A Cemig pretende concluir ainda este ano a implantação do ADMS (Advanced Distribution Management System), plataforma de gestão de redes elétricas, em mais um passo para sua digitalização. Com investimento superior a R$ 100 milhões, o sistema permitirá monitoramento, análise e controle em tempo real de toda a rede de distribuição da companhia, além de integrar de forma inteligente as fontes renováveis e descentralizadas conectadas ao sistema elétrico de Minas Gerais.
A plataforma trará funcionalidades avançadas, como automação da recomposição do sistema, simulação de cenários operativos e gerenciamento dinâmico de tensão e carga, reduzindo o tempo de restabelecimento da energia e elevando a confiabilidade da rede. Além disso, o ADMS consolida em uma única aplicação diferentes sistemas utilizados pela companhia, como o SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition) e as plataformas de gerenciamento de interrupções e atendimento, que integrará o Centro de Operação da Distribuição (COD)
Infraestrutura inteligente para digitalização da Cemig
Em paralelo ao ADMS, a Cemig vem ampliando a digitalização de sua rede de distribuição com a implantação massiva de medidores inteligentes e religadores automatizados. Até 2026, a empresa prevê 1,5 milhão de medidores inteligentes em operação — um salto em relação aos cerca de 400 mil já instalados. Esses equipamentos permitem leituras em tempo real, análises detalhadas de consumo e maior transparência na relação com o cliente.
Outro pilar do projeto é a instalação de 3,6 mil religadores automatizados, que permitirão a recomposição da rede de forma remota e mais ágil. A adoção dessa tecnologia reduz significativamente os indicadores de continuidade (DEC e FEC) e aumenta a resiliência da rede frente a eventos climáticos.
Investimento em transformadores a óleo vegetal
A Cemig também investiu R$ 165 milhões na instalação de 17,2 mil transformadores que utilizam óleo isolante de origem vegetal, renovável e biodegradável, em substituição ao óleo mineral usado nos transformadores tradicionais. Segundo a companhia, já são “dezenas de milhares” de transformadores do tipo em sua área de concessão e avança na substituição dos antigos equipamentos à base de óleo mineral pelos novos modelos. A companhia já trabalha com a meta de adquirir apenas tecnologias sustentáveis para sua rede de distribuição.
Além do benefício ambiental, os transformadores verdes apresentam vantagens técnicas significativas. O óleo vegetal garante maior estabilidade térmica, maior capacidade de refrigeração, menor impacto ambiental e também um risco muito menor de incêndio. Isso ocorre porque o fluido vegetal tem um ponto de fulgor mais elevado, que é a menor temperatura na qual um líquido libera vapores capazes de formar uma mistura inflamável com o ar. Quanto maior esse ponto, menor o risco de ignição.
Nos transformadores verdes, o óleo vegetal apresenta ponto de fulgor acima de 300 °C, enquanto o óleo mineral utilizado em equipamentos convencionais fica na faixa de 140 °C a 160 °C. Essa diferença faz com que os transformadores sustentáveis sejam classificados como menos inflamáveis, sendo recomendados para áreas com grande circulação de pessoas, centros urbanos, edifícios, indústrias e locais com requisitos rigorosos de segurança.


