Rota Mogiana tem potencial para destravar acesso logístico do interior de SP

Investimentos bilionários em rodovias de SP ampliam expectativa do transporte de cargas por redução de gargalos logísticos

Por Redação

em 23 de Setembro de 2026

O enquadramento da primeira etapa da Rota Mogiana no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), política federal que isenta temporariamente os impostos do PIS/PASEP e COFINS sobre projetos prioritários de infraestrutura, amplia a expectativa de melhorias no acesso logístico a São Paulo. Concedida em agosto deste ano após leilão realizado pelo governo estadual ao Consórcio Rota Mogiana, a concessão abrange trechos que conectam Campinas a diferentes regiões do interior paulista e à divisa com Minas Gerais, área estratégica para a circulação de cargas e o acesso a importantes corredores rodoviários do Estado.

Com cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos previstos, a Rota Mogiana está inserida em um sistema de aproximadamente 520 quilômetros de rodovias e prevê duplicações e faixas adicionais, implantação de vias marginais, novos dispositivos de acesso, passarelas, pontes, viadutos e sistemas de pesagem em alta velocidade. Para o setor logístico, o efeito dessa obra depende principalmente de onde as intervenções serão realizadas e da capacidade de eliminar retenções, melhorar acessos e reduzir pontos que hoje comprometem tempo de viagem, segurança e previsibilidade. A própria natureza das operações faz com que duplicações, marginais, acessos ou melhorias no pavimento tenham impactos diferentes conforme a rota e a carga transportada.

Segundo Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, transportadora especializada em operações de comércio exterior, a redução desses gargalos interfere diretamente no ciclo logístico. “Quando reduzimos retenções e melhoramos os acessos, a carga permanece menos tempo em trânsito e a operação ganha previsibilidade. Isso traz maior estabilidade ao ciclo dos veículos rodoviários e também às conexões com os modais aéreo e marítimo, o que se traduz em mais eficiência para toda a cadeia de comércio exterior”, explica.

Rota Mogiana abre acesso logístico

A Rota Mogiana abarca um total de 22 cidades no interior paulista e amplia a qualidade de infraestrutura para que elas acessem importantes rotas de importação e exportação. Corredores rodoviários conectam polos industriais e centros de distribuição a estruturas como o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Porto de Santos, tornando gargalos e retenções capazes de afetar diferentes etapas da cadeia logística e o cumprimento de janelas operacionais.

Entre os pontos que exigem atenção estão justamente os trechos urbanos com alto volume de caminhões e as ligações entre grandes corredores e regiões de origem ou destino das cargas. Na avaliação da West Cargo, estruturas que permitem evitar áreas saturadas, como o Rodoanel e acessos alternativos seguros e pavimentados, podem reduzir a exposição das operações às retenções e tornar os deslocamentos mais previsíveis.

Intervenções precisam priorizar restrições de acesso e sobrecarga

Nesse sentido, o debate sobre os R$ 2,1 bilhões também passa pela priorização das intervenções. Para Rosolen, o ganho logístico será maior se os recursos forem direcionados aos pontos que hoje concentram restrições de acesso e sobrecarregam corredores já pressionados pelo tráfego.

“Investimentos rodoviários não devem ser avaliados apenas pela extensão das obras ou pelo valor aplicado. O principal indicador precisa ser o impacto real na redução do tempo de deslocamento e dos riscos operacionais. Atacar os gargalos de acesso às principais rotas permite melhorar o escoamento das cargas, aliviar corredores sobrecarregados e reduzir custos que acabam repercutindo em toda a cadeia”, afirma.

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