Dependência do gás natural é uma ameaça, segundo ambientalistas

Da Redação – 26.06.2017 –

Visto como “fonte limpa”, combustível criaria armadilha para redução de emissão de gases de efeito estufa

Dados do relatório Tirar o pé do gás: o aumento da confiança no gás natural no setor de energia apresenta o risco de um bloqueio de emissões, lançado na semana passada pelo Climate Action Tracker (CAT), mostra que os investimentos no setor criam o risco de violar o objetivo de longo prazo de temperatura do Acordo de Paris e resultarão em ativos encalhados. Segundo a entidade, “o gás natural terá que ser eliminado juntamente com o carvão se o mundo quiser limitar o aquecimento a 1,5 ˚C”. Essa seria a meta de diminuição da temperatura de longo prazo do Acordo de Paris.

O CAT prevê um papel cada vez menor para o gás natural no setor de energia em meados do século, não só para atingir os objetivos do Acordo de Paris, mas também devido à crescente concorrência das energias renováveis. É uma avaliação que contraria projeções de aumento da demanda pelo combustível, pautadas pelos investimentos de infraestruturas de gás natural em vários países.

“A idéia de um papel contínuo para o gás natural como uma tecnologia de transição não é consistente com a realidade dos avanços nas tecnologias que favorecem a flexibilidade, como a expansão da rede, a resposta da oferta e da demanda, bem como o armazenamento”, disse Yvonne Deng da Ecofys.

Muitas projeções para o uso de gás natural – incluindo da Agência Internacional de Energia, investidores e muitos governos – não apenas não consideram a necessidade de descarbonização completa em três décadas, como também ignoram o crescente papel das alternativas de baixo carbono.

“Um exemplo é a China, onde, em 2016, a Agência Internacional de Energia projetou que as fontes renováveis responderiam por 7,2% da energia até 2020, mas, no final de 2016,  elas já haviam atingido 8%. Além disso, a Índia e o Oriente Médio também estão tendo um crescimento muito mais rápido das energias renováveis do que as prinicpais projeções indicavam”, disse Niklas Höhne, do NewClimate Institute.

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