A infraestrutura logística brasileira precisará combinar expansão física e ganhos de eficiência para acompanhar o crescimento da produção mineral e das exportações. Para a TMSA, os principais desafios estão na integração entre as diferentes etapas da cadeia, da mina ao porto, com maior automação, disponibilidade dos ativos e uso de dados na tomada de decisões.
Nesta entrevista exclusiva ao InfraROI, Marcelo Marinzek, diretor da Unidade de Mineração TMSA, analisa os gargalos da infraestrutura, as oportunidades abertas pela expansão do Arco Norte e o papel da digitalização na modernização dos terminais.
A conversa também aborda tecnologias da TMSA e os investimentos considerados decisivos para manter a competitividade brasileira nos próximos anos. “O desafio não será apenas movimentar mais toneladas, mas fazê-lo com maior produtividade”, diz Marinzek. Acompanhe outros trechos da entrevista.
O Brasil vem ampliando a movimentação de cargas nos portos. Na avaliação da TMSA, quais são hoje os principais gargalos de infraestrutura que limitam o crescimento da capacidade de escoamento do país?
Os maiores gargalos não estão apenas nos portos, mas na integração entre toda a infraestrutura logística que conecta mina, planta de beneficiamento, pátios de armazenagem, modais de transporte e terminais de embarque. Muitas operações ainda enfrentam limitações relacionadas à disponibilidade dos ativos, capacidade de movimentação de materiais, sincronização entre etapas produtivas e previsibilidade operacional.
Além disso, parte importante da infraestrutura logística brasileira foi concebida para uma realidade de demanda diferente da atual. Hoje, produtividade, confiabilidade, eficiência energética e inteligência operacional tornaram-se fatores tão importantes quanto a capacidade física instalada. Por isso, a modernização de sistemas e a integração entre engenharia, automação e tecnologias digitais serão fundamentais para sustentar o crescimento das exportações minerais nos próximos anos.
Com o avanço da produção agrícola e da mineração, que tipo de investimento em infraestrutura portuária será necessário para acompanhar o aumento da demanda nos próximos anos?
Os investimentos precisarão ir além da expansão física dos terminais. O grande desafio será criar operações mais integradas, conectando movimentação de materiais, processamento, armazenagem, expedição, automação e inteligência operacional em uma única estratégia de desempenho.
Foi justamente essa visão que a TMSA apresentou na Exposibram 2026. A empresa vem ampliando sua atuação para integrar diferentes disciplinas de engenharia e tecnologia, ajudando os clientes a eliminar gargalos, reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade e melhorar a previsibilidade dos resultados. Em um cenário de crescimento da demanda, a competitividade dependerá da capacidade de transformar operações isoladas em sistemas conectados e orientados por desempenho.
A expansão dos corredores logísticos do Arco Norte tem mudado a configuração da infraestrutura brasileira. Quais oportunidades essa transformação cria para novos terminais e para a modernização dos existentes?
A expansão do Arco Norte amplia as alternativas de escoamento da produção brasileira e cria oportunidades para o desenvolvimento de uma infraestrutura logística mais eficiente, flexível e preparada para volumes crescentes de movimentação.
Ao mesmo tempo, essa transformação estimula a modernização das instalações existentes, que passam a demandar maior nível de automação, integração operacional e monitoramento dos ativos. Os terminais mais competitivos tendem a ser aqueles que conseguem combinar capacidade de movimentação, confiabilidade operacional e inteligência de dados para responder rapidamente às oscilações do mercado e da demanda logística.
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Quanto a modernização de equipamentos e sistemas pode aumentar a capacidade de um terminal sem a necessidade de construir uma nova infraestrutura?
Em muitos casos, a modernização pode gerar ganhos significativos de capacidade sem que seja necessário expandir fisicamente o terminal. A atualização de equipamentos, a eliminação de gargalos operacionais e a automação dos processos permitem aumentar a disponibilidade dos ativos e melhorar o aproveitamento da infraestrutura existente.
Um exemplo dessa evolução é o novo Transportador de Correia Modular (TCM), apresentado pela TMSA durante a Exposibram. Desenvolvido para simplificar etapas de engenharia, fabricação, transporte e montagem, o equipamento reduz prazos de implantação, aumenta a flexibilidade para futuras expansões e contribui para elevar a disponibilidade operacional das plantas.
Além disso, tecnologias digitais permitem acompanhar continuamente o desempenho dos ativos, reduzindo paradas não programadas e aumentando a previsibilidade da operação, o que impacta diretamente a capacidade efetiva de movimentação do terminal.
Em projetos internacionais, quais soluções de infraestrutura e engenharia adotadas poderiam ser incorporadas aos terminais brasileiros?
Os projetos mais avançados do mundo caminham para uma integração cada vez maior entre engenharia, operação, automação e tecnologias digitais. A tendência é que os empreendimentos sejam concebidos desde o início para operar de forma conectada, permitindo maior controle dos ativos e tomada de decisão baseada em dados.
Essa visão está alinhada ao conceito de Engenharia da Alta Performance, que a TMSA também apresentou na Exposibram. O objetivo é integrar equipamentos, automação, monitoramento e conhecimento operacional para maximizar produtividade, disponibilidade, eficiência energética e confiabilidade ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos.
Também observamos uma adoção crescente de modelagem digital, BIM, manutenção preditiva e plataformas inteligentes de gestão operacional, capazes de aumentar a segurança e reduzir custos ao longo da operação.
A digitalização dos ativos, automação e monitoramento em tempo real já são capazes de mudar a forma como a infraestrutura portuária é planejada e mantida? O que ainda falta avançar no Brasil?
Sem dúvida. A digitalização já está transformando a forma como as operações são planejadas, operadas e mantidas. Atualmente é possível acompanhar o desempenho dos ativos em tempo real, antecipar falhas e tomar decisões mais rápidas e assertivas com base em dados operacionais.
Nesse contexto, a TMSA apresentou na Exposibram o TMSA Noctua IoT, uma plataforma desenvolvida para integrar informações dos equipamentos e sistemas da planta, permitindo monitoramento contínuo, acompanhamento de indicadores operacionais em tempo real e suporte à manutenção preditiva. Ao conectar equipamentos, processos e dados, o sistema contribui para aumentar a disponibilidade operacional, otimizar recursos produtivos e tornar as operações mais previsíveis e eficientes.
O próximo passo para o Brasil é acelerar a integração entre tecnologias, processos e pessoas, ampliando o uso de inteligência operacional em toda a cadeia logística mineral.
Olhando para os próximos cinco a dez anos, quais investimentos em infraestrutura logística serão decisivos para o Brasil manter competitividade nas exportações e qual papel a TMSA pretende desempenhar nesse processo?
A competitividade futura não dependerá apenas da ampliação da infraestrutura física da logística. Será fundamental investir em corredores logísticos mais eficientes, modernização dos terminais, automação, eficiência energética, digitalização e integração operacional ao longo de toda a cadeia produtiva.
Acreditamos que a próxima geração de operações minerais será cada vez mais conectada, automatizada e orientada por dados. O desafio não será apenas movimentar mais toneladas, mas fazê-lo com maior produtividade, confiabilidade e sustentabilidade.
Nesse cenário, a TMSA pretende continuar ampliando sua atuação como integradora de soluções para mineração, conectando processamento mineral, movimentação de materiais, automação, digitalização e inteligência operacional. Plataformas como o TMSA Noctua IoT, associadas à experiência da empresa em engenharia e sistemas de movimentação, representam a evolução para operações mais inteligentes e preparadas para os desafios das próximas décadas. Essa visão integrada, da mina ao porto, foi a principal mensagem apresentada pela TMSA durante a Exposibram 2026.


