Crescimento na construção civil depende de mais produtividade e recurso à tecnologia, aponta estudo

Redação – 16.09.2021 – McKinsey Global Institute divulga pesquisa que mostra que gargalos no setor podem ser solucionados com aumento na adesão a transformação digital, melhoria nos processos de engenharia e a perda do medo em investimentos

A construção civil é a maior indústria do mundo. Mas apesar de sua participação na economia global, o desempenho produtivo não é bem avaliado. O setor representa 13% do PIB global, mas viu um crescimento de produtividade de 1% ao ano nas últimas duas décadas. Os dados são de uma pesquisa realizada pela McKinsey Global Institute e publicada em junho de 2020.

O setor, que iniciou 2021 com expectativa de crescimento de 4% ao ano, viu este percentual cair para 2,5% em março, após os contínuos aumentos nos custos dos materiais, no dólar e na inflação. Agora, com o avanço da campanha vacinal e o vislumbre de uma melhoria no cenário, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) já sinaliza que a projeção inicial foi retomada, o que simboliza o maior crescimento desde 2013.

Um estudo da McKinsey, avaliou 100 grandes projetos brasileiros para apontar empecilhos para o crescimento da construção civil a níveis parecidos com os de países mais desenvolvidos. Na pesquisa, 80% dos empreendimentos analisados apresentaram aumentos de custo e atraso de quase 20 meses no cronograma de entrega da obra.

Jean Ferrari, CEO e fundador da FastBuilt, construtech especializada em soluções de automação para a construção civil, considera que o mercado da construção civil é permeado por práticas que remetem a processos mais tradicionais e portanto não atraem tantas inovações tecnológicas, mas esse pensamento já começou a ficar no passado. “Um leigo, quando pensa na construção de um prédio, lembra da construção de uma casa, que ele viu seu pai ou avô fazendo, juntando tijolo por tijolo, fazendo a massa, pintando por conta própria no final. A construção de um grande empreendimento, como um prédio de 20 andares, por exemplo, clama pela tecnologia do século 21 para que os processos sejam facilitados, aprimorados, melhor acompanhados e geridos pela construtora”, diz.

A produtividade no setor brasileiro tem grande potencial para melhorar, desde que adotadas melhores práticas, novos conceitos e que seja investido em tecnologia. “Processos digitalizados estão otimizando o dia a dia de diversas atividades econômicas e colaborando com a melhor experiência de compra dos consumidores. E no setor da construção isso também vem acontecendo de forma cada vez mais efetiva. Porém é preciso perder o medo de investir em novas tecnologias para a construção civil”, diz o engenheiro e empresário

Atualmente existem facilidades sendo implementadas, como a gestão digital dos canteiros de obras, permitindo que o engenheiro ou responsável pelas obras foquem seus esforços em análises de informações estratégicas que possam trazer melhorias de produtividade, qualidade e redução de custos para a organização sem que ele perca o contato direto com sua equipe que está no canteiro de obras, pois as novas tecnologias facilitam essas interações. “O setor da construção tem um grande desafio pela frente, mas tem ao mesmo tempo grandes parceiros trazendo inovação e novas tecnologias que trarão vantagens competitivas valiosíssimas para as empresas que as adotarem”, conclui o engenheiro.

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Podcast

    Redação InfraDigital – 20.10.2021 – Pesquisa aponta que 88% dos bancos investiram em UX em 2019, de olho em novas experiências 

    O início da pandemia de covid-19 interrompeu a digitalização do mercado financeiro no Brasil, aumentando em 17% a circulação do dinheiro em espécie no País. O índice foi resultado da entrada do auxílio emergencial de R$ 600 (que chegava a R$ 1200 para famílias chefiadas por mães solo) e por pessoas que guardaram o dinheiro em casa por segurança. No entanto, a praticidade que os meios digitais de pagamento, como o Pix, trazem podem mudar essa realidade. 

    No último podcast da segunda temporada de “O Futuro do Dinheiro”, especialistas do mercado discutiram as mudanças que o setor financeiro tem passado. Fabiano Sabatini, especialista em IoT da Intel, lembrou da pesquisa Digital Banking Report, da consultoria Infosys, que aponta que 88% dos bancos aumentaram o investimento em tecnologia para gerar uma melhor experiência ao cliente. 

    Esse investimento se reflete, por exemplo, na adoção do open banking, como lembra Matheus Marcondes Neto, especialista da Diebold Nixdorf. Além de citar diversos exemplos de tecnologia, ele destacou a simplificação que isso geral ao segmento financeiro, permitindo que clientes possam integrar seus dados entre diferentes serviços bancários para obter melhores soluções. 

    Outro exemplo da digitalização é a integração entre os ambientes físicos e digitais, que já acontece hoje. Aplicativos de diferentes bancos já mostram onde o cliente pode encontrar caixas eletrônicos que atendem a marca e até começar o processo de saque pelo smartphone, como melhor explica Neto no episódio do podcast. 

    O desafio está não só em apresentar melhores experiências, mas também garantir a segurança nos processos sem que isso se torne um incômodo. Sabatini explica que, por isso, os caixas eletrônicos podem contar com tecnologia Intel para garantir a otimização da criptografia. Funciona de forma parecida com o WhatsApp: ele criptografa os dados do cliente ao sair da máquina de autoatendimento até entrar na rede do banco da pessoa. Segundo Neto, da Diebold Nixdorf, isso garante que o cartão não seja clonado, por exemplo. 

    Confira o episódio completo: