Brasil precisa de R$ 431 bilhões para universalizar saneamento até 2033

O país precisaria investir cerca de R$ 48 bilhões por ano até 2033 para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento Básico, ritmo bem acima do que se pratica hoje

Por Redação

em 24 de Julho de 2026

Com menos de sete anos para encerrar a meta do Marco Legal do Saneamento, o Brasil não aplicou nem 20% do investimento necessário para universalizar os serviços de saneamento e esgoto. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, com base na segunda revisão do PLANSAB, o Brasil investiu apenas R$ 94 bilhões dos R$ 525 bilhões necessários para universalizar os serviços.

O Marco Legal do Saneamento Básico foi aprovado em 2020, mas o Brasil ainda convive com um cenário desafiador: 15,9% da população vive sem acesso à água potável e 43,3% não tem coleta de esgoto. A lei prevê que todas as localidades do País atendam 99% da população com água potável e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

Brasil tem dois anos a mais para universalizar saneamento

A favor do tempo está a data da métrica do estudo. O PLANSAB conta com dados dos investimentos realizados entre 2021 e 2024, então há dois anos de margem que tendem a subir os investimentos no setor. A questão é que o Brasil precisa passar para um ritmo de investimento anual de R$ 48 bilhões, ou R$ 225 por habitante, entre 2025 e 2033.

O estudo mostra que o ritmo atual está longe disso. Desde a aprovação do Marco Legal, o investimento per capita em saneamento cresceu 51%, passando de R$ 90,54 para R$ 137,02 por habitante ao ano. Ainda assim, o valor fica quase 40% abaixo do que seria necessário para o país cumprir o prazo estabelecido por lei.

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Mais de 1 milhão de piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento foram despejadas em 2026

Outro dado preocupante do Instituto Trata Brasil é que, a cada minuto, quase quatro piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza brasileira. Por dia, são 5.442 piscinas, segundo o esgotômetro, índice do Instituto que tem como base o índice de tratamento de esgoto do SINISA, ano-base 2024. Somado ao longo do ano, esse volume já ultrapassou a marca de 1 milhão de piscinas olímpicas despejadas sem tratamento em 2026, reflexo de um País que trata pouco mais da metade (51,8%) do esgoto que gera.

Esse déficit de tratamento tem consequências diretas sobre a saúde da população. A falta de coleta e tratamento de esgoto está associada a mais casos de doenças de veiculação hídrica, que afastam crianças da escola, reduzem a produtividade dos trabalhadores e sobrecarregam o SUS com internações evitáveis. Esse ciclo penaliza, sobretudo, as populações mais vulneráveis, que costumam ter menor acesso aos serviços básicos.

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