Abraget quer leiloes de energia por fonte

(*) Da Redação 09.04.2015

Xisto Vieira Filho, Presidente da Abraget

Xisto Vieira Filho, Presidente da Abraget

A Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget) acredita que a realização de leilões de energia precisa passar por mudanças no Brasil, levando em conta as especificidades de cada fonte, para garantir maior segurança energética à matriz nacional. O presidente da Abraget, Xisto Vieira Filho, conta que a associação já vem defendendo novos critérios para os certames há mais de 10 anos, sugerindo duas formas interessantes de avaliar as vantagens e as desvantagens de cada fonte, para estabelecer a melhor diversificação na geração. A primeira delas seria por meio de leilões separados por tipo de fonte, garantindo uma concorrência mais sensata, enquanto a segunda seria por meio da inclusão dos atributos de cada fonte no Índice de Custo Benefício (ICB), para o cálculo do preço a ser estabelecido. Xisto ressalta que apenas recentemente a EPE, responsável pelo planejamento energético do País, começou a agendar leilões separados por fonte e que essa é uma iniciativa muito importante para garantir um mercado mais competitivo e um sistema mais firme. Além disso, destaca a relevância que as usinas térmicas estão ganhando na matriz brasileira, lembrando que a nuclear é uma fonte importante a ser considerada.

Quais mudanças a Abraget considera importantes para os leilões de energia?

A Abraget sempre defendeu que houvesse leilões por tipo de fonte, ao invés de um leilão comum para todas as fontes. Porque, quando você faz um leilão comum, compete somente por preço direto, incluindo fontes com atributos diferentes. A eólica, por exemplo, é extremamente importante, por ter um preço direto favorável e gerar menor impacto ambiental, mas tem um problema que é o fato de ser intermitente. Ou seja, ela não fornece segurança energética e elétrica ao sistema. Quanto mais inércia tiver no sistema, mais estabilidade, então, quando se trata de uma hidrelétrica ou de uma térmica, a segurança elétrica é maior, porque existe uma resistência maior para segurar problemas como curtos-circuitos, raios etc. Quando você começa a proliferar usinas sem inércia, como solar e eólica, você torna o sistema mais vulnerável eletricamente e energeticamente.

Qual a sugestão da Abraget para a questão?

Existem duas alternativas. Uma delas é incluir os atributos de cada fonte no Índice de Custo Benefício (ICB), a partir de um estudo indicando a contribuição de cada fonte. A outra é fazer leilões por tipo de fonte. Agora estão começando a ir por este caminho, mas nós defendemos isso há dez anos.

A Abraget tem conversado com a EPE sobre essas mudanças?

Sistematicamente.

E como tem se dado essa troca?

Tem sido difícil a gente mudar a filosofia dos leilões, mas agora está começando aos poucos. Nada como a necessidade, não é? Antigamente, a energia térmica nem era reconhecida nos planos decenais, e agora já há um reconhecimento, embora em nossa opinião o montante ainda seja muito pequeno. Mas está havendo uma evolução por parte da EPE quanto ao reconhecimento da importância da geração térmica para a matriz.

Dentro das térmicas, quais as fontes mais interessantes para o Brasil?

Todas estão no mesmo patamar em termos de necessidade para o País. A biomassa, o gás natural, a madeira, o carvão e a nuclear. A nuclear é importantíssima também. O único problema dela é o tempo de maturação da usina, pelas discussões políticas, pelo tempo de licenciamento etc, mas ela é extremamente importante.

A Abraget também tem empresas de energia nuclear entre seus associados?

Claro, a Eletronuclear é nossa associada desde a fundação. Temos conversas com a Abdan sempre, por exemplo. Consideramos a geração nuclear fundamental.

Já desenvolveram algum estudo sobre a participação que consideram ideal de cada fonte na matriz brasileira?

Há uns seis ou sete anos fizemos um estudo exatamente neste sentido, com a consultoria da Tendências. Chegamos a uma composição ótima, por tipo de fonte, mas já está na hora de rever isso com novos parâmetros. Na época, era mais ou menos 65% de hidrelétrica e 35% de térmica, com pouquíssima coisa de eólica e solar.

Hoje, quanto acha que a térmica representaria se fosse feito um novo estudo?

Aumentaria bastante a participação térmica. Acho que está caminhando para uns 55% de hidrelétrica e 45% de térmicas, num prazo de seis a sete anos. Mas estou dizendo isso a partir da minha visão. Seria preciso fazer um novo estudo para detalhar bem. A hidrelétrica está em 73%, então é preciso rever esse estudo, que é econômico-financeiro. Ele precisa avaliar o custo das unidades geradoras, mais o custo do combustível e da confiabilidade, através do custo de déficit e da probabilidade de ocorrência de déficit. Então colocamos isso tudo num liquidificador e vemos a composição que gera o mínimo custo global.

Como vê o avanço do GNL na matriz?

Também é muito importante. O problema dele não é o preço, é a logística. Isso porque precisa de porto, de estação regaseificadora e de gasodutos.

Tem se falado no interesse do setor privado em investir em terminais de GNL no Brasil?

Sim, sim. Está havendo esse movimento. Já é atrativo e tem muita gente pensando nisso. Muitos agentes privados têm procurado a gente na Abraget pensando nisso. Nos próximos anos devemos ver novos players nesse mercado.

* Fonte: Petronotícias

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