Como a falta de antenas de telefonia pode travar projetos

Nelson Valêncio – 01.04.2019 – São Paulo tem uma enorme demanda reprimida de antenas para telefonia móvel: 1,2 mil novas delas estariam previstas aguardando a aprovação da nova legislação, a famosa Lei das Antenas. Outras 700 já estariam em processo de liberação na Câmara de Vereadores. De acordo com a Associação Brasileira de Internet (Abranet), há mais de dois anos e meio a capital não tem a liberação de instalação de antenas. É claro que isso barra investimentos, a começar pelos R$ 600 milhões na ativação das 1,2 mil novas antenas. E isso seria só o começo, pois precisaríamos de mais rede fixa de fibra óptica para carrear o novo tráfego, entre outras frentes.

Nova York é um exemplo recente de como o não investimento em infraestrutura pode custar caro. A cidade perdeu a oportunidade de ser a sede da Amazon HQ2, projeto da companhia previsto para ser instalado no bairro do Queens e que replicaria o sucesso do Vale do Silício como hub para empresas high tech em telecomunicações e tecnologia da informação (TIC). Apesar da perda, Andrew Rasiej, fundador da Civic Hall, uma organização que foca no incentivo à adoção de tecnologia em prol da cidade, avalia que Nova York pode impulsionar novos negócios ao investir em infraestrutura de TIC.

Uma das apostas dele é o uso das pequenas células para telefonia móvel, as small cells, que podem ser instaladas nos postes das concessionárias de energia e que devem ser uma das ações para ampliação da futura rede de quinta geração (5G). “Suportadas por redes de fibra óptica, elas vão viabilizar uma capacidade de dados sem precedentes entre os dispositivos móveis”, lembra Rasiej, no artigo publicado na sexta-feira passada (29/3) no site City & Stateny. Um dos requisitos para isso seria a adoção de uma legislação no estado, como já acontece em outros 22 dos Estados Unidos. Olha aí, de novo, um dos gargalos: legislação.

Sem infraestrutura física – antenas e rede de fibra óptica – Nova York, assim como São Paulo – não vai avançar em projetos de cidades inteligentes. Do outro lado do mundo, por exemplo, Cingapura usa sensores para controlar o tráfego, sistema de iluminação e a coleta de lixo. Em alguns casos, os projetos existem há anos. Lá, assim como na China há projetos de portos inteligentes, incluindo o uso de drones para movimentação de carga. Em casos como esses, além da infraestrutura e da legislação, há a coordenação entre os órgãos reguladores, as operadoras de telecomunicações e os usuários do serviço, em grande parte, as concessionárias de serviços públicos.

O ecossistema é ainda mais amplo, considerando que em muitos exemplos estamos falando da aplicação da Internet das Coisas (IoT), tecnologia que exige um ecossistema amplo, com vários outros atores. As oportunidades existem e é preciso investir numa agenda positiva e isso envolve diálogo, como vem acontecendo entre a Anatel e o legislativo paulistano. Vamos torcer que ele avance, porque demonizar a política não é a saída para o Brasil.

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