Carga diária de poluição no Rio Tietê cai 29% em dois anos

Rio Tietê transporta 154 toneladas de matéria orgânica por dia, 64 toneladas a menos que em 2024

Por Redação

em 29 de Setembro de 2026

A quantidade média de matéria orgânica transportada pelo Rio Tietê caiu de 218 toneladas por dia, em 2024, para 154 toneladas por dia em 2026, segundo levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). São 64 toneladas a menos por dia, uma redução de 29,4% na poluição em dois anos.

A queda foi mais acentuada no último ano. Depois de passar de 218 toneladas por dia, em 2024, para 210 toneladas em 2025, a carga média chegou a 154 toneladas por dia em 2026. Isso significa que, em apenas um ano, o Tietê passou a transportar diariamente 56 toneladas a menos de matéria orgânica, uma redução de 26,7%. O valor de 2026 também ficou 19,8% abaixo da meta de 192 toneladas/dia estabelecida pelo Programa IntegraTietê.

Essa matéria orgânica chega aos rios principalmente por meio do lançamento de esgoto doméstico não tratado. Em excesso, ela reduz o oxigênio disponível na água, gera forte odor, prejudica a vida aquática e contribui para a piora da qualidade do rio. Quanto menor a carga, menor é a quantidade de poluição orgânica transportada pelo rio.

O governo estadual entende que o resultado faz parte da expansão dos serviços da Sabesp após a desestatização em julho de 2024. Desde então, a empresa alcançou cerca de 2,4 milhões de pessoas com abastecimento de água, 2,8 milhões com coleta de esgoto e mais de 4,7 milhões com tratamento. No contexto do Programa IntegraTietê, 4,5 milhões de pessoas foram conectadas à rede de esgoto, retirando mais de 10 bilhões de litros de esgoto por mês dos rios.

Metodologia

As medições são feitas na barragem da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Edgard de Souza, localizada na saída da Região Metropolitana. O ponto permite acompanhar a quantidade de matéria orgânica levada pelo Tietê depois que o rio atravessa a área mais urbanizada do estado e segue em direção ao interior.

Para calcular a carga orgânica neste ponto, a Cetesb considera tanto a concentração de matéria orgânica quanto a vazão de água no rio. Assim, é possível saber quantas toneladas são transportadas por dia e comparar períodos de chuva e de estiagem. Esse é atualmente o indicador mais preciso para acompanhar a evolução da poluição no Rio Tietê.

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Ações integradas diminuir a poluição do Rio Tietê

Além das iniciativas de ligação à rede de esgoto para diminuir os dejetos enviados ao Rio Tietê, o governo paulista tenta diminuir a poluição do rio com outras ações. Uma delas é a retirada de lixo flutuante que, no Rio Pinheiros, removeu 147 mil toneladas desses materiais desde 2023, com investimentos superiores a R$ 228,2 milhões.

Na frente de desassoreamento, mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados desde 2023, com investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão por meio da Agência de Águas de São Paulo (SP Águas), vinculada à Semil. O volume corresponde a 90% da meta de 7,2 milhões de metros cúbicos prevista até o fim de 2026. Para se ter uma ideia, somente em 2025, foram removidos mais de 2,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios Tietê e Pinheiros, o equivalente a 192 mil caminhões cheios. Enfileirados, dariam a distância de São Paulo a Salvador.

Fiscalização e monitoramento ampliam acompanhamento ambiental

Outra frente é o reforço da fiscalização ambiental. Criado em março de 2025, o Grupo de Fiscalização Integrada do Rio Tietê (GFI-Tietê) reúne Semil e suas vinculadas (Cetesb, SP Águas e Fundação Florestal), além da Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Comitês de Bacias Hidrográficas e municípios das seis Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos envolvidas.

Desde a criação do grupo, a Cetesb já realizou 591 inspeções, 1.386 coletas e análises laboratoriais e aplicou 127 penalidades, que resultaram em mais de R$ 14,7 milhões em multas. Já a Polícia Militar Ambiental percorreu mais de 7,4 mil quilômetros em ações de fiscalização, abrangendo cerca de 450 mil hectares de áreas de interesse, com 252 autos de infração e aproximadamente R$ 521 mil em multas.

O monitoramento ambiental também foi ampliado. A Cetesb incorporou 284 novos profissionais e recebeu investimentos superiores a R$ 43 milhões em equipamentos, tecnologias e ferramentas de inteligência ambiental. Entre as iniciativas está um sistema de monitoramento com imagens de satélite e inteligência artificial, capaz de acompanhar aproximadamente mil quilômetros de rios e reservatórios paulistas em tempo real.

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