Usina Henry Borden celebra centenário como marco da engenharia brasileira

Marco da engenharia e da industrialização paulista, usina combina história e capacidade de resposta rápida às necessidades do sistema

Por Redação

em 13 de Outubro de 2026

Há um século, engenheiros, técnicos e trabalhadores executaram um feito de engenharia que ficaria marcado na história do setor elétrico nacional: aproveitar os cerca de 720 metros de desnível da Serra do Mar para produzir energia e atender uma região que se transformava no principal polo industrial do País. Em 10 de outubro de 1926, entrava em operação a primeira unidade da então Usina de Cubatão, que, décadas mais tarde, receberia o nome de Usina Henry Borden.

Localizada no sopé da Serra do Mar, em Cubatão, a Usina Henry Borden é composta pelas casas de força externa e subterrânea, que, juntas, reúnem 14 grupos geradores, com capacidade instalada de 889 MW. Cem anos depois, o desafio é outro, mas igualmente ambicioso: modernizar a estrutura da usina e prepará-la para as novas necessidades de um sistema elétrico que demanda, cada vez mais, fontes renováveis e soluções de armazenamento de energia.

Leia mais

Usina Henry Borden sustentou política paulista de industrialização

A história da Usina Henry Borden está diretamente ligada ao processo de industrialização paulista. A energia produzida em Cubatão teve papel importante na expansão do parque industrial da Baixada Santista e no crescimento econômico e urbano de São Paulo ao longo do século XX.

A configuração atual ainda é resultado de um projeto que começou no início da década de 1920 e foi ampliado nos anos seguintes. Idealizado pelo engenheiro norte-americano Asa White Kenney Billings e executado pela The São Paulo Tramway, Light and Power Company Limited, o “Projeto da Serra” transformou as características geográficas da região em uma solução de engenharia.

A primeira unidade da seção externa foi inaugurada em 1926. As outras sete foram instaladas até 1950, totalizando uma potência de 469 MW. Já a parte subterrânea, escavada em rocha no interior da Serra do Mar, começou a operar em 1956 e abriga seis grupos geradores, com capacidade de 420 MW, tem cerca de 120 metros de comprimento, 21 metros de largura e 39 metros de altura.

Projeto envolveu até reversão do Rio Pinheiros

O Projeto da Serra não se limitou à construção da usina. O empreendimento exigiu um complexo sistema de captação, canalização, represamento e bombeamento de água, aproveitando o desnível natural da Serra do Mar para transformar energia potencial em geração elétrica.

Nas décadas seguintes, a ampliação do projeto envolveu a retificação e a reversão do curso do Rio Pinheiros, a formação do Reservatório Billings e a construção das usinas elevatórias Pedreira e Traição, atual Usina São Paulo. Essas estruturas foram concebidas para ampliar a disponibilidade de água para geração de energia em Henry Borden e, posteriormente, passaram a desempenhar funções importantes no controle de cheias e no sistema hídrico da Região Metropolitana de São Paulo.

A dimensão do empreendimento também transformou a paisagem e a vida da região. A necessidade de reunir trabalhadores para construir e operar o complexo levou à formação da Vila da Usina Henry Borden, que chegou a contar com moradias, alojamentos, comércio, escola e associações comunitárias.

Emae pretende modernizar unidade externa

A Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), que ficou responsável pela parte de geração de energia após a divisão da Eletropaulo – Eletricidade de São Paulo S.A, em 1998, assumiu a operação da Usina Henry Borden e desde então, investe na modernização das instalações. Como explica Rafael Strauch, diretor-presidente da companhia, a usina recebe R$ 338 milhões desde 2019 para a atualização das unidades geradoras da usina subterrânea. “O nosso próximo desafio é avançar na modernização das unidades da usina externa”, diz.

A estratégia já produz resultados operacionais. Um deles aconteceu em junho de 2026, quando a usina alcançou 92% de disponibilidade média móvel em 60 meses, indicador que reflete o desempenho operacional acumulado ao longo de cinco anos. Como opera em contrato de cotas com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Henry Borden não precisa operar em sua total capacidade a todo momento, apenas quando demandado pelo ONS, mas precisa garantir um índice de disponibilidade acima de 89%.

A localização e as características técnicas do complexo também contribuem para sua relevância no sistema elétrico. Henry Borden possui capacidade de black start, ou seja, consegue reiniciar sua operação sem depender de uma fonte de energia externa, em caso de um blecaute no País. Além disso, a usina consegue elevar sua geração para 889 MW em até 15 minutos, o que permite uma resposta rápida em períodos de alta demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN).

“Ao longo de um século, a Henry Borden acompanhou as transformações do setor elétrico e segue desempenhando um papel relevante para São Paulo e para o país. Ela combina história, relevância estratégica e capacidade de resposta às necessidades do Sistema Interligado Nacional”, destaca Strauch.

Usina Henry Borden (foto: Rogerio Correia).

Longevidade da Usina Henry Borden

A história de Henry Borden mostra uma característica comum às grandes obras de infraestrutura: seu valor não está apenas no momento em que são construídas, mas na capacidade de se adaptar às necessidades de diferentes gerações.

Se, no início do século XX, o desafio era gerar energia para sustentar a industrialização paulista, no século XXI a perspectiva é contribuir para um sistema elétrico mais flexível, seguro e preparado para a expansão das fontes renováveis.

A mesma Serra do Mar que, há 100 anos, representou um desafio de engenharia, agora, deve voltar a ser parte da solução para as demandas energéticas das próximas décadas.

A história completa da Usina Henry Borden está disponível no site.

    Os assuntos mais relevantes diretamente no seu e-mail

    Increva-se na nossa newsletter e receba nossos conteúdos semanalemnte

    Aceito receber a newsletter por email