A evolução do pavimento de concreto no Brasil

Especialista explica em artigo a evolução do pavimento de concreto no Brasil e o que impulsionou a adoção em rodovias

Por Redação

em 23 de Setembro de 2025
Vendedor da Votorantim Cimentos e cliente em trecho concretado da rodovia BR 364, no Estado do Mato Grosso.

*Por Lidiane Blank

A história do pavimento de concreto no Brasil não é recente. A primeira obra no país foi realizada em meados de 1926. No entanto, por muitos anos, o concreto foi visto como uma solução durável para pavimentos, mas que só se tornava viável economicamente a longo prazo, devido à sua baixa necessidade de manutenção. A partir de 2014, essa visão começou a mudar.

O ano de 2016 marcou um ponto de inflexão na história do pavimento de concreto no Brasil, impulsionado pelo projeto da rodovia BR-163, no Mato Grosso, que é um corredor logístico estratégico. A obra de restauração da pista antiga previa inicialmente o uso de pavimento flexível, mas estudos levaram à adoção de uma solução alternativa em concreto. A construtora responsável pela execução desenvolveu um projeto de dimensionamento de estrutura de pavimento que foi tecnicamente aprovado pelo órgão licitante na ocasião, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A obra foi realizada por meio de um contrato sem qualquer comparativo de preço, o que demonstrou que a restauração com pavimento de concreto, utilizando a tecnologia de whitetopping, seria economicamente mais viável do que a solução flexível. Essa foi a primeira vez que um pavimento de concreto projetado para durar 20 anos mostrou-se mais vantajoso ainda na fase de construção do que um pavimento flexível, que tem uma vida útil de 10 anos.

Essa mudança de perspectiva foi motivada pelo aumento significativo nos custos do CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo), o principal insumo ofensor de custo no pavimento flexível. Esse aumento ocorreu quando os preços nacionais do barril de petróleo passaram a se equiparar aos valores internacionais, a partir de 2014. Enquanto isso, o preço do cimento, principal insumo para elaboração do concreto, apresentava um custo mais acessível, tornando a solução de concreto mais competitiva economicamente para rodovias.

Desde então, muitos novos estudos técnicos foram realizados para avaliar projetos de pavimento rígido em corredores logísticos estratégicos com tráfego intenso e transporte de carga pesada. Isso trouxe dados importantes, quebrando o paradigma que remetia à ideia de que o pavimento de concreto só se viabilizaria ao longo do tempo. Paralelamente, também houve o desenvolvimento das equipes técnicas dos órgãos executores de rodovias no país, tanto no âmbito público federal e estadual quanto de profissionais das concessionárias privadas, unindo todos os representantes do setor.

E a Paving Expo nesse contexto? Há quatro anos, a Votorantim Cimentos participa da Paving Expo em painéis que abordam a infraestrutura de rodovias e sobre o pavimento de concreto, com o objetivo de promover discussões técnicas de alto nível, reunindo profissionais altamente competentes e atuantes no mercado e contribuindo para o avanço do uso dessa tecnologia no Brasil. Esses debates nos permitiram, em 2025, ampliar o nosso painel apresentando os resultados da evolução na adoção do pavimento de concreto em rodovias brasileiras, além dos avanços em sustentabilidade e inovação nesse setor.

Inovação e sustentabilidade em foco

A evolução do pavimento de concreto vai além das vantagens econômicas iniciais. Atualmente, os projetos não são mais pensados apenas para 20 anos, mas muitos já são estudados para uma vida útil de 30 anos. A análise do ciclo de vida dos pavimentos, incluindo os custos de manutenção, tornou-se um fator crucial na tomada de decisão, reforçando a relevância do concreto.

Outro avanço significativo é a incorporação da sustentabilidade. Pela primeira vez no Brasil, um estudo inédito mediu e comprovou a redução nas emissões de CO2 de uma rodovia em pavimento de concreto, considerando todo o seu ciclo de vida, quando comparada às mesmas condições de uma rodovia caso fosse construída em pavimento flexível. A metodologia utilizada nesse estudo foi reconhecida e premiada no InovaInfra 2025, ficando entre os 15 melhores projetos, sendo o único sobre infraestrutura de rodovias com pavimento de concreto. A partir de agora, podemos compartilhar a metodologia utilizada, que quantifica efetivamente as emissões de CO2, e replicar para outras rodovias. Além da evolução técnica e econômica, temos condição de também incorporar no evento essa vertente da sustentabilidade, que é extremamente importante no contexto atual de mitigação das mudanças climáticas.

Inovações também têm otimizado o processo não só de construção, mas também de manutenção das rodovias de pavimento de concreto. Uma nova solução de engenharia para reparo de placas de pavimento rígido, aplicada há oito anos na Austrália, agora está disponível no Brasil pela Votorantim Cimentos. Um teste real, realizado em pista, em parceria com a Ecovias, em um trecho do Sistema Anchieta-Imigrantes (SP), reduziu o tempo de manutenção de dias para apenas 5 horas. A solução tecnológica integra cimento especial, concreto de cura rápida e resistência elevada em horas a sistemas digitais de monitoramento da maturação do concreto, juntamente com aplicação da técnica que otimizou o processo executivo, permitindo a redução do tempo de bloqueio de pistas e o impacto no tráfego. Uma revolução em termos de manutenção rodoviária.

Um futuro em concreto

A mudança de percepção e a evolução técnica têm gerado resultados tangíveis para o pavimento de concreto. Enquanto, em 2016, apenas aproximadamente 1,5% da malha rodoviária federal era pavimentada com concreto, esse número atingiu 4,5% em 2024, considerando projetos licitados e em execução. A expectativa é de que, nos próximos anos, esse percentual possa chegar a 10%, conforme dados apresentados pelo DNIT.

A colaboração entre os setores público e privado em eventos como a Paving Expo tem sido fundamental para esse avanço. Esses são alguns dos temas que traremos em nosso painel no evento, um fórum de discussão que promove a troca de conhecimento, com discussões de alto nível e a superação de desafios, garantindo a evolução contínua da engenharia de pavimentos no Brasil. Como resultado, a engenharia de pavimentos brasileira está se equiparando aos padrões internacionais, com a expertise para desenvolver e aplicar soluções de primeiro mundo que consideram não só o custo, mas também o desempenho, a durabilidade e a sustentabilidade.

*Lidiane Blank é gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios de Infraestrutura da Votorantim Cimentos.

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