Mercado de data centers vira nova aposta imobiliária no Brasil

Com previsão de R$ 2 trilhões de investimentos em tecnologia até 2029, data centers se tornam necessidade para uma economia cada vez mais digital

Por Redação

em 10 de Julho de 2026

Segundo o Relatório Setorial 2025 da Brasscom, associação que reúne empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC), o Brasil deve receber R$ 2 trilhões em investimentos em tecnologias digitais entre 2026 e 2029. Os maiores volumes previstos estão em computação em nuvem, com R$ 765,6 bilhões, e inteligência artificial, com R$ 736,6 bilhões. Essas tecnologias estão estritamente ligadas à capacidade de infraestrutura de data centers, movimento que tem aberto uma oportunidade imobiliária no País.

Para Renato Monteiro, CEO da Sort Investimentos, empresa especializada em mercado imobiliário e na construção de galpões voltados a esse segmento, os operadores globais veem o País como mercado prioritário pela combinação entre demanda crescente, oferta de energia renovável e políticas públicas de incentivo. “O data center é a tradução física da economia digital. São estruturas que exigem terrenos maiores, energia em alta capacidade, sistemas de refrigeração, segurança, redundância elétrica, conectividade por fibra óptica e licenciamento adequado. Por isso, não é qualquer área que pode receber esse tipo de operação”, afirma Monteiro.

O Brasil já ocupa posição de liderança na infraestrutura digital da América Latina, com cerca da metade da capacidade instalada de data centers em operação na região, segundo relatório da JLL, consultoria global especializada em mercado imobiliário, investimentos e gestão de imóveis corporativos.

Concentração imobiliária de data centers ainda é grande

O especialista diz que a maior concentração ainda ocorre em polos estratégicos como Barueri (SP), Campinas (SP) e Fortaleza (CE), regiões que se destacam pela proximidade com grandes empresas, mercado consumidor, redes de telecomunicações, infraestrutura elétrica e conexão internacional. No caso da capital cearense, o avanço é impulsionado pela posição do Ceará como terceiro estado do Brasil com mais estruturas de cabos submarinos, concentrando a ancoragem de 17 cabos.

Mas, conforme cresce a demanda por armazenamento de dados, computação em nuvem e inteligência artificial, outras regiões também começam a ganhar relevância, incluindo o Sul do país. A expectativa é de que haja um crescimento consistente nos próximos anos.

“À medida que empresas, governos e consumidores passam a depender mais de inteligência artificial, nuvem e serviços digitais, aumenta também a necessidade de estruturas físicas capazes de processar, armazenar e proteger esses dados. Para o mercado imobiliário, isso representa uma nova frente de desenvolvimento e investimento”, completa.

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