A CASE Construction Equipment reúne clientes, parceiros e imprensa nesta semana no seu Centro de Experiência do Cliente (CEC), inaugurado há pouco mais de um ano em Sarzedo (MG). O evento é para a fabricante mostrar portfólio, estrutura de produção e pós-vendas e tendências. Destaque para a pá-carregadeira 721E, projeto-conceito em testes que visa ser o primeiro equipamento do tipo movido a etanol.
Segundo Anderson Nascimento, gerente de produto da CNH (holding do grupo), essa versão é testada primeiro na indústria sucroalcooleira, onde pode ser abastecida a preço de custo para operar na movimentação de bagaços de cana-de-açúcar, colheita e infraestrutura das instalações.
Esse nicho foi escolhido para a prova de conceito porque pode reduzir a logística dos caminhões-tanque para abastecimento de diesel e passar a utilizar do próprio combustível que produz in loco.
“Nos primeiros testes de campo, o equipamento demonstrou performance semelhante ao modelo movido à diesel. A relação de consumo é de 1 litro de diesel para 1,7 litros de etanol”, detalhou.

Pá-carregadeira conceito da CASE Construction movida a etanol | Foto de Divulgação CASE
Considerando as diferenças entre os motores (ciclo Diesel versus ciclo Otto) – e o fato de que o preço médio na bomba dos postos está em R$ 6,9 para o diesel e R$ 3,6 para o etanol, a conclusão é que o custo com combustível será semelhante para o gestor de frota que adotar a 721 movida a qualquer um dos dois combustíveis.
Com 14 toneladas de peso operacional, o equipamento foi configurado para operar com caçamba de maior capacidade e pneus adequados para favorecer tração e estabilidade em superfícies irregulares e com acúmulo de materiais (bagaço) no solo.
Segundo Nascimento, o motor a Etanol entrega 172 hp e o projeto do equipamento passou por alterações no circuito, nas borrachas, no tanque de combustível e em outros componentes.
A 721 Etanol já foi testada em uma usina sucroalcooleira na região de Araçatuba (SP), onde a fabricante avaliou rendimento e produtividade em aplicações relacionadas à cana-de-açúcar, mas o projeto também considera o crescimento da produção de etanol de milho no Brasil.
O protótipo da 721 Etanol está em fase de conceito e desenvolvimento e o lançamento comercial deve levar de 18 a 24 meses.
Para o futuro, a CASE não descarta a aplicação dessa novidade em obras urbanas – onde as pás-carredeiras dessa faixa de 14 toneladas têm utilidade em obras imobiliárias, de galpões logísticos, saneamento básico e outras. Isso porque ela poderia se beneficiar da rede de abastecimento de etanol, altamente pulverizada no país.
Produção e mercado latino-americano
Com 180 anos de história e 107 anos de atuação no Brasil, a CASE mantém a fábrica de Contagem (MG) como base da operação regional. A unidade produz equipamentos para o mercado brasileiro e exporta aproximadamente um terço de sua produção, especialmente para a América Latina.
Os tratores de esteiras são destaque porque, desde 2024, toda a produção global é feita na fábrica brasileira. Seis modelos, de 6 a 22 toneladas, atendem ao mercado local e especialmente aos Estados Unidos.
O tarifaço imposto por Donald Trump em julho inclui os tratores de esteiras da CASE também, mas, segundo Henrique Sá, líder da CASE Construtcion Equipment para a América Latina, isto não influenciou nas vendas até o momento. “O mercado norte-americano é muito grande. Ele consome cerca de dez vezes mais equipamentos do que o brasileiro, e continua sendo demandante dos nossos tratores”, disse.
Além dos tratores, a unidade de construção da CASE produz 50 tipos de equipamentos com peso de até 36 toneladas na fábrica brasileira, cuja capacidade instalada é de 8 mil máquinas por ano.
Questionados pelo InfraROI, os executivos da companhia não revelaram a proporção na qual a fábrica opera hoje e nem quantos tratores são exportados aos EUA.
Centro de Experiência
A Case também utiliza o Centro de Experiência do Cliente (CEC), em Sarzedo (MG), como espaço para demonstração de equipamentos, treinamento e capacitação.
Segundo Relton Cesar, diretor de suporte ao cliente de construção da CNH para a América Latina, recentemente foram investidos R$ 12 milhões na estrutura, que ocupa uma área construída de quase 1 mil m², em um terreno de aproximadamente 70 mil m². O espaço inclui salas de treinamento, auditório, oficina conectada, recursos de realidade aumentada e campo de provas com áreas de asfalto e terra.
Mercado nacional
A Case mantém a estratégia de portfólio amplo e avanço em tecnologias e conectividade para assegurar fatia de participação no mercado brasileiro de máquinas de construção.
Segundo Henrique Sá, as vendas do setor devem crescer cerca de 4% neste ano, como prevê a Sobratema, mantendo o mercado em um patamar elevado, entre 35 mil e 36 mil máquinas.
O início do ano foi marcado por um movimento mais forte de compras do setor público, influenciado pelo calendário eleitoral. Mesmo com a alta dos juros, o mercado continua demandante e os financiamentos seguem acontecendo, embora com maior dificuldade.
No primeiro semestre, o setor público respondeu por 23% das vendas (mercado total, não apenas Case). Construção pesada representou 22%, seguida por locação, com 19%; construção leve, com 14%; agroflorestal, com 12%; e mineração – o que inclui também siderurgia -, com 10%.


