Indústria aposta no reúso da água para reduzir custos

Estudos apontam para crescimento do uso da água de reúso no mundo e indústria brasileira já avança no tema; fabricante de latas de alumínio reaproveita 76% da água

Por Redação

em 11 de Junho de 2026
Sistema de Ultrafiltração projetado e operado pela Opersan (foto: divulgação).

Um levantamento da Fortune Business Insights estima que o setor de tratamento de efluentes deve passar de US$ 400 bilhões em 2026 para cerca de US$ 714 bilhões até 2034, impulsionado pelo avanço da dessalinização, do reúso da água na indústria e das tecnologias de monitoramento hídrico. Já estudos da Spherical Insights projetam que o mercado pode atingir aproximadamente US$ 759 bilhões até 2035. O movimento acompanha o aumento da pressão sobre sistemas de abastecimento em diferentes países e reforça a busca por soluções capazes de reduzir perdas, ampliar reaproveitamento e garantir maior estabilidade operacional diante de períodos de estiagem e eventos climáticos extremos.

Nos últimos anos, países como Israel, Emirados Árabes Unidos, Singapura e Espanha passaram a tratar reúso e dessalinização como parte permanente de suas estratégias de abastecimento. No Brasil, o aumento do custo operacional, as exigências ambientais e a maior preocupação com continuidade produtiva vem ampliando investimentos em automação, eficiência energética e monitoramento em tempo real. Indústrias e operações agrícolas passaram a buscar sistemas capazes de acompanhar consumo, reduzir desperdícios e recuperar água dentro do próprio processo produtivo.

Reúso de água já está na indústria de latas de alumínio

A Abralatas, associação que representa a indústria brasileira da lata de alumínio, por exemplo, aponta que o setor já adotou soluções de reúso de água. Em funcionamento desde 2019 em uma das associadas, o sistema trata aproximadamente 16 mil metros cúbicos de efluentes complexos por mês e alcança taxa de reaproveitamento de cerca de 76% da água tratada.

A operação funciona de forma contínua, 24 horas por dia, integrando etapas de tratamento físico-químico, biológico e membranas de ultrafiltração (MBR), seguidas por polimento final com osmose reversa, permitindo o reaproveitamento da água tratada nos próprios processos industriais.

Segundo a Opersan, que implementou a solução na indústria, além da redução significativa do consumo de água potável, o sistema também proporciona ganhos operacionais e econômicos relacionados à menor necessidade de captação hídrica e à redução de custos ligados à compra de água e à disposição final de efluentes.

Oportunidade para a indústria brasileira

Além dos ganhos econômicos e operacionais, o modelo também contribui para a redução da pressão sobre recursos hídricos e para o fortalecimento de práticas ligadas à economia circular e à agenda ESG da indústria. Entre os resultados observados na operação da indústria de latas de alumínio estão a substituição do consumo de recursos hídricos nobres por água de reúso, a diminuição da demanda por captação hídrica, a diminuição do volume de efluentes descartados e o aumento da eficiência hídrica da planta.

Para Lorena Zapata, diretora de novos negócios da Engeper Ambiental, a água deve ocupar posição cada vez mais estratégica dentro do planejamento industrial brasileiro. “A eficiência hídrica passou a ter relação direta com estabilidade operacional, redução de custo e capacidade produtiva. O Brasil possui condições de desenvolver soluções próprias e ampliar sua participação em um mercado que deve crescer de forma consistente nos próximos anos”, diz.

Paulo Paschoal, diretor de Operações da Opersan, complementa que a água deixou de ser apenas um recurso operacional e passou a ocupar uma posição estratégica dentro da indústria. “Soluções de tratamento e reúso ajudam as empresas a reduzir desperdícios, aumentar eficiência hídrica e trazer mais segurança operacional para as plantas industriais, especialmente em cenários de maior pressão sobre os recursos naturais”, afirma.

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