Aditivos são aliados de produtividade e meio ambiente na construção civil

Shingiro Tokudome (*) – 14.01.2021 –

Os novos tempos pedem um novo olhar em relação aos recursos naturais. Isso porque a natureza já demonstra sinais de exaustão. E, evidentemente, a Construção Civil, também precisou se adaptar e evoluir. Já não é mais aceitável o uso irracional da água em obras e também de grandes volumes de resíduo sem reutilização. Para suprir essas lacunas e construir um futuro mais saudável e seguro, alguns setores já despontam como promissores, caso dos aditivos químicos.

Conhecidos como aditivos químicos para concreto, esses produtos têm como principal papel substituir parte da água na mistura do concreto, reduzindo em até 35% o uso desse recurso na composição, quando comparados a um concreto sem aditivo. Possuem também a responsabilidade de contribuir para o uso racional do produto cimento, manutenção da trabalhabilidade, e ainda proporcionar melhores desempenhos técnicos de durabilidade e resistências mecânicas no produto final. Outro papel importante dos aditivos é o aproveitamento de sobras de concreto e ou rejeitados de obras por meio de tecnologia que permite inibir a hidratação do cimento e a utilização deste material em até 72 horas evitando, assim, seu descarte.

Outro grande destaque que o setor de aditivos químicos agrega é o da melhoria da produtividade nas obras. Sua tecnologia torna possível o uso do concreto de alta trabalhabilidade como o auto-adensável, que aumenta significativamente a produtividade na etapa de lançamento do concreto na fôrma, além da qualidade das peças concretadas – que diminuem o retrabalho de acabamento, muito utilizados nas construções com o conceito “paredes de concreto” e empresas de pré fabricados. A utilização do concreto auto-adensável também promove o consumo de agregados finos como o filler, proveniente da produção de agregados britados, resolvendo um problema ambiental. Outros estudos estão em andamento pelas universidades para inserir materiais de demolição e outros rejeitos, garantindo os desempenhos de resistência mecânica e durabilidade, que só são possíveis com a utilização da tecnologia de aditivos sofisticados.

Tudo isso é possível e acontece, porém é importante entender que o tão sonhado projeto 100% sustentável deve ser concebido desde o início, incluindo todos os requisitos de sustentabilidade descritos num planejamento prévio.

Mas muito mais deve ser feito no setor da construção civil para que a natureza seja respeitada. Um ponto importante é a compreensão de que muitos dos materiais necessários na construção civil não são renováveis, além de demandarem algum tipo de energia na produção, e que todos os envolvidos da cadeia precisam trabalhar nas lacunas que precisam ser melhoradas.

Isso leva tempo, é uma mudança cultural, pois são necessárias leis apropriadas, soluções técnicas, fiscalização e disseminação do conhecimento. Entretanto, a possibilidade e os recursos já se colocam à disposição. Com vontade e dedicação de toda a cadeia produtiva, essa realidade mais sustentável pode – e deve – realmente acontecer.

* Shingiro Tokudome é coordenador da Câmara de Aditivos do Instituto Brasileiro de Impermeabilização – IBI Brasil.

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