CBIC se posiciona contra PL que permite uso do FGTS para saúde

Câmara dos Deputados aprovou um PL que disponibiliza uso de recursos do FGTS para operações de crédito destinadas às entidades hospitalares filantrópicas

Por Redação

em 13 de Julho de 2026

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) publicou uma nota criticando a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2465/2026 na última semana na Câmara dos Deputados. A medida, que precisa passar pelo Senado Federal, restabelece o prazo de vigência da aplicação de recursos do FGTS em operações da área da Saúde até 2030. A CBIC critica o uso do fundo para outras funções que não sejam o financiamento de imóveis pelos trabalhadores.

A instituição reconheceu o direito constitucional dos brasileiros à saúde, mas lembra que a área já conta com obrigação orçamentária nos três níveis de governo, além de recursos provenientes de emendas parlamentares e de linhas de financiamento junto aos bancos públicos. “Nesse sentido, os recursos do FGTS, de caráter privado, constituem o único funding para o financiamento das políticas públicas de habitação e das infraestruturas complementares, como saneamento e mobilidade urbana”, defende a nota da CBIC em crítica ao PL.

Como funciona o PL aprovado

O PL 2465/2026, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), permite aplicações com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em operações de crédito destinadas às entidades hospitalares filantrópicas. O PL foi aprovado na forma do substitutivo do relator, deputado Antonio Brito (PSD-BA), que incluiu regra sobre interpretação de possíveis débitos tributários dessas entidades.

O projeto de lei foi apresentado para substituir a Medida Provisória 1336/26, cuja vigência acabou. Segundo a Agência Câmara de Notícias, a lei do fundo permitia esse tipo de operação com juros menores até 2022 a partir de uma medida provisória de 2018 (MP 859/18), convertida na Lei 13.832/19.

Segundo o governo, no período de vigência desse tipo de aplicação (2019 a 2022), o fundo bancou empréstimos de cerca de R$ 3 bilhões para 140 entidades hospitalares filantrópicas por meio de 134 operações de crédito sem destinação específica e de 122 operações de crédito para reestruturação financeira. O financiamento também permitirá a reestruturação de dívidas das entidades com diminuição dos encargos financeiros de 18% ao ano para cerca de 12% ao ano.

CBIC apresenta contrapontos para PL

Para a CBIC, o PL traz dois usos de recursos do FGTS que constituem operações financeiras que destoam dos objetivos fundamentais da criação do fundo. Além disso, a mensuração direta dos benefícios gerados ao trabalhador, em termos de emprego e renda, não dispõe de metodologia aplicável.

A entidade diz que comprometer 5% dos orçamentos do FGTS significa destinar à área da saúde uma parcela equivalente à destinada ao saneamento, por exemplo. A demanda por recursos para saneamento é crescente, e os efeitos da execução de obras nesse setor impactam diretamente a saúde pública. Estudos mostram um retorno de quatro para um: para cada R$ 1 investido em saneamento, há economia de R$ 4 em saúde.

Além da falta de proporcionalidade entre a demanda e a disponibilidade de recursos obrigatórios para as áreas de saúde e saneamento, esses 5% reduzem a capacidade de produção de moradias para enfrentar um déficit habitacional de 5,8 milhões de unidades no Brasil.

Em 2025, foram contratadas 659 mil unidades habitacionais com recursos do FGTS, totalizando R$ 134 bilhões em investimentos. Os resultados apresentados pelo Fundo demonstram sua relevância: 10,1 milhões de unidades habitacionais contratadas, R$ 1 trilhão em recursos emprestados, R$ 136 bilhões destinados à política de descontos (subsídios) e, entre 2023 e 2025, a geração média de 2,1 milhões de empregos por ano. Esses números reforçam a importância da manutenção do FGTS como funding para habitação, saneamento e mobilidade urbana.

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