A indústria brasileira de cimento comercializou 6,2 milhões de toneladas em julho, um aumento de 2,5% frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). No acumulado do ano, as vendas alcançaram 39 milhões de toneladas, variação de 2,3% na comparação anual. O despacho por dia útil, que somou 249,3 mil toneladas, apresentou aumento de 2,4% sobre julho do ano passado e redução de 1,7% ante junho.
Na avaliação de desempenho das regiões do País no mês de julho, as regiões Norte e Nordeste mantiveram o crescimento expressivo, enquanto as demais regiões apresentaram estabilidade nas vendas, à exceção do Sul do Brasil, em razão das fortes chuvas.
Segundo o SNIC, as vendas setoriais se apoiam nos indicadores positivos do mercado de trabalho, com o número recorde empregabilidade e na queda da informalidade. Mas a entidade diz que o crescimento esbarra no alto endividamento das famílias e em um horizonte de juros e inflação ainda pressionados, além da recorrente carência de mão de obra.
Economia reflete crescimento das vendas
O resultado é reflexo da economia brasileira. A taxa de desemprego recuou para 5,4% no fechamento de junho, o menor patamar para o mês desde 2012, acompanhada por um recorde de 103,1 milhões de pessoas ocupadas. Em paralelo, o rendimento do trabalhador caiu pela segunda vez consecutiva, enquanto o orçamento familiar também segue pressionado: até maio, 49,8% da renda acumulada em 12 meses estava comprometida com dívidas, e a inadimplência atingiu o nível recorde de 83,7 milhões de brasileiros em junho, concentrando R$ 579 bilhões em débitos.
No mercado imobiliário, as vendas cresceram 4,1% no primeiro trimestre, enquanto os lançamentos encolheram 4,9%. O movimento tem relação direta com o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), responsável por 49% da oferta de imóveis no país. O programa registrou salto de 10% nas vendas, mas apresentou queda de 10% nos lançamentos na comparação anual. A retração nas novas unidades reflete a adaptação das construtoras às alterações na política habitacional, com aumentos nas faixas de renda e nos valores dos imóveis vigentes desde o final de abril.
Confiança não é das maiores
Os índices de confiança medidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram um mercado menos otimista. A construção é o único setor em que a confiança subiu, sustentada pela avaliação positiva das empresas de edificações residenciais, movimento que compensou a piora das expectativas no segmento de infraestrutura. O comprometimento da renda, por outro lado, refletiu-se na confiança do consumidor, que recuou em julho puxada pelo pessimismo das classes mais baixas.
Já a confiança da indústria registrou sua maior queda desde setembro do ano passado, impactada pela instabilidade com as novas tarifas de importação dos Estados Unidos e pelo avanço do calendário eleitoral. O mercado também manteve as expectativas de inflação para acima da meta e revisou a projeção da taxa Selic para 13,75% ao fim do ano, a partir de um novo corte de 0,25% realizado ontem.


