Concrejato amplia atuação em infraestrutura e se prepara para o ranking das 50 maiores

Rodrigo Conceição Santos – 14.05.2019 –

Construtora planeja faturar cerca de R$ 250 milhões neste ano, o que a colocaria entre as maiores empresas do ramo no país.

Estação da Linha 15 (Prata) do Metro, construída pela Concrejato

Desde que foi separada da Concremat – vendida ao grupo chinês CCCC em 2017 – a Concrejato tem uma operação “solo” com escritório central em São Paulo e obras no Sul e Sudeste. A empresa tem histórico na recuperação de estruturas como pontes, viadutos e outros tipos de obras de arte especiais, assim como na recuperação de patrimônios históricos. Nesse caso, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, é exemplo atual. Obras industriais também estão no rol da companhia, assim como a manutenção e instalação de redes de gás . A novidade fica por conta de obras pesadas, consideradas pelo InfraROI como de infraestrutura básica, algo que a empresa acredita ter consolidado ao vencer concorrência para contrato de R$ 76 milhões com a Companhia de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM).

Essa é a primeira obra ferroviária completa da construtora. Antes, tinha construído quatro estações de metrô para a linha 15 (Prata) em São Paulo. “Mas foram só as estações. Agora, na CPTM, temos a construção das estações, de 2,5 km de trilhos, rede aérea de energia, etc.”, compara Rommel Curzio, presidente executivo da empresa.

Para ele, essa obra credencia a Concrejato a projetos de grande porte, principalmente os relacionados à mobilidade urbana. Isso, junto às outras áreas de negócios da companhia, deve elevar o patamar de faturamento para a casa dos R$ 250 milhões anuais. “Buscamos estar entre as 40 maiores construtoras do Brasil e entre as 10 mais rentáveis”, diz Curzio. Se alcançar o objetivo, a Concrejato vai faturar cerca de 60% mais do que em 2018, quando fechou com R$ 155 milhões.

Rota 2022 com Infratech e negócios bem divididos
A obra da CPTM está prevista para ser finalizada em 18 meses e há mais um período de operação assistida previsto em contrato. Entender esse prazo é importante para fechar a conta de que as obras de mobilidade urbana devem representar cerca de 25% do faturamento previsto para 2019. “O restante está igualmente dividido, com cerca de 25% de representação para (1) manutenção e instalação de redes de gás, (2) construções industriais e comerciais e (3) recuperação e restauração de obras de arte de infraestrutura e edifícios de patrimônio histórico.

Entre todas as áreas de negócio, a Concrejato tem mais de 20 obras em execução atualmente e nelas estão distribuídos cerca de 2,1 mil funcionários. “Só para pontuar, tínhamos 1,4 mil em 2017, quando iniciamos a operação independente”, diz o executivo.

Segundo ele, há um processo de qualificação contínuo entre esses colaboradores, inclusive para adequá-los aos avanços tecnológicos implantados nos últimos tempos. “Compramos dez novos sistemas de softwares, para gestão eficiente de administração, compliance, produtividade, finanças, etc.”, diz Curzio.

Um dos destaques é o sistema de acompanhamento de obras por smartphone. Os encarregados das obras usam o aparelho móvel nas frentes de serviço para relatar, inclusive com fotos, o avanço diário. As informações são enviadas para o programa de gestão, que cria os relatórios estratégicos de acompanhamento de acordo com padrões pré-estabelecidos pelos gestores dos contratos de construção.

Como a maioria das construtoras de médio porte, a Concrejato mantém um parque mínimo de equipamentos e prioriza a locação. Segundo Rommel Curzio, 90% dos equipamentos pesados são locados hoje em dia e essa regra deve continuar prevalecendo nos próximos tempos. “Hoje, o mercado de locação é ofertante. Desde a crise, há um parque obsoleto que estimulou a queda dos preços de locação e isso confirma que não faz o menor sentido manter ativos no pátio”, explica.

A prática com locação de equipamentos é replicada em outras áreas da construtora, incluindo a seleção e qualificação de mão de obra. “Mantemos parcerias estratégicas com empresas e institutos de capacitação como o Sesi. Há uma disponibilidade grande de mão de obra no mercado, mas nem sempre qualificada, pois entendo que mesmo no boom vivido até 2014 não houve tempo e planejamento para qualificar a quantidade de profissionais necessária para o país. Isso é refletido até agora”, diz.

Com um plano arrojado, de faturar R$ 400 milhões em 2022, Curzio avalia essencial manter esse quadro de profissionais preparados, assim como a operação enxuta comentada, além de um plano financeiro “pé-no-chão”. “Diferente do que vimos na última década, hoje não é mais possível pensar em alavancagem para crescer. Primeiro porque o crédito foi limitado, pois a construção civil foi bastante desmoralizada nos últimos anos e isso afetou a oferta dos credores. E depois porque vimos que o resultado disso pode não ser bom, como tem acontecido com muitas empresas do ramo”, diz. “Aqui, portanto, mantemos a política de endividamento zero e é assim que queremos chegar à Rota 22 (nome interno da construtora para o plano estabelecido para daqui há 3 anos”, conclui.

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