Cinquentão High Tech

Rodrigo Conceição Santos – 15.01.2019 – 

Engemix reforça posicionamento tecnológico com monitoramento na logística de concretagem após completar cinquenta anos.

A Engemix comemorou cinquentenário em 2018 sinalizando que vai reforçar o viés tecnológico. O expoente é a implantação de novos sistemas de monitoramento, algo que a empresa já tentou fazer no início da década passada quando esbarrou no desenvolvimento próprio de softwares e ferramentas de TI. Agora, a experiência adquirida nas plantas norte-americanas – onde a concreteira tem mais de mil autobetoneiras circulando com sistemas complexos de monitoramento – balizam os novos projetos locais, desenvolvidos com parceiros como Command Alkon e Tivit. As soluções permitem mapear a logística desde a dosagem na central até o bombeamento no canteiro de obras, prometendo ser o diferencial competitivo da empresa quando o mercado de concreto voltar a crescer.

Ricardo Soares, gerente geral de concreto da Engemix, valida que a concretagem high tech deve suportar o crescimento do mercado nos próximos anos. Ele pondera que não há indicativos de crescimento expressivo para 2019, pois para que o houvesse os lançamentos imobiliários – maiores consumidores da mistura – deveriam ter ocorrido no início de 2018, o que não aconteceu. “São necessários pelo menos oito meses de estande de vendas desde que o empreendimento é lançado até o início efetivo das obras, quando começam as demandas por concreto”, explica.

No cenário otimista, com empreendimentos surgindo entre o final de 2018 e o primeiro trimestre de 2019, o mercado de concretagem sentirá os efeitos positivos em 2020. “Mas o alento é que paramos de cair e há grandes possibilidades de que o mercado realmente apresente crescimento de 2020 em diante”, diz.

Conjuntura
Os números do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) avalizam a visão do executivo. Na contabilidade dos 12 meses anteriores a esta reportagem (novembro de 2017 a novembro de 2018), houve o consumo aparente de 52,7 milhões de toneladas de cimento. Pouco mais de 20% disso vai para as centrais de concreto, ficando o maior volume ainda no cimento ensacado.

Para efeito de comparação, o volume produzido em 2016 foi superior a 53 milhões de toneladas e, em 2014, quando a indústria alcançou o pico histórico, foram mais de 71,7 milhões de toneladas consumidas.

Com uma frota de 550 autobetoneiras e 120 bombas, que atendem 40 centrais de concreto da Engemix no país, a empresa também voltou a comprar autobetoneiras, algo que não ocorria desde o início da crise financeira em 2015.

Segundo Soares, a redução da frota ociosa, que obviamente não gerava demanda para a compra de novas unidades, é um indicativo positivo para a empresa, que pretende ver o movimento de aquisição se repetindo com as bombas e centrais de concreto, assim como com outros equipamentos pesados no futuro próximo. “Grande parte das nossas bombas são estacionárias, mas também temos algumas bombas-lança, para necessidades específicas”, diz ele.

A frota própria de bombas é uma peculiaridade do mercado brasileiro, onde segundo ele, o consumidor prefere contratar todo o serviço em uma só empresa. “Nos EUA, nossas operações não contam com bombas de concreto, pois o consumidor entende que é preciso locar esse serviço de outra empresa”, diz ele.

No Brasil também há empresas de bombeamento, com frota própria e especializada. Essas, porém, têm grande parte dos seus negócios atrelados às concreteiras, que locam e as relocam ao cliente final. “O bombeamento de concreto é algo extremamente especializado. A Engemix tem muito cuidado com isso hoje, pois um erro no processo pode prejudicar toda a obra e ainda oferecer riscos aos colaboradores”, diz Soares. “No que tange a locação, deixamos a cargo do cliente usar as nossas bombas ou locar de uma das três principais empresas de locação do país, que são nossas parceiras”, salienta.

Concretagem High Tech
No início dos anos 2000 a Engemix identificou a necessidade de melhorar a logística dos processos de concretagem e desenvolveu software próprio para gerenciar o monitoramento por GPS e rede de celular (GPRS, naquela época). Esbarrou nos desenvolvimentos de TI e descontinuou o projeto. No final de 2015 o retomou com o apoio de parceiros internacionais, como Command Alkon e Tivit.

“Fomos às nossas operações norte-americanas, onde temos mais de mil autobetoneiras circulando, e começamos a avaliar os KPIs bastante produtivos de lá”, diz Soares. Grande parte da imersão ocorreu em Chicago, onde 400 autobetoneiras são monitoradas. “Entendemos o processo logístico e trouxemos para cá, com um sistema de gerenciamento empresarial (ERP) específico para concretagem e um módulo de logística que acopla informações de GPS”, explica ele.

A demanda era melhorar o processo manual, baseado em uma lista de pedidos pela qual os profissionais das centrais de concreto calculavam quantidade, horário de início e intervalo de despacho das autobetoneiras. “Ocorria que perdíamos qualquer controle desse intervalo, que é o tempo entre a partida do caminhão da central até a sua chegada e descarregamento na obra. Essa lacuna foi responsável por muitos casos de interrupção nas concretagens. Isso, inclusive, gerou uma imagem ruim do setor de concreto profissional perante os clientes”, diz.

Com a implantação da nova tecnologia, Soares diz ter total visibilidade das autobetoneiras durante o ciclo operacional. O sistema agora mostra a hora do carregamento, o tempo médio para chegar ao cliente e o tempo de descarregamento para a bomba de concreto. Com isso, criou-se um ciclo inteligente, que permite definir o horário de partida exato da primeira autobetoneira e os intervalos corretos para que a segunda e as seguintes cheguem antes que a anterior conclua o descarregamento. “E isso sem criar fila de autobetoneiras na obra, o que também é indesejável por questões de trânsito, perda de qualidade da mistura e perda de produção para a central”, explica.

A tecnologia integra todas as centrais de concreto da Engemix nas regiões metropolitanas, de modo que, dependendo da demanda, é possível que autobetoneiras oriundas de centrais diferentes atendam a mesma obra. “O sistema nos permite medir o fluxo de entrega cliente a cliente, de modo que fazemos o percentual de pontualidade de cada concretagem do dia, semana ou mês”, detalha o executivo.

As informações são disponibilizadas num aplicativo, que pode ser acessado por celular, tablet ou computador. Como o sistema também integra as centrais de concreto, a decisão por qual cliente precisa de qual betoneira mais próxima também é automática, ficando o operador da central apenas com a demanda de conferir as dosagens da balança.

O próximo passo, segundo Soares, é digitalizar o monitoramento sobre qualidade da mistura. Hoje há um programa da Engemix no qual uma equipe especializada percorre pelas centrais auditando os processos de produção. “É um programa de alerta pelo qual conseguimos indicativos de problemas gerados na obra por conta de concreto de baixa resistência. O histórico atual é de um caso a cada 10 mil, o que demonstra a confiabilidade”, conclui.

Histórico
A Engemix foi fundada em 1968 como parte do Grupo Rossi para atender uma demanda interna por produção de concreto em maior volume. Em 2002 foi incorporada à Votorantim Cimentos. Hoje, é posta como a marca de concreto do Grupo, com a mensagem de que “antes de ser Engemix, é Votorantim”, como reproduziu Ricardo Soares à esta reportagem. A afirmativa tem como pano de fundo a intenção de ancorar a Engemix no padrão de qualidade dos cimentos Votorantim, algo que a empresa enxerga ter conseguido emplacar nas obras brasileiras de vários portes, principalmente nos segmentos corporativos.

“Não há divisão do Grupo Votorantim Cimentos e da Engemix. A Engemix foi adquirida em 2002, mas hoje a nossa operação funciona por segmentos de clientes e queremos oferecer o portfólio inteiro a eles. Inclusive, outras concreteiras são nossas clientes e entendemos que o concreto usinado é complementar, e não concorrente do cimento ensacado ou a granel”, diz Ricardo Soares.

Construtoras homenageiam a Engemix
“A parceria entre Engemix e a Tecnum existe há quase 30 anos. Muitos desafios foram vencidos juntos, entre eles o bombeamento de concreto a mais de 150 metros de altura, concretos de altíssima resistência (acima de 100MPa), concretagens de grandes volumes com concreto resfriado. Sem dúvida, a execução do e-Tower foi o maior, pois as resistências atingidas foram tão elevadas que conquistaram o recorde mundial de resistência de concreto colorido. Ser parceiro da Engemix traz grande tranquilidade para nós, quer pela tecnologia dos seus produtos e qualidade dos serviços, quer pela solidez ao pertencer ao Grupo Votorarantim. Parabéns à Engemix pelos seus 50 anos produzindo qualidade e tecnologia. Um orgulho para a engenharia do nosso país.” – Jorge Batlouni Neto, superintendente da Tecnum Construtora.

“Por ter vivenciado parte da história da Engemix como parceiros na execução de megaprojetos, gostaria de parabenizá-la pelos 50 anos de bons serviços prestados à engenharia brasileira. Além do concreto de alta tecnologia, seus excelentes profissionais sempre oferecem amplo suporte, opções e tecnologia de ponta. O atendimento é completo, desde a equipe comercial até a logística de abastecimento dos grandes volumes contratados, executados por equipamentos de bombeamento e distribuição de concreto que sempre permitiram atender os desafios de cada projeto com soluções entregues sob medida.” Pedro Keleti, Gerente de Engenharia da Birmann

“É com grande satisfação que a Construtora Elias Victor Nigri compartilha dos 50 anos da Engemix, empresa parceira e presente em todas as nossas obras há 42 anos. São mais de 70 empreendimentos entregues sempre com a qualidade, pontualidade e competência que fizeram dessa empresa a referência de mercado no segmento.” Carlos Nigri, Diretor de Engenharia da Construtora Elias Victor Nigri.

“A missão da Exto é desenvolver, produzir e comercializar empreendimentos residenciais e comerciais com alto padrão de qualidade e que as pessoas tenham orgulho de possuir. Por isso, buscamos sair da zona de conforto para transformar a vida dos nossos clientes, dos bairros e das cidades. Como parceiro, a Engemix tem nos ajudado a acompanhar essas mudanças e inovando sempre. Parabéns à Engemix pelos seus 50 anos! Que a força do trabalho coletivo nos permita sempre evoluir nos projetos oferecendo soluções com plantas inteligentes, alto padrão de qualidade e tecnologia.” Mauro Dias Ferreira, Diretor de Obras e Engenharia da Exto Incorporação e Construção.

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