Com investimentos de R$ 3,1 bilhões, a Rodovia dos Tamoios teve os seus 118 km duplicados em 2022. A estrada liga São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a Caraguatatuba, no litoral Norte de São Paulo, e teve muito mais do que novas faixas de rodagem nessa modernização. Além de duas praças de pedágio e um pórtico free flow, a Nova Tamoios tem 12,5 km em túneis, entre eles o mais longo do país, com 5.555 metros e cujo sistema de ventilação é ponto crítico. E tudo isso repleto de sensores e processadores virtuais gerando dados a todo instante.
“Como usuário, não se tem noção do que roda na rodovia. Não é só asfalto”, resumiu Denis Souza, head de automação e tecnologia da Tamoios, em conversa durante o NEXT, organizado pela Nutanix em Chicago, nesta semana. Ao longo da concessão há um aparato tecnológico que inclui fibra óptica, Wi-Fi distribuído, estações meteorológicas, mais de 1,4 mil câmeras voltadas à segurança viária e patrimonial e um data center próprio, com nuvem privada e hiperconvergência de software da Nutanix.
Assim como todas as rodovias do estado, a Tamoios reporta dados para a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Por isso e para o bem da sua própria operação, a meta é mapear devidamente cada veículo que trafega na rodovia, além de garantir as cobranças de pedágio e oferecer suporte e segurança aos motoristas e passageiros. Soma-se a essa responsabilidade a operação em trechos da Serra do Mar (área ambientalmente protegida pela qual passam trechos da Tamoios), segundo Souza.
Estrutura de tecnologia dá base para hiperconvergência na Tamoios
O data center da Rodovia dos Tamoios fica no Centro de Controle Operacional (CCO), no km 65, mas também há processamento de dados em servidores locais (edge computing) localizados nos pontos críticos da rodovia, como os sistemas de ventilação dos túneis e praças de pedágio. “Estamos em uma região de parque estadual e a conectividade depende de fibra óptica. Por isso, os servidores ficam em pontos estratégicos para que, se houver falhas, a operação continue localmente”, conta Paulo Marcondes, coordenador de infraestrutura, sistemas e segurança da informação da Tamoios.
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Em termos de dados, o gerenciamento e armazenamento é majoritariamente on-premise, com conceito de nuvem privada. O uso de nuvem pública é somente para backups e a escolha pela estrutura proprietária considera fatores operacionais como a necessidade de bom tempo de resposta em casos críticos, como de acidentes em túneis.
A operação conta com sistemas SCADA para gerenciar cerca de 30 mil ativos conectados e aproximadamente 60 mil pontos de sensores, que monitoram variáveis como umidade e vibração para respostas imediatas a situações críticas. Um incêndio, por exemplo, aciona o fechamento imediato do túnel, ativa o sistema de ventilação e permite comunicação direta com os usuários por radiocomunicação. Câmeras inteligentes identificam paradas e incidentes enquanto a equipe de socorro já tem todas essas informações e parte para o local.
Pedágios, free flow e geradores de energia
A modernização tecnológica nas praças de pedágio, segundo Souza, também é ponto crítico, pois responde pela viabilidade do negócio. “Temos dois clusters nas praças, com disaster recovery estruturado e todo o sistema de arrecadação roda com uptime de 100%”, detalha Marcondes.
O ambiente reúne cerca de 30 servidores virtuais e mais de 100 TB de capacidade bruta, com redundância entre os pontos. Segundo ele, isso proporcionou aumento na performance de leitura e gravação, principalmente em dados não estruturados, como imagens das câmeras de leitura das placas dos veículos. “Antes da modernização tecnológica, o índice de efetividade era de 99,6%. Mas ganhar essa pequena porcentagem que faltava era importante, pois em uma operação ininterrupta, qualquer fração impacta, gera fila, aumenta risco, etc”, diz Marcondes.
Assim, cada praça de pedágio possui processamento próprio. Já no free flow, há dois processadores trabalhando em redundância para garantir as cobranças.
A operação da nova Tamoios também inclui uma estrutura própria de energia. A concessionária mantém 28 grupos geradores de 750 kVA cada, para suprir falta de energia, principalmente nos sistemas de segurança dos túneis, como os jato-ventiladores. “Já aderimos ao mercado livre de energia, para reduzir custos e ampliar o uso de energias renováveis.
Agora, trabalhamos em um projeto de usina solar, para a geração da nossa própria energia renovável”, revela Souza.
A implementação da nova arquitetura de tecnologia com a Nutanix foi concluída em cerca de seis meses, ao longo de 2025. O projeto envolveu também a formação da equipe técnica. “A capacitação foi feita com quem opera no dia a dia, com workshops voltados à prática”, explica Gabriel Amorim, head de engenharia da Propulos. Segundo ele, a concessionária optou por um modelo modular, desenhado a partir das necessidades da operação.

Da esquerda para a direita: Paulo Marcondes (Tamoios), Gabriel Amorim (Propulos) e Denis Souza (Tamoios).
Para os especialistas da Tamoios, a mudança de arquitetura de tecnologia, saindo do modelo tradicional de três camadas para a hiperconvergência, trouxe maior previsibilidade de escala. “Mesmo em períodos de pico, como feriados, conseguimos dimensionar melhor a operação”, diz Marcondes.
O próximo passo envolve a ampliação do uso de inteligência artificial no CCO. A proposta é apoiar a tomada de decisão em tempo real, especialmente em eventos críticos. “A IA pode ajudar o operador a decidir mais rápido, por exemplo, no fechamento de um túnel”, diz Souza.
A concessionária também projeta expansão da rodovia, com a ligação entre Caraguatatuba e Ubatuba em um novo trecho de 44 quilômetros, e a base tecnológica atual deve sustentar essa ampliação, mantendo o foco em disponibilidade e controle operacional.
*O jornalista viajou a Chicago a convite da Nutanix.


