100 milhões de toneladas apenas em Caconde, enquanto o potencial conceitual do conjunto de alvos regionais pode superar 500 milhões de toneladas, condicionado à continuidade das sondagens, validação independente e certificação técnica internacional.
Mais detalhes dos estudos da Cabo Verde
A mineradora destaca que a assinatura enriquecida em Dy-Tb é um dos principais pontos de atenção técnica do projeto. Esses elementos pertencem ao grupo das Terras Raras pesadas e são considerados altamente estratégicos por sua aplicação em ímãs permanentes de alta performance, usados em motores elétricos, aerogeradores, sistemas industriais, componentes eletrônicos e tecnologias de defesa.
Além dos resultados químicos, a empresa informa que testes de lixiviação com amostras do alvo Caconde, conduzidos pela SGS Geosol com sulfato de amônio a 0,5 mol/L, indicaram resposta metalúrgica positiva em amostras selecionadas. A recuperação de TREO chegou a 55,76%, enquanto a recuperação de MREO atingiu 83,77% e a recuperação conjunta de Dy+Tb chegou a 79,20%, indicando seletividade favorável para os elementos de maior valor estratégico.
O alvo Caconde é atualmente a principal frente de avanço da empresa. A companhia concluiu uma malha sistemática de sondagem por trado de 400 m x 400 m, com 21 furos executados. Até o momento do relatório, a empresa havia recebido resultados analíticos de 13 furos, enquanto oito permaneciam pendentes. A próxima etapa inclui validação dos dados, levantamento topográfico detalhado, novos ensaios, modelagem geológica, estudos mineralógicos e metalúrgicos adicionais e preparação para futura estimativa de recursos conforme padrões internacionais.
Próximos passos
Em paralelo, a companhia está finalizando a malha de perfuração por trado no alvo Botelhos e anuncia o detalhamento de um novo alvo no município de Divisa Nova, onde foram identificadas anomalias relevantes de disprósio e térbio. Ali, há presença expressiva de Terras Raras pesadas em proporções preliminarmente consideradas excepcionais quando comparadas à distribuição média observada em importantes depósitos globais do tipo, segundo a mineradora.
Além disso, a empresa está a par da disputa global pelos recursos que planeja extrair, usados principalmente pelas cadeias produtivas ligadas à transição energética, mobilidade elétrica, turbinas eólicas, eletrônica avançada, defesa e tecnologias industriais. No Brasil, o tema ganhou força não apenas pelo potencial geológico do país, mas também pelo aumento de movimentações de empresas internacionais em busca de ativos minerais estratégicos, o que tem ampliado o debate sobre controle nacional, agregação de valor e desenvolvimento de uma cadeia produtiva brasileira.
Nesse contexto, a Cabo Verde Mineração afirma que mantém seu quadro societário original, sem alteração na estrutura de controle. A empresa diz que tem sido abordada por players internacionais interessados no projeto, mas segue conduzindo os trabalhos técnicos de forma independente, com apoio de sua operação atual de minério de ferro e aportes de seus acionistas. A companhia, no entanto, não descarta parcerias técnicas, comerciais e financeiras com grupos nacionais e estrangeiros, especialmente em etapas ligadas ao desenvolvimento tecnológico, financiamento, offtake e integração com a cadeia downstream.
Com a conclusão da etapa em Caconde, o avanço da malha em Botelhos e o detalhamento do novo alvo em Divisa Nova, a Cabo Verde Mineração entra em uma nova fase de desenvolvimento técnico do projeto. As próximas etapas incluem a integração dos resultados pendentes, novos programas de sondagem, estudos mineralógicos e metalúrgicos adicionais e a preparação para uma futura certificação conforme padrões internacionais.


