A movimentação recorde nos principais portos brasileiros em 2026 reforçou a necessidade das medidas de ampliação da capacidade logística da transportadora rodoviária West Cargo. A empresa estruturou sua Divisão Marítima a partir de um plano de negócios que envolveu contratação de profissionais especializados, abertura de filiais, aquisição de equipamentos dedicados e investimentos em infraestrutura. Como resultado dessa estratégia, a área registra crescimento de dois dígitos ao ano nos últimos quatro anos e hoje atua em operações ligadas aos portos de Santos, Itajaí, Itapoá e Paranaguá.
Segundo Sergio Ricardo Giraldo, gerente Marítimo da West Cargo, a decisão de ampliar a atuação para o segmento marítimo nasceu da demanda dos próprios clientes e da estratégia de diversificação da companhia, até então fortemente associada às operações aeroportuárias. Ele diz que a empresa já atendia clientes que precisavam transportar suas cargas de e para aeroportos e percebemos uma demanda para que o mesmo padrão fosse oferecido nas operações portuárias.
A partir daí, a companhia estruturou a divisão com profissionais do segmento, equipamentos específicos e uma operação preparada para atender esse mercado. “Esse planejamento foi fundamental para chegarmos ao atual momento já posicionados para acompanhar o crescimento dos portos”, afirma Giraldo.
West Cargo apostou na Baixada Santista e na Região Sul
Um dos investimentos realizados está na Baixada Santista, onde a empresa mantém estrutura em São Vicente, próxima aos acessos às rodovias dos Imigrantes e Anchieta. O terminal funciona como ponto de apoio à operação e permite organizar os fluxos sem depender integralmente da circulação pelas áreas mais congestionadas de Santos nos horários de pico.
A expansão também foi direcionada aos corredores portuários de Santa Catarina e Paraná, regiões importantes para a movimentação de contêineres e para segmentos de maior valor agregado. Nesses mercados, a West Cargo atua com cargas como produtos farmacêuticos e eletroeletrônicos, apoiada por certificações e licenças como OEA, ISO, SASSMAQ e Anvisa.
Para Giraldo, o crescimento atual dos portos confirma a importância de investimentos realizados com visão de longo prazo. “Estrutura, localização e capacidade operacional precisam ser construídas antes que a demanda chegue ao limite. O crescimento que vemos hoje nos portos encontra uma Divisão Marítima que já vinha sendo preparada e ampliada ao longo dos últimos anos”, destaca.
Infraestrutura ainda é um desafio
Mesmo com os investimentos privados, a infraestrutura de acesso segue como um dos principais desafios. No Porto de Santos, cerca de 20 mil veículos de carga circulam diariamente pelo complexo, pressionando vias que também atendem o tráfego urbano. Restrições de acesso, falta de áreas disponíveis e dificuldades relacionadas às janelas de entrega e devolução de contêineres continuam exigindo flexibilidade das transportadoras.
Giraldo destaca que, se o porto cresce, os acessos e as estruturas de apoio também precisam crescer para atender a demanda. “Para a transportadora, estar próxima do complexo e ter capacidade para reorganizar a operação ajuda a reduzir os impactos desses gargalos e traz mais previsibilidade ao cliente”, explica Giraldo.
Para os próximos anos, a West Cargo pretende manter o crescimento da Divisão Marítima de forma alinhada à evolução do comércio exterior e aos investimentos previstos para o sistema portuário. Entre os projetos acompanhados pela empresa estão o Túnel Santos–Guarujá, a expansão da capacidade de terminais e as mudanças na integração entre rodovias e ferrovias na Baixada Santista.
“Nosso planejamento não depende apenas do aumento da movimentação portuária. A estratégia é continuar investindo em equipamentos, capacitação, infraestrutura e novas tecnologias para ampliar a eficiência dos serviços. Estar bem preparado nos permite aproveitar as oportunidades que surgem com a evolução dos portos e do comércio exterior”, conclui Giraldo.
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