Indenizações de desastre em Mariana chegam a R$ 82,6 bi

Investimentos das mineradoras envolvidas no maior desastre ambiental do Brasil devem chegar a R$ 170 bilhões, segundo novo acordo

Por Redação

em 29 de Outubro de 2026

Os recursos indenizatórios pagos pela Vale, BHP Billiton e Samarco pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG) — que levou ao maior desastre ambiental da história brasileira em 2015 — somam R$ 82,6 bilhões. As compensações ainda não atingiram nem a metade do que prevê o Novo Acordo do Rio Doce, que foi a renegociação para garantir a reparação definitiva dos danos do acidente, que são de R$ 170 bilhões, mas já indicam avanços no trabalho de reconstruir comunidades e fortalecer serviços essenciais.

Entre as entregas, está a conclusão das obras dos distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu, em Mariana. Foram finalizadas 395 edificações, entre imóveis residenciais e comerciais, incluindo 22 bens públicos, como escolas, unidades de saúde, áreas de lazer, equipamentos comunitários e espaços destinados à atividade comercial, reforçando a reconstrução não apenas da infraestrutura, mas também dos vínculos comunitários.

Na área de saneamento, desde o início da reparação, foram implantadas ou ampliadas 11 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e estruturas associadas em 22 municípios. As intervenções concluídas têm capacidade de tratar cerca de 3,9 milhões de litros de esgoto por dia e beneficiam, direta ou indiretamente, aproximadamente 1 milhão de pessoas. O Novo Acordo prevê ainda R$ 11 bilhões em repasses ao poder público para investimentos em abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e macrodrenagem.

Indenizações a cidadãos e investimentos em municípios

Na frente da indenização, desde 2015, mais de 648 mil pessoas receberam indenizações e auxílios financeiros no processo de reparação, o que equivale a cerca de dez vezes a população de Mariana. Somente após a assinatura do Novo Acordo, cerca de 357 mil pessoas foram contempladas com R$ 18,5 bilhões em pagamentos. Atualmente, 99,6% dos casos de indenizações individuais e auxílios financeiros já foram concluídos.

Em 2026, outros 19 municípios aderiram ao Novo Acordo, ampliando para 45 dos 49 municípios elegíveis o total de participantes. Em setembro, os 19 municípios receberam R$ 422 milhões previstos no acordo, incluindo recursos destinados a projetos de saneamento.

Entre os investimentos estruturantes já anunciados, estão recursos para a construção do Hospital Universitário da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e para a concessão da Via Liberdade, corredor rodoviário de 190 quilômetros entre Ouro Preto e Mariana, voltado à melhoria da infraestrutura logística e da mobilidade regional.

Recuperação ambiental

Os programas de recuperação ambiental seguem avançando em toda a Bacia do Rio Doce. Já foram alcançados 96% da meta de cercamento das áreas destinadas ao reflorestamento compensatório e 94% da meta de proteção de nascentes, envolvendo mais de três mil propriedades rurais.

Ao todo, são 47,9 mil hectares cercados para reflorestamento e 4,6 mil nascentes protegidas. Nas áreas atingidas entre o Rio Gualaxo do Norte e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, mais de 1 milhão de mudas de espécies nativas já foram plantadas em 432 hectares em recuperação.

Outro marco importante foi a conclusão da renaturalização de sete quilômetros do Rio Gualaxo do Norte, onde o monitoramento registra o retorno de espécies nativas de peixes como lambari, traíra, bagre e cará, um indicativo da recuperação gradual dos ecossistemas locais.

    Os assuntos mais relevantes diretamente no seu e-mail

    Increva-se na nossa newsletter e receba nossos conteúdos semanalemnte

    Aceito receber a newsletter por email