Brasil tem déficit de 850 km em linhas de metrôs e trens metropolitanos

Da Redação – 16.12.2016 –

Estudo aponta que a malha metroviária em todo o país é menor que a de cidades como Londres e Tóquio e está mal concentrada entre as regiões metropolitanas.

Um estudo divulgado pela Confederação Nacional de Transporte (CNT), na última segunda-feira (12), aponta que o Brasil conta atualmente com 309,5 km de linhas de metrôs em operação, uma extensão inferior à de cidades como Londres (402 km) ou Tóquio (310 km). Quando se considera o sistema de transporte sobre trilhos como um todo, incluindo os trens de passageiros, a malha chega a 1.062 km em 13 regiões metropolitanas do país que concentram mais de 20 milhões de habitantes.

Ainda é muito pouco, segundo o levantamento da CNT, que aponta um déficit de 850 km em linhas metroferroviárias em todo o país. Para suprir essa demanda, o sistema precisaria ser ampliado em pelo menos 80%, com investimentos de cerca de R$ 167,13 bilhões em infraestrutura. “O Brasil precisa entender que não há solução de mobilidade para os grandes centros urbanos que não passe por um transporte estruturador, sobre trilhos, que tem alta capacidade e pode ser alimentado por sistemas menores, de forma a estender a capilaridade nas grandes metrópoles”, diz, Roberta Marchesi, superintendente da ANPTrilhos (Associação Nacional do Transportadores de Passageiros sobre Trilhos).

Além de pouco extensa, a malha metroferroviária do país é mal distribuída, já que as áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro detêm 60% dos sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos. O estudo da CNT aponta ainda que ela praticamente não cresceu entre 2010 e 2015, quando comparada com o crescimento populacional. Nesse período, a população nas grandes cidades aumentou 6,2%, enquanto o sistema metroferroviário expandiu 6,7% e a frota de transporte individual (automóveis), 24,5%.

Outra constatação do levantamento é que, em 2015, o governo gastou 26,2% do total de recursos autorizados para os estados que possuem sistema metroviário. “Todo ano verificamos que o governo deixa de executar algo em torno de 30% do orçamento e isto nos traça um cenário terrível, no qual, além de termos recursos insuficientes, o valor disponível não é aplicado na íntegra”, afirma Bruno Batista, diretor-executivo da CNT.

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