John Deere quer estabelecer novo padrão com escavadeiras DEX

Deere Excavator é nova geração de escavadeiras da marca, desenvolvida com engenharia própria e focada em tecnologias de automação para simplificar operação

Por João Monteiro

em 20 de Agosto de 2026

A John Deere acaba de lançar a nova geração de escavadeiras DEX (do inglês “Deere Excavators”), a primeira da história da companhia desenvolvida com tecnologia própria — os modelos anteriores eram fruto de uma parceria de 30 anos com a Hitachi. Composta pelos modelos 210 P, 230 P e 260 P, categoria focada em produtividade, os novos equipamentos atendem a faixa entre 14 e 35 toneladas e buscam se destacar no mercado pela robustez e pela tecnologia de automação embarcada.

As novas escavadeiras DEX chegam como um desafio da John Deere ao mercado. Conforme disse Adilson Butzke, diretor de Vendas e Canais da empresa no Brasil, a criação do projeto do zero veio para estabelecer um novo padrão para as escavadeiras. O foco é trazer menor consumo de combustível sem perder produtividade. Para equilibrar essa equação, a John Deere apostou na tecnologia.

A promessa é de que são soluções simples de serem configuradas e operadas, de forma que o profissional não perca muito tempo tendo que aprender a usá-las e muito menos ter que ficar calibrando a máquina antes de poder utilizar efetivamente a escavadeira. “A dificuldade de formar operadores guiou o desenvolvimento da tecnologia da máquina”, diz o diretor. Por isso, o acesso e operação do display da máquina pode ser feito remotamente pela equipe de suporte da John Deere, ajudando o operador a configurar a máquina.

O display da DEX pode ser acessado remotamente para auxiliar o operador no uso das novas tecnologias (foto: divulgação).

Quais são as tecnologias de automação da DEX

Os equipamentos trarão ao menos quatro tecnologias opcionais que vão facilitar a vida do operador e de quem toca a obra:

  • SmartGrade 2D: é uma tecnologia de nivelamento inteligente que garante maior precisão nas escavações e promete reduzir retrabalho, desperdício de material e tempo de execução. O operador define o ponto-zero em que vai escavar e o movimento do equipamento é travado para seguir a marcação configurada, garantindo o ângulo e a profundidade da operação.
  • Cercas Virtuais: é um sistema para controlar a área de ação da escavadeira para ajudar a evitar colisões com estruturas, obstáculos ou áreas restritas. O operador pode configurar no painel a metragem permitida para o equipamento operar ou posicionar a máquina no limite da operação, criando a área máxima de atuação virtualmente. Caso a máquina for passar do delimitado, ela trava automaticamente.
  • SmartWeigh: o sistema de pesagem inteligente afere o peso do material movimentado em tempo real, permitindo maior controle sobre volumes transportados e produtividade da operação. O operador consegue cadastrar o material que está carregando (terra, pedra, etc.) e até mesmo o modelo do caminhão, estipulando o limite de carga que o veículo pode carregar. Dessa forma, o SmartWeigh contabiliza o peso automaticamente e ainda geram relatórios para medir produtividade.
  • EZ Control: trata-se de um sistema de auxílio para movimentação de cargas. O operador precisa apenas posicionar a carga no ângulo de trabalho desejado e acionar o botão do EZ Control. A função permite que a movimentação da carga seja travada em movimentos horizontais e paralelos à lança. Dessa forma, com um único joystick, ele controla a altura e a velocidade do movimento com precisão.

Segundo Darlon Destri, gerente de Produto para Escavadeiras da John Deere, o EZ Control se difere no mercado por conta da usabilidade e é o destaque entre as quatro apresentadas. Até mesmo uma pessoa sem nenhuma experiência operando uma escavadeira (como o jornalista que vos fala) consegue movimentar a máquina com confiança e segurança.

John Deere permitiu que jornalistas operassem as máquinas para mostrar como tecnologias facilitam o uso das escavadeiras.

Novas escavadeiras da John Deere terão produção nacional

O lançamento da DEX também representa um marco para a operação da John Deere no Brasil, com produção nacionalizada das escavadeiras na fábrica de Indaiatuba (SP) para atender o mercado brasileiro, com capacidade para exportação à América Latina. Luis Bonan, diretor da fábrica da empresa, diz que a fabricação local é resultado da evolução da planta industrial, que desenvolveu a capacidade técnica para produzir um equipamento que tem projeto estrutural totalmente novo.

O executivo também lembra que o protótipo chegou no Brasil ainda em outubro de 2018, permitindo cerca de 60 mil horas de testes na América Latina — de um total de 165 mil horas — antes de ser lançado. “Estamos falando de uma máquina criada para ter maior longevidade e produtividade no mercado. O embuchamento que desenvolvemos é exclusivo e aumenta entre quatro a cinco vezes a durabilidade, além de facilitar na hora da troca na manutenção”, exemplifica Bonan.

A produção nacional também vai ser uma oportunidade da John Deere conquistar maior confiança do mercado a partir do atendimento, algo que Butzke acredita influenciar no market share da marca. O diretor de Vendas da empresa vê potencial maior no setor de locação, que hoje responde por 22% do mercado de equipamentos, segundo números que ele citou. “Em países desenvolvidos, esse segmento costuma atender metade do mercado”, diz ele, apontando uma oportunidade de crescer junto com a locação.

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