A Petrobras assinou contrato para a perfuração e completação de quatro poços terrestres na Estação de Barra do Furado (EBAF), em Quissamã (RJ). Os poços — um injetor vertical e três direcionais de monitoramento — são parte da infraestrutura do Projeto Piloto de CCS São Tomé, o primeiro da América Latina de captura, movimentação e armazenamento de carbono (CO2) em reservatório salino a partir de fontes industriais.
O contrato firmado com a Halliburton Produtos Ltda é o primeiro passo na implantação do projeto e na estratégia da Petrobras de contribuir para a ambição de neutralização de carbono até 2050. O objetivo do piloto de CCS (Captura e Armazenamento de Carbono, na sigla em inglês) é testar e validar uma série de tecnologias enquanto captura até 100 mil toneladas de CO₂ por ano durante três anos. A perfuração e a completação dos poços, juntamente com toda a infraestrutura necessária, serão concluídas até 2028.
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Armazenamento de CO2 em poços deve começar só a partir de 2029
Em 2029, a Petrobras iniciará a fase de operação, seguindo por três anos de injeção de CO2 e outros três de monitoramento dos reservatórios de armazenamento. A ideia é relativamente simples: o CO2 gerado por atividades industriais é capturado, transportado e injetado em formações geológicas profundas, onde permanece armazenado por longos períodos.
O processo ocorre em três etapas. Na primeira, o dióxido de carbono é separado de outros gases emitidos por atividades industriais e comprimido até atingir um estado chamado supercrítico, no qual apresenta características semelhantes às de um líquido e de um gás ao mesmo tempo. Isso reduz seu volume e facilita o transporte.
O carbono capturado é transportado até o local de armazenamento por meio de dutos e injetados em reservatórios salinos, que são formações geológicas localizadas a centenas de metros abaixo da superfície e preenchidas por água extremamente salgada, imprópria para o consumo humano e para a agricultura.
CCS São Tomé é o primeiro projeto do tipo no País
O CCS São Tomé, da Petrobras, é o primeiro piloto com movimentação de CO2 por duto e armazenamento em reservatório salino no País. Quando o dióxido de carbono é injetado nesses reservatórios, ele tende a permanecer preso por diferentes mecanismos:
- aprisionamento estrutural: uma camada impermeável impede que o gás retorne à superfície;
- aprisionamento residual: pequenas quantidades de CO2 ficam retidas nos poros das rochas;
- dissolução: o dióxido de carbono se dissolve na água salgada;
- mineralização: o CO2 reage com minerais presentes nas rochas e forma compostos sólidos.
O projeto é uma iniciativa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) que abre o caminho para que órgãos reguladores, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), acompanhem e validem, em ambiente real, procedimentos e normas pertinentes à cadeia de valor do CCS. As tecnologias aplicadas podem contribuir para um avanço regulatório importante sobre o armazenamento geológico de carbono em futuros projetos comerciais no país.
O projeto também traz inovações como: revestimento de fibra óptica para acompanhamento da pluma de CO2 em tempo real; sistema de coleta de amostras do reservatório, dispensando a intervenção no poço; materiais especiais resistentes a CO2; revestimento de fibra de vidro no poço monitor, possibilitando o uso de ressonância magnética nuclear para registro de dado.


