Brasil pode ser favorecido na disputa do domínio do 5G entre Estados Unidos e China

Redação – 15.04.2019 –

Avaliação é de palestrante da Abranet em congresso da associação na semana passada

Para Demétrio Magnoli, comentarista de política e assuntos internacionais da Globonews, o Brasil pode ser favorecido na disputa entre Estados Unidos e China pelo cenário de quinta geração (5G). Pode, segundo ele, se souber se alinhar acertadamente ao longo do processo. De acordo com Magnoli, o domínio da tecnologia 5G será um dos pontos nevrálgicos da relação comercial entre Estados Unidos e China na próxima década.

O especialista avalia que os norte-americanos têm a hegemonia financeira e condições de impor sansões secundárias, enquanto a China usará como moeda de troca a promessa de investir em infraestrutura nos países que adotarem a tecnologia de suas companhias. “O fato é que a China está na frente deste jogo, e o Brasil terá que acompanhar sua evolução para decidir qual lado será mais vantajoso para se alinhar”, afirmou durante a 3ª Convenção Abranet, da Associação Brasileira de Internet (Abranet).

Na opinião de Magnoli, o pano de fundo dessa briga é a 4ª revolução industrial que dependerá da adoção da Internet of Things (IoT) viabilizada em larga escala pelo 5G. “A China é considerada um first mover: já prevê a criação de uma rede doméstica 5G em 2020, e tem essa tecnologia inserida no Plano de Internet+ e no 13° Plano Quinquenal, que norteia sua economia”, disse.

Política externa brasileira atual pode prejudicar país na área de 5G

Neste jogo, acredita ele, vários países vão se alinhar em blocos contra a tecnologia made in China. Além daqueles que tendem a adotar restrições legais radicais, como França, Itália, Israel e Austrália, outros devem adotar restrições legais diversificadas: EUA, Rússia, Japão e Reino Unido. Haverá ainda aqueles que poderão impor restrições, mas não legislativas, como Alemanha, Noruega e Canadá. “Por enquanto, a América Latina e a África estão apenas assistindo, e, no caso do Brasil, chegará o momento em que será preciso decidir com quem se alinhar”, disse.

Ele lembrou que a China é um grande parceiro comercial do Brasil, sendo responsável por 33% das importações dos nossos produtos “O governo atual tende a colocar o Brasil no campo dos Estados Unidos, mas, nenhum governo é perene, nem aqui nem nos Estados Unidos”, ponderou. “Lá, o presidente Donald Trump só se reelegerá se conseguir fechar seu governo com a economia em alta e, ao mesmo tempo, manter o discurso nacionalista e protecionista que o ajudou a eleger”, acrescentou.

Segundo Magnoli, o 5G é uma tecnologia importante não só por causa da 4ª revolução industrial, mas também porque está ligado à questão de segurança nacional. Desde 2012, a China passou a ser uma potência insatisfeita com sua posição na ordem econômica determinada pelos Estado Unidos. “O país começou a tentar mudar sua influência geopolítica, apostou em uma nova rota da seda e passou a investir mais em armamento”, disse Magnoli.

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