A transição energética avança

Márcio Takata, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk (*) – 23.09.2019 – 

O setor energético mundial passa por importantes transformações, com o advento de novas tecnologias e crescente preocupação com o aquecimento global. A transição energética é um amplo movimento internacional que tem repensado a forma de gerar e consumir energia e eletricidade, com profundas mudanças no setor elétrico e implicações políticas, econômicas e sociais para a humanidade.

As redes elétricas inteligentes (Smart Grids)  já em teste em diferentes regiões do Brasil, permitirão uma gestão mais eficiente da distribuição e do consumo de energia elétrica. A crescente digitalização das redes permitirá a intensiva aplicação do conceito de “resposta à demanda”, no qual os consumidores poderão interagir com a rede, de forma a ajustar o seu consumo às condições do sistema elétrico, reduzindo o consumo em momentos de alta demanda nacional.

O armazenamento de energia elétrica terá novo papel neste cenário, contribuindo de maneira decisiva para uma matriz mais equilibrada e resiliente, com novos serviços e benefícios para geradores, distribuidores, transmissores e consumidores. Potencializado pela evolução dos veículos elétricos, os custos do armazenamento diminuirão de forma significativa nos próximos anos.

A descarbonização, termo amplamente utilizado no mundo, sinaliza o esforço global em buscar fontes de geração de energia elétrica mais limpas e sustentáveis, com menores emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Este movimento já traz importantes consequências tecnológicas e econômicas, com reduções nas emissões e nos impactos ao meio ambiente.

Embora a matriz elétrica brasileira seja predominantemente renovável, com forte base hidrelétrica, a ampliação da capacidade de geração se dará com importante contribuição da fonte eólica e, em especial, da fonte solar fotovoltaica. A Absolar tem trabalhado intensamente para catalisar este processo de transição energética, construindo uma visão de forte protagonismo para a geração de eletricidade a partir do sol, junto aos consumidores e em grandes projetos.

A descentralização representa outro importante movimento, com a geração de energia elétrica cada vez mais próxima, ou até mesmo junto, das unidades consumidoras. A GD, geração distribuída  a partir de fontes renováveis possui papel fundamental na ampliação das fontes renováveis mundo a fora, agregando inúmeros benefícios econômicos (redução de custos e aumento da competitividade), sociais (geração de empregos e aumento da renda), ambientais (redução de emissões e poluentes e economia de água), energéticos (redução de perdas e postergação de investimentos em geração, transmissão e distribuição) e estratégicos (diversificação da matriz elétrica nacional, aumento da segurança de suprimento, aumento da resiliência e redução de riscos) às sociedades.
No Brasil, dadas as condições favoráveis de mercado e o excelente recurso solar disponível em todas as regiões do País, a fonte solar fotovoltaica é responsável por mais de 99,6% de todos os sistemas na modalidade de GD.

Quais os desafios para a transição energética no Brasil?
A criação de um marco legal e regulatório que incentive o desenvolvimento da matriz elétrica nacional de forma a entregar mais valor agregado ao consumidor final. Para isso, é necessária a estruturação de regras claras, previsíveis e sólidas que proporcionem os sinais econômicos adequados para incentivar a incorporação destas novas tecnologias e a atração de investimentos privados ao País.

Onde estarão as oportunidades desta transição para o setor e o mercado?
A combinação da descarbonização, digitalização e descentralização (3D’s) tem incentivado a criação de novos modelos de negócio e um significativo reposicionamento dos empreendedores e de suas estratégias de crescimento.
A digitalização e o crescente empoderamento do consumidor requerem a criação de negócios competitivos na captação de clientes e na prestação de serviços a um custo cada vez mais acessível. Neste sentido, a tecnologia de informação, Big Data e outras tecnologias baseadas na Internet e inteligência artificial terão destaque.

*Márcio Takara é diretor da Greener e conselheiro da Absolar
*Rodrigo Sauaia é CEO da Absolar
*Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar

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