BNDES compartilhará garantias com bancos no crédito à infraestrutura

Da Redação – 30/06/2017 –

Medida valerá apenas na etapa de construção dos projetos e já será adotada no financiamento aos consórcios vencedores dos leilões de concessão de aeroportos e de rodovias paulistas

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou, nesta terça-feira (27), um acordo com os principais bancos privados e públicos do país para compartilhamento de garantias no financiamento a projetos de infraestrutura. A medida foi anunciada como uma forma de viabilizar o funding desses empreendimentos na sua etapa de implantação, uma vez que o BNDES não concede mais empréstimos-pontes a novos projetos de infraestrutura desde 2016.

As novas regras valem apenas para a etapa de construção do empreendimento, quando o fluxo de investimentos é mais elevado para os tomadores de empréstimo e os riscos são maiores para as instituições financeiras. Elas se estenderão aos bancos que aceitarem aportar fianças bancárias equivalentes a no mínimo 40% do financiamento. Os outros 60% da garantia, como recebíveis do projeto, serão aportados pelo BNDES.

Atualmente, as empresas devem apresentar as fianças bancárias de acordo com os desembolsos pendentes, o que gera, de acordo com o BNDES, assimetria de informações, de condições e prazos no mesmo projeto. As fianças cobrem apenas os dois primeiros anos de um projeto e, para a instituição, o ideal seria a cobertura se estender entre quatro e cinco anos, até que os projetos adquirissem viabilidade operacional.

“O compartilhamento de garantias proporcionará melhor alocação de riscos no crédito à30 infraestrutura, aumentando a previsibilidade para os fiadores e com potencial de reduzir os custos da operação financeira”, avalia Cláudio Coutinho, diretor das áreas de Crédito, Financeira e Internacional do BNDES. O novo modelo já será aplicado nos financiamentos concedidos aos consórcios que venceram os leilões de concessão de rodovias paulistas e de aeroportos (Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis), realizados este ano.

Para Luciene Machado, superintendente da área de Saneamento e Transportes do BNDES, o fundamental é que o conjunto de fiadores de um projeto seja conhecido na largada e todos os envolvidos estejam alinhados e comprometidos com a mesma visão de longo prazo. “Para isso, será fundamental que os bancos que fornecem as fianças estejam familiarizados com os riscos dos projetos de infraestrutura”, diz ela.

Investidores do setor reclamam com frequência das dificuldades e do elevado custo financeiro em operações desse tipo. A expectativa do BNDES é de que as mudanças de regras atraiam novos players, como grandes instituições financeiras do exterior. Vale ressaltar que, mesmo com as restrições a novos empréstimos, o BNDES ainda figura como maior financiador em projetos de infraestrutura no país, com cerca de 988 bilhões de reais desembolsados em valores constantes nos últimos dez anos.

 

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