A 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura, pesquisa semestral realizada pela Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústria de Base (ABDIB) em parceria com a EY-Parthenon, braço de estratégia e transações da EY, aponta queda significativa do otimismo em novos investimentos. A porcentagem de respondentes que avaliaram cenário para promoção de investimentos em infraestrutura no Brasil nos próximos seis meses como favorável caiu de 54,2% no segundo semestre de 2025 para 37,8% em 2026. Com isso, cresceu a avaliação desfavorável de 20,4% para 30,9%.
Segundo os pesquisadores da EY-Parthenon, o resultado sugere um ambiente mais cauteloso, que pode ser reflexo de uma soma de fatores, como as eleições, os efeitos decorrentes da guerra no Oriente Médio, inflação, juros e até a Reforma Tributária. Mesmo que a expectativa de continuidade dos investimentos permaneça presente, a convicção quanto às condições de promoção de novos projetos no curto prazo é menor.
A consultoria reforça que 2025 foi um ano bastante expressivo para o setor, com uma quantidade relevante de concessões e investimentos. No último ano, os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280,4 bilhões, o que representa um novo recorde da série histórica iniciada em 2010. O setor privado foi fundamental para esse desempenho, sendo o grande protagonista dos investimentos com aproximadamente 80% das realizações no último ano.
PPPs e concessões avançam, na opinião dos respondentes do Barômetro da Infraestrutura
O resultado dessa edição quanto ao potencial de aproveitamento dos entes federativos em relação a parcerias público-privado (PPPs) e concessões traz um equilíbrio maior em relação ao começo do ano. No aspecto federal, a União teve um pequeno avanço, fazendo com que percepção favorável passasse de 53,2% para 54,6%, impulsionada pelo avanço da avaliação de aproveitamento parcial, que subiu de 46,4% para 48,5%.
Ainda assim, o patamar federal permanece inferior ao observado nos Estados, reforçando a leitura de que a esfera estadual continua sendo percebida como a principal referência na atração e estruturação de investimentos privados por meio de concessões e PPPs. E os municípios continuam como o principal gargalo federativo: 74% dos respondentes avaliam que esse potencial é pouco ou nada aproveitado, reforçando a necessidade de maior capacidade de estruturação de projetos em nível local.
Guerra no Oriente Médio impacta mercado de infraestrutura
O estudo aponta que a agenda do setor de infraestrutura vem sofrendo de forma mais explícita os efeitos da instabilidade geopolítica sobre petróleo, logística, inflação, juros, câmbio, cadeias de suprimento e comércio internacional, eleições e reforma tributária.
Enquanto a instabilidade no Oriente Médio aumenta a sensibilidade dos projetos à volatilidade do petróleo, com efeitos sobre combustíveis, fretes e cadeias de suprimento, a combinação entre inflação resistente, juros elevados e incerteza externa tende a encarecer o financiamento de longo prazo. Como explica a consultoria, isso significa maior pressão sobre o custo médio de capital, tarifas, contraprestações públicas, outorgas e necessidade de estruturas de funding mais robustas.
Quando questionados sobre o impacto do conflito no Oriente Médio na logística e preço do petróleo, a avaliação de médio impacto foi a mais recorrente, com 43,9% das respostas, seguida por 20,3% que apontaram alto impacto. Assim, 64,2% dos respondentes indicam algum grau relevante de exposição dos negócios aos efeitos associados ao petróleo e à logística.
Trump e Reforma Tributária também preocupam
A percepção sobre os efeitos do maior protecionismo e da guerra comercial, especialmente vindos dos Estados Unidos, também indica um ambiente de atenção. Mais de um terço (38%) avalia que esse movimento gera médio impacto sobre os seus negócios, enquanto 20,9% apontam alto impacto. Somadas, essas respostas indicam que 58,9% dos agentes percebem impactos relevantes decorrentes da reorganização das relações comerciais internacionais.
Já a Reforma Tributária deixou de ser apenas uma preocupação regulatória futura e passou a integrar a agenda operacional e contratual das empresas, com 62% dos entrevistados afirmando que suas empresas já estão estudando os impactos da reforma em seus contratos. Enquanto isso, 13,4% informaram não terem iniciado essa avaliação, mas pretendem iniciar ainda em 2026. Já 7% indicaram que a análise deve começar somente em 2027 ou posteriormente.
Outro aspecto importante da agenda interna do país é a eleição. Considerando o cenário de vitória de um candidato de oposição ao atual governo, 43,9% avaliam que esse resultado eleitoral deve impactar positivamente os investimentos. Ainda assim, 26,2% dos participantes indicam expectativa de impacto negativo, enquanto 23% avaliam que não haveria impacto relevante, com manutenção do nível atual de investimentos.
Já considerando o cenário de continuidade do governo atual, o viés de cautela permanece significativo. Dos participantes, 31% entendem que a reeleição do atual governo poderia impactar negativamente o volume de investimentos.
Setores para investimentos
O ranking de setores com maior intenção de investimento nos próximos três anos é composto por:
- Saneamento Básico (50,4%), que manteve a liderança.
- Rodovias (45,7%), com recuo frente aos 47,8% registrados na edição anterior.
- Ferrovias, que passou de 32,8% para 40,9%, assumindo a terceira posição.
- Energia Elétrica, que recuou de 38,5% para 35,7%.
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Sobre o Barômetro da Infraestrutura
O Barômetro da Infraestrutura Brasileira é um levantamento semestral realizado pela EY-Parthenon, braço de estratégia e transações da EY, uma das principais consultorias e auditorias do mundo, e a ABDIB, Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, de forma digital, com o objetivo de captar a opinião de gestores, de investidores e de especialistas que apoiam a estruturação de projetos de infraestrutura e identificar o ânimo dos stakeholders a respeito de temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos.
O Intervalo de captura das respostas, nesta edição, foi de 08/06/2026 a 23/06/2026 e foram captadas 233 respostas.


