Brasil desperdiçou 40% da água com perdas em 2024

Caso o Brasil alcance a meta de perdas em 25% em 2033, o País economizaria 2,8 bilhões de m³ de água por ano, com um potencial de ganhos brutos com a redução orçamentária de R$ 47,3 bilhões até 2033

Por Redação

em 9 de Junho de 2026

O Brasil desperdiça 39,53% da água tratada antes mesmo que ela chegue às torneiras das casas, de acordo com o “Estudo de Perdas de Água 2026 (SINISA, 2024): Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil”, produzido pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a consultoria GO Associados. Os dados mostram quem o volume desperdiçado em 2024 chega a 4,4 bilhões de m³, volume suficiente para encher 16,2 milhões de caixas d’água para uma família de cinco pessoas por dia ao longo de um ano.

O levantamento foi elaborado a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA, ano-base 2024) e compreende uma análise do Brasil, de suas cinco macrorregiões, das 27 Unidades da Federação e dos 100 municípios mais populosos do país (incluindo as capitais dos estados), que figuraram no Ranking do Saneamento de 2026.

Segundo o ITB, o volume seria suficiente para abastecer aproximadamente 77 milhões de brasileiros em um ano. Esta quantidade não somente equivale a mais de um quarto da população do país em 2024, como também corresponde a mais de duas vezes o número de habitantes sem acesso ao abastecimento de água nesse ano, cuja grandeza situa-se em torno de 33 milhões.

Brasil está longe de atingir metas

No Brasil, o Ministério das Cidades editou a Portaria MCID nº 788, de 1º de agosto de 2024, que passou a estabelecer metas para os indicadores de perdas na distribuição e perdas por ligação. Segundo o normativo, os municípios beneficiados por recursos públicos federais ou financiamentos com recursos da União deverão apresentar indicadores iguais ou inferiores a:

  • 35% e 303,0 L/ligação/dia até 2025;
  • 30% e 263,0 L/ligação/dia entre 2026 e 2032;
  • 25% e 216,0 L/ligação/dia a partir de 2033.

No entanto, a redução ainda é bem lenta. Considerando os últimos cinco anos, o valor de 2024, de 39,53%, é ligeiramente menor que o de 2020, de 40,14%, ainda longe da redução necessária para atingir a meta planejada para 2025.

 

Evolução das Perdas na Distribuição no Brasil, 2020–2024. Fontes: SNIS (2020-2022); SINISA (2023-2024). Elaboração: GO Associados.

Segundo o Instituto, caso o Brasil alcance a meta de perdas em 25% em 2033, o País economizaria 2,8 bilhões de m³ de água por ano, com um potencial de ganhos brutos com a redução orçamentária de R$ 47,3 bilhões até 2033. Caso sejam considerados os investimentos necessários para a redução de perdas, o benefício líquido gerado pela redução de perdas é da ordem de R$ 23,6 bilhões em 10 anos.

Perdas são desiguais por região

A situação de perdas no Brasil apresenta significativas diferenças quando se comparam as regiões do País, com Norte e Nordeste tendo os maiores desafios para reduzirem seus índices de perdas. De 2020 a 2024, a macrorregião que mais apresentou piora foi a Nordeste, com aumento de 0,46 ponto percentual. Por outro lado, observa-se melhora na macrorregião Norte, com redução de 1,79 pontos percentuais no mesmo período. Além disso, essas regiões também são aquelas que possuem os piores indicadores de atendimento de água, de coleta e de tratamento de esgotos.

Perdas na Distribuição por Macrorregião Brasileira, 2024. Fontes: SINISA 2024. Elaboração: GO Associados.

Consequentemente, há um padrão de maior ineficiência concentrado nos estados dessas duas regiões. Estados como Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), apresentam níveis de perdas superiores a 55% do volume distribuído, significativamente acima da média nacional (39,53%).

Perdas na Distribuição por estado, 2024. Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados.

Por outro lado, estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, como Goiás (27,61%), Mato Grosso do Sul (30,60%), Distrito Federal (31,55%), São Paulo (32,15%), e Paraná (33,11%) registram indicadores inferiores a 35%. Neste indicador, merece destaque o estado do Piauí, que possui a menor média entre os estados (24,61%), e Tocantins, com a quinta menor média entre as unidades da federação para este indicador (31,58%).

Capitais também estão longe do ideal

Somente doze dentre os 100 municípios mais populosos do Brasil atendiam às metas da Portaria 788/2024 simultaneamente em 2024, indicando haver um longo caminho a ser percorrido na busca pela redução das perdas de água. Desses apenas quatro das 27 capitais — Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina — apresentaram valores inferiores à meta de 25% estabelecida pela Portaria 788/2024. A média das capitais foi de 39,30%.

Estima-se que as capitais brasileiras percam anualmente cerca de 2,3 bilhões de m³ de água, dos quais aproximadamente 0,9 bilhão de m³ (40%) correspondam a perdas aparentes (comerciais), enquanto 1,4 bilhão de m³ (60%) refiram-se a perdas reais (físicas). Considerando-se apenas estas últimas, o volume desperdiçado equivale a cerca de 1.517 piscinas olímpicas por dia, ou a mais de cinco milhões de caixas d’água de 750 litros.

Melhores municípios em perdas de água. Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados.

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