Controle tecnológico: a importância de levar o conhecimento do pré-projeto para a execução da obra

Da investigação do terreno ao acompanhamento da execução, integração entre sondagens, laboratório, geotecnia e controle tecnológico busca garantir que as premissas do projeto sejam verificadas em campo

Por Redação

em 18 de Agosto de 2026
Maurício Melanconi, CEO da Suporte - Foto de DivulgaçãoMaurício Melanconi, CEO da Suporte - Foto de Divulgação

Por Maurício Malanconi*

Ao longo da minha trajetória como engenheiro, sempre tive uma relação muito próxima com solos, laboratório e pavimentação. Trabalhei com projetos de infraestrutura e me aprofundei em pavimentos ainda na graduação e, depois, no mestrado. Talvez por isso eu sempre tenha enxergado com muita naturalidade a relação entre aquilo que investigamos no início de um empreendimento e o que encontramos mais tarde, durante a execução.

Na Suporte, essa discussão também faz parte da nossa história.

Há 15 anos trabalhamos com sondagens, laboratório, geologia e geotecnia. Estamos muito presentes nas etapas que antecedem o projeto, produzindo informações que ajudam engenheiros e projetistas a conhecer melhor o terreno, caracterizar os materiais disponíveis e estabelecer parâmetros para suas decisões.

Uma sondagem, por exemplo, não pode terminar no boletim. Da mesma forma, um ensaio de laboratório não deveria ser visto apenas pelo resultado apresentado no laudo. Essas informações passam a fazer parte de uma base técnica utilizada para projetar uma fundação, dimensionar um pavimento, avaliar uma jazida, projetar um aterro ou definir uma solução geotécnica.

Depois disso, o projeto segue seu caminho e a obra começa.

É justamente nessa passagem que vejo uma oportunidade importante de continuidade do nosso trabalho.

Se participamos da investigação do terreno, conhecemos os materiais e ajudamos a produzir parte das informações utilizadas pelo projetista, faz sentido levar esse conhecimento também para a execução da obra.

Foi com essa visão que decidimos ampliar nossa atuação em Controle Tecnológico.

Não se trata de incorporar novos ensaios ao nosso portfólio. O que nos interessa é utilizar a estrutura que construímos ao longo desses anos para acompanhar o comportamento dos materiais e os parâmetros definidos em projeto também durante a execução.

Quem trabalha com solos sabe que existe uma variabilidade natural que precisa ser considerada. Uma jazida pode apresentar diferenças entre regiões de exploração. A umidade muda. As condições de compactação mudam. O material encontrado em determinado trecho pode não apresentar exatamente as mesmas características daquele investigado anteriormente.

Isso não significa necessariamente que exista um problema. Significa que precisamos medir, acompanhar e, quando necessário, avaliar tecnicamente o que está acontecendo.

Em uma obra de pavimentação, por exemplo, existe uma quantidade enorme de informação produzida até chegarmos à solução definida em projeto. Caracterizamos o subleito, estudamos materiais de jazidas, analisamos granulometria, CBR, limites de consistência, comportamento mecânico e diversas outras propriedades.

Dependendo do projeto, estudamos também alternativas de estabilização e misturas, como solo-brita, solo-cimento, solo-cal, … , buscando compreender como aqueles materiais podem ser utilizados tecnicamente.

Quando a execução começa, boa parte dessas premissas precisa ser verificada em campo, in-loco.

É preciso acompanhar os materiais efetivamente utilizados, as condições de umidade, o grau de compactação, as características das camadas executadas e outros parâmetros previstos nas especificações do projeto.

O controle tecnológico permite fazer esse acompanhamento de forma sistemática e documentada. Considero importante que o controle não seja tratado apenas como uma rotina de ensaios para verificar se determinado resultado está acima ou abaixo de um limite.

Quando aparece um resultado diferente do esperado, existe um contexto que precisa ser entendido. Qual material foi utilizado? De onde ele veio? Houve alguma mudança nas condições de execução? O comportamento observado é compatível com aquilo que havia sido identificado anteriormente? Existe alguma informação de laboratório ou da investigação geotécnica que ajude a compreender aquela situação?

É nesse ponto que a estrutura que construímos na Suporte pode contribuir bastante.

Ao longo dos anos formamos muitos profissionais dentro de casa, principalmente laboratoristas que começaram conosco, aprenderam os procedimentos, ganharam experiência e hoje conhecem profundamente a rotina dos ensaios e dos materiais com os quais trabalhamos.

Essa formação interna sempre foi muito importante para nós.

Ao mesmo tempo, temos uma retaguarda técnica que foi ficando mais robusta. Hoje contamos com engenheiros, geólogos, geotécnicos, profissionais de laboratório e equipes de campo que podem conversar entre si quando surge uma situação que exige uma análise além da rotina do ensaio.

Para o Controle Tecnológico, considero essa retaguarda fundamental.

O profissional que está na obra precisa ter acesso a uma estrutura capaz de ajudá-lo quando encontra alguma situação diferente. Às vezes será necessário consultar um ensaio anterior. Em outros casos, entender melhor uma condição geológica, conversar com a equipe de geotecnia ou simplesmente discutir tecnicamente um resultado antes de encaminhá-lo ao cliente.

Também temos investido bastante na digitalização dessas informações. Quanto maior a capacidade de registrar, organizar e disponibilizar os dados produzidos em campo, mais fácil se torna acompanhar o histórico da obra e identificar situações que merecem atenção.

Essa integração entre campo, laboratório e engenharia é uma parte importante do que estamos buscando construir.

No caso de pavimentos, área com a qual tenho uma proximidade particular, vejo ainda uma oportunidade interessante de contribuir na avaliação dos materiais disponíveis para a própria obra.

Nem sempre utilizar mais material granular ou transportar material de longas distâncias será a única solução possível. Dependendo das características dos solos existentes, vale estudar alternativas de estabilização ou combinação de materiais.

Naturalmente, isso precisa ser feito com engenharia. É necessário caracterizar, ensaiar, avaliar o comportamento, verificar as especificações do projeto e validar tecnicamente qualquer solução antes de sua utilização.

Quando encontramos uma alternativa tecnicamente adequada que também permite racionalizar o uso de materiais ou reduzir movimentações e transportes, existe um benefício adicional para o empreendimento.

Esse tipo de análise só é possível quando existe conhecimento técnico e informação de qualidade disponível.

Por isso considero o Controle Tecnológico uma evolução bastante coerente para a Suporte.

Já estamos presentes em muitas obras quando elas ainda estão sendo estudadas. Nossas equipes entram em campo para investigar o subsolo, coletamos materiais, realizamos ensaios e nossa equipe técnica participa da interpretação dessas informações.

A ampliação da nossa atuação em Controle nos permite continuar próximos desses empreendimentos durante a execução, agora acompanhando os materiais que estão sendo utilizados e verificando os parâmetros definidos pelo projeto.

Para mim, existe muito valor nessa continuidade.

Não queremos substituir o papel do projetista, da fiscalização ou da engenharia da obra. Pelo contrário. Queremos produzir informações confiáveis e colocar nossa estrutura técnica à disposição desses profissionais para que tenham melhores condições de avaliar o que está acontecendo em campo.

Depois de tantos anos trabalhando principalmente na investigação e caracterização, estar mais presentes durante a execução também nos permite aprender.

Passamos a acompanhar como os materiais que ensaiamos se comportam na obra, como as premissas adotadas no projeto aparecem no campo e quais dificuldades surgem durante a execução. Esse conhecimento volta para dentro da empresa e melhora também a maneira como investigamos, ensaiamos e analisamos os próximos projetos.

É esse ciclo que considero mais interessante.

Levar para a obra o conhecimento que ajudamos a construir no pré-projeto e, ao mesmo tempo, trazer a experiência da execução de volta para nossas equipes de sondagens, laboratório, geologia e geotecnia.

É assim que estamos estruturando o Controle Tecnológico dentro da Suporte.

*Maurício Malanconi é fundador e CEO da Suporte.

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