Big Data da construção mostra universo paralelo no mercado residencial 

Nelson Valêncio – 11.11.2019 –

De acordo com Prospecta Obras, 600 mil empreendimentos estão sendo tocados atualmente, esmagadora maioria deles de casas em condomínios de alto padrão e pequenos comércios

A retomada da construção civil apontada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) começou antes do mercado como um todo. É essa a avaliação de Wanderson Leite, criador do Prospecta Obras, plataforma que coleta dados sobre o mercado de construção residencial de alto padrão e de pequenos comércios, com área média de 500 m2. A Prospecta opera desde 2013 e tem cadastradas atualmente cerca de 600 mil obras, das quais 92% pertencem às categorias citadas. Os outros 8% são de empreendimentos de infraestrutura de interesse dos clientes comuns da Prospecta, que vão desde grandes redes de varejo às lojas independentes. Em comum, eles têm a necessidade de identificar onde e em que estágio estão as obras de condomínios A e A+ e de pequenos comércios.

Para Wanderson, existe uma razão forte para o interesse: o cenário mudou muito com o acesso à informação. Hoje, o proprietário, ao lado do arquiteto, tornou-se o principal responsável pelas compras de projetos residenciais de alto padrão. E mais do que isso: ele não quer ir mais de loja em loja com a planta da casa. “É um público que prefere pesquisar pela internet, pedir vários orçamentos, conhecendo os materiais a partir do site. Daí a necessidade de ter muita orientação sobre usos de produtos”, diz ele. A partir da explicação do fundador da Prospecta Obras fica fácil entender como a plataforma ganhou espaço, mas a pergunta é como a empresa, baseada em São José dos Campos, consegue juntar tanta informação.

BIM deve ser acrescentado aos recursos de monitoramento das obras 

Wanderson lembra que as pesquisas há seis anos começaram de forma manual, com fontes oficiais como, por exemplo, os departamentos de fiscalização das prefeituras. A partir de documentos públicos, a empresa rastreava os projetos nascentes – sempre de alto padrão ou pequenos comércios – e identificava o arquiteto ou engenheiro responsável. Com o sucesso da empreitada, a Prospecta criou um departamento próprio de tecnologia da informação e se especializou na coleta de dados sobre o mercado em que atua, desenvolvendo uma espécie de Big Data sobre projetos de residências de nível A e A+ e construções comerciais, algumas delas com área construída acima da média de 500 m2.

“Somos capazes de dizer que Florianópolis, por exemplo, tem 6 mil obras dentro das características médias que trabalhamos e é um dos mercados aquecidos do país, ao lado de outras cidades do Sul”, explica Wanderson. O executivo não têm números fechados, mas avalia que a plataforma teve um aumento médio de 30% em obras rastreadas no Brasil em 2019 em comparação com 2018. O cadastramento de obras em Santa Catarina, por exemplo, aumentou mais de 60%. Mesmo em capitais mais discretas como Macapá, o aumento foi interessante: 40%. O Nordeste também vem tendo um perfil positivo e, entre 2016 e nesse ano, o número de obras incluídas na plataforma aumentou em 70%. “A tendência agora é incorporar recursos como BIM na coleta de dados, acompanhando ainda mais o estágio das obras. Do lado dos fornecedores, o uso de realidade aumentada deve ser um caminho para facilitar a vida de quem faz o orçamento”, finaliza.

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