CASE Construction aposta em tradição, conectividade e inovação à etanol

Fabricante mantém produção de mais de 5 linhas de equipamentos no Brasil, incluindo tratores de esteiras, exportados principalmente para os EUA

Por Rodrigo Conceição Santos

em 19 de Agosto de 2026
 Henrique Sá, líder da CASE Construtcion Equipment para a América Latina

A CASE Construction Equipment reúne clientes, parceiros e imprensa nesta semana no seu Centro de Experiência do Cliente (CEC), inaugurado há pouco mais de um ano em Sarzedo (MG). O evento é para a fabricante mostrar portfólio, estrutura de produção e pós-vendas e tendências. Destaque para a pá-carregadeira 721E, projeto-conceito em testes que visa ser o primeiro equipamento do tipo movido a etanol.

Segundo Anderson Nascimento, gerente de produto da CNH (holding do grupo), essa versão é testada primeiro na indústria sucroalcooleira, onde pode ser abastecida a preço de custo para operar na movimentação de bagaços de cana-de-açúcar, colheita e infraestrutura das instalações.

Esse nicho foi escolhido para a prova de conceito porque pode reduzir a logística dos caminhões-tanque para abastecimento de diesel e passar a utilizar do próprio combustível que produz in loco.

“Nos primeiros testes de campo, o equipamento demonstrou performance semelhante ao modelo movido à diesel. A relação de consumo é de 1 litro de diesel para 1,7 litros de etanol”, detalhou. 

Pá-carregadeira conceito da CASE Construction movida a etanol | Foto de Divulgação CASE

Considerando as diferenças entre os motores (ciclo Diesel versus ciclo Otto) – e o fato de que o preço médio na bomba dos postos está em R$ 6,9 para o diesel e R$ 3,6 para o etanol, a conclusão é que o custo com combustível será semelhante para o gestor de frota que adotar a 721 movida a qualquer um dos dois combustíveis.

Com 14 toneladas de peso operacional, o equipamento foi configurado para operar com caçamba de maior capacidade e pneus adequados para favorecer tração e estabilidade em superfícies irregulares e com acúmulo de materiais (bagaço) no solo.

Segundo Nascimento, o motor a Etanol entrega 172 hp e o projeto do equipamento passou por alterações no circuito, nas borrachas, no tanque de combustível e em outros componentes.

A 721 Etanol já foi testada em uma usina sucroalcooleira na região de Araçatuba (SP), onde a fabricante avaliou rendimento e produtividade em aplicações relacionadas à cana-de-açúcar, mas o projeto também considera o crescimento da produção de etanol de milho no Brasil.

O protótipo da 721 Etanol está em fase de conceito e desenvolvimento e o lançamento comercial deve levar de 18 a 24 meses. 

Para o futuro, a CASE não descarta a aplicação dessa novidade em obras urbanas – onde as pás-carredeiras dessa faixa de 14 toneladas têm utilidade em obras imobiliárias, de galpões logísticos, saneamento básico e outras. Isso porque ela poderia se beneficiar da rede de abastecimento de etanol, altamente pulverizada no país.

Produção e mercado latino-americano

Com 180 anos de história e 107 anos de atuação no Brasil, a CASE mantém a fábrica de Contagem (MG) como base da operação regional. A unidade produz equipamentos para o mercado brasileiro e exporta aproximadamente um terço de sua produção, especialmente para a América Latina.

Os tratores de esteiras são destaque porque, desde 2024, toda a produção global é feita na fábrica brasileira. Seis modelos, de 6 a 22 toneladas, atendem ao mercado local e especialmente aos Estados Unidos.

O tarifaço imposto por Donald Trump em julho inclui os tratores de esteiras da CASE também, mas, segundo Henrique Sá, líder da CASE Construtcion Equipment para a América Latina, isto não influenciou nas vendas até o momento. “O mercado norte-americano é muito grande. Ele consome cerca de dez vezes mais equipamentos do que o brasileiro, e continua sendo demandante dos nossos tratores”, disse.

Além dos tratores, a unidade de construção da CASE produz 50 tipos de equipamentos com peso de até 36 toneladas na fábrica brasileira, cuja capacidade instalada é de 8 mil máquinas por ano. 

Questionados pelo InfraROI, os executivos da companhia não revelaram a proporção na qual a fábrica opera hoje e nem quantos tratores são exportados aos EUA.

Centro de Experiência

A Case também utiliza o Centro de Experiência do Cliente (CEC), em Sarzedo (MG), como espaço para demonstração de equipamentos, treinamento e capacitação.

Segundo Relton Cesar, diretor de suporte ao cliente de construção da CNH para a América Latina, recentemente foram investidos R$ 12 milhões na estrutura, que ocupa uma área construída de quase 1 mil m², em um terreno de aproximadamente 70 mil m². O espaço inclui salas de treinamento, auditório, oficina conectada, recursos de realidade aumentada e campo de provas com áreas de asfalto e terra.

Mercado nacional

A Case mantém a estratégia de portfólio amplo e avanço em tecnologias e conectividade para assegurar fatia de participação no mercado brasileiro de máquinas de construção. 

Segundo Henrique Sá, as vendas do setor devem crescer cerca de 4% neste ano, como prevê a Sobratema, mantendo o mercado em um patamar elevado, entre 35 mil e 36 mil máquinas.

O início do ano foi marcado por um movimento mais forte de compras do setor público, influenciado pelo calendário eleitoral. Mesmo com a alta dos juros, o mercado continua demandante e os financiamentos seguem acontecendo, embora com maior dificuldade.

No primeiro semestre, o setor público respondeu por 23% das vendas (mercado total, não apenas Case). Construção pesada representou 22%, seguida por locação, com 19%; construção leve, com 14%; agroflorestal, com 12%; e mineração – o que inclui também siderurgia -, com 10%.

 

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