CAF tem 31 projetos de financiamento em andamento com cidades brasileiras

Redação – 23.07.2021 – Entidade é menos conhecida do que o BID ou Banco Mundial, mas balanço de 2020 mostra forte parceria com país na área de infraestrutura

Mais discreto que seus similares BID e Banco Mundial, o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina – não tem sido menos atuante. Em um balanço, divulgado na semana passada, a entidade, mostra sua atuação com o governo federal, estadual e com várias cidades. Nesse último caso, por exemplo, há 31 projetos de operações em andamento em áreas que vão desde atuações pontuais em mobilidade e saneamento até programas integrais de recuperação urbana.

O CAF vem sendo, inclusive, chamado de “banco das cidades”, mas a atuação é mais ampla. No ano passado, o Brasil alcançou o maior volume de desembolsos do banco e também registrou o mais elevado número de projetos considerados “verdes” (aqueles que apresentam ações de mitigação e/ou adaptação às mudanças do clima bem como aquelas que dão valor ao capital natural).

Assim, o período foi marcado, inicialmente, pela concentração de esforços para apoiar o país na condução das medidas de combate à pandemia de Covid-19, principalmente na busca pela reativação econômica, seja, através, de operações com, sem garantia soberana ou cooperações técnicas. Em 2020, foi aprovado financiamento de US$ 350 milhões ao Ministério da Economia, para a cobertura de custos com auxílios emergenciais, e linha de crédito de US$ 100 milhões para o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), destinados a empreendedores do estado em situação de vulnerabilidade pela crise sanitária.

Ainda no âmbito do apoio ao combate à Covid-19, foi concedido ao Brasil um pacote de recursos referentes à cooperações técnicas de ajuda humanitária de US$ 400 mil, destinado as cidades de Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e São Bernardo do Campo comprarem equipamentos para o combate ao Coronavírus e US$ 50 mil para a organização não-governamental Expedicionários da Saúde, para a aquisição de concentradores de oxigênio, para populações indígenas vulneráveis da Amazônia.

Além do suporte direto ao governo federal, o CAF deu continuidade às tradicionais operações com estados e municípios, tendo desembolsado, no período, US$ 299 milhões. Foram também assinados cinco contratos de empréstimos, no total de US$ 382 milhões, com o estado de Alagoas e as cidades de São Bernardo do Campo, Mogi das Cruzes e Guarulhos.

Junto aos estados, a estratégia do CAF é financiar, principalmente, operações de melhoria e construção de vias de transporte intermunicipal e estadual, incluindo ações de segurança viária, corredores logísticos de integração, mobilidade urbana em zonas metropolitanas e em sistemas de gestão de resíduos sólidos.

Nas operações sem a garantia soberana da União, se destaca a consolidação do apoio aos bancos e agências de desenvolvimento públicos. Até o início de 2020, somente o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) era cliente do CAF. Desde então, o banco passou a atender outras três instituições de fomento local, somando US$ 340 milhões em linhas de crédito destinadas, principalmente, para financiar as pequenas e médias empresas. São eles o BNB (Banco do Nordeste), Desenvolve SP, BRDE (Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul).

Também, em 2020, no âmbito de apoio as instituições de fomento, foi desenvolvido o serviço de gestão de dívida, onde o CAF, através de sua plataforma financeira, contrata instrumentos de cobertura cambial e de taxa de juros paras seus clientes.

Este serviço ajudou a catalisar os repasses de recursos em 2020, com a primeira operação com desembolso em reais, para a Desenvolve SP, seguida de outra para o BRDE. Completando a atuação neste segmento, segue o relacionamento com bancos privados como Santander, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco por meio de linhas de crédito.  O total de desembolsos para o segmento não soberano alcançou a marca de US$ 1,44 bilhão.

Finalmente, o Brasil recebeu, em 2020, o maior volume de recursos em cooperações técnicas desde que ingressou como sócio do CAF, em 2007, num total de US$ 5 milhões, sendo que US$ 3 milhões foram para a realização de um estudo detalhado sobre um novo modelo de concessão de ferrovias da Malha Oeste.

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