Andrade Gutierrez executa expansão da Estrada de Ferro Carajás

Da Redação – 09.10.2015 –

Com 100 km de extensão, ramal deve ter sua superestrutura iniciada no ano que vem. Previsão da construtora é finalizar a terraplanagem pronta até novembro.

A construtora Andrade Gutierrez foi escolhida pela Vale, uma das três maiores mineradoras globais, para implantar os 100 km do ramal que liga o projeto S11D, de exploração de minério de ferro, à planta de processamento do minério. O S11D é um dos grandes empreendimentos minerais em ativação no mundo e permite que a empresa brasileira avance em seus projetos de aumento de capacidade. Com a ampliação, o ramal interliga a mina à usina de processamento, localizada em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. Quando ficar pronto, a obra permitirá que a Vale escoe o minério processado até o porto de Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão e, de lá, para a exportação.

Segundo o gerente do contrato do ramal, Eugênio Barreto, uma das maiores dificuldades enfrentadas no projeto é o clima: a região amazônica tem um período de chuvas bem definido, de abril a novembro, e outro de seca, no restante do ano. É durante esta “janela” de verão que os trabalhos devem ser acelerados, para entrarem num ritmo mais lento durante as chuvas. “Nossa meta é concluir todas as obras de terraplanagem até novembro, para no ano que vem nos concentrarmos exclusivamente na montagem da superestrutura”, explica.

Barreto destaca que 58% da obra já foram concluídos. Em abril último, a Andrade Gutierrez entrou na segunda fase de mobilização, aproveitando o verão. Nessa etapa foram contratados cerca de 2 mil colaboradores, entre eles um grupo de mulheres, que atua, principalmente na função de sinaleiras. A construtora também iniciou programas de capacitação, formando um contingente de trabalhadores que poderá ser realocado em projetos futuros.

Por ser construída em uma região crítica, a obra envolve cuidados extras com segurança e proteção ambiental. O gerente dessa área, Leônidas Araújo Fernandes, avalia que a projeto avança nessa área, inclusive com o recorde de 18 milhões homens/hora sem acidente com afastamento. Ambientalmente, a obra é uma referência. “Trata-se de uma obra linear e itinerante, com 100 quilômetros de extensão que passa por diversas comunidades”, diz.

Entre as obras de arte do ramal estão quatro túneis, quatro pontes e sete viadutos, que estão sendo construídos de acordo com todos os requisitos da Vale. Um deles diz respeito à faixa de domínio, a área que deve ser desbastada ao longo da ferrovia para questões de manutenção. A mineradora exigiu que ela fosse a mais estreita possível. Outra iniciativa inclui pontes e pilares que permitem que os animais trafeguem livremente, sem correr o risco de ter que atravessar a ferrovia. “Não queremos, de modo algum, gerar passivos ambientais”, explica Fernandes.

Na construção dos túneis, foram desenvolvidos circuitos fechados de água, que resultaram em 80% de economia do recurso e evitando a captação dos mananciais existentes. Ainda em relação aos recursos hídricos, a obra inova ao usar um polímero na umectação do solo. O aditivo elimina a necessidade de molhar as estradas de terra usando carro pipa, processo comum na região. “A durabilidade do polímero é maior e a economia de água também, assim como há redução no tráfego de caminhões”, finaliza Leônidas.

Já o recurso de “pedraplanagem” foi utilizado durante o período de chuvas, quando a terraplanagem torna-se inviável. Por meio da técnica, os rejeitos de concreto são utilizados na própria obra, em vez de serem transportados para um centro da Vale. A ação é sustentável, ao reduzir a emissão de gases com transporte e garantir o reaproveitamento dos resíduos.

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