Energia solar já supera geração de usinas a carvão e plantas nucleares segundo especialista

Redação – 06.07.2021 – Brasil atingiu a marca de 9 mil megawatts em energia solar, capacidade que supera a soma da geração de termelétricas e de energia atômica 

Em meio à pior recessão hídrica dos últimos 90 anos, as autoridades estão discutindo entre ter apagões ou um racionamento de energia – possibilidade posta em prática na crise de 2001. No fim de maio, o governo divulgou os cinco estados brasileiros que estão sob alerta máximo de emergência: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. E todo Brasil já está pagando mais caro na conta de energia. Tudo porque as usinas termelétricas, que usam gás e óleo e têm, portanto, geração mais cara, estão acionadas. Para se ter uma ideia do custo, desde o dia 1º de junho, o acionamento da bandeira vermelha, no patamar 2, representa R$ 6,24 a cada 100 kWh. E a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu no dia 29 de junho que a haverá aumento de 52% de taxa extra na conta de luz, passando para R$ 9,49 por 100 kWh.

As justificativas por trás desta situação, que já afeta a inflação e ameaça o crescimento econômico, estão na falta de chuva, nas falhas de planejamento e na operação do sistema elétrico, bem como no modelo de formação de preços de energia. Contudo, como ensinou o inventor e engenheiro mecânico estadunidense Henry Ford, “não encontre um defeito, encontre uma solução”, a chave para este problema pode estar mais perto do que parece. “Ela está na energia fotovoltaica”, garante o sócio e proprietário da Entec Solar, empresa especializada no ramo, Tiago Sarneski, destacado que, no fim do mês de maio, a energia solar atingiu a marca de 9 mil megawatts de potência instalada.

Segundo recente mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o estado de Minas Gerais está em primeiro lugar no ranking de geração distribuída, com 9.154 usinas geradoras; 938,1 megawatts em operação nas residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos, respondendo sozinho por 18,1% de todo o parque brasileiro de energia fotovoltaica. A “medalha de prata” vai para o Rio Grande do Sul – onde mais cresce a procura pela geração distribuída –, que tem, hoje, 82.619,22 kW instalados, superando, inclusive, o estado de São Paulo, que ocupa a terceira posição da lista, seguido pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Ceará, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás e Pernambuco.

“E os motivos para comemorar não param por aí: atingindo a marca de 9 mil megawatts, a energia solar está superior hoje a toda soma da capacidade de termelétricas a carvão e, até mesmo, das usinas nucleares, que representam 5,6 gigawatts”, enaltece Sarneski. E mais: de acordo com a Absolar, desde 2012 a fonte trouxe mais de R$ 46 bilhões em novos investimentos e gerou mais de 270 mil empregos.

Na visão do especialista, o momento é bem oportuno para tratar do assunto por várias razões: a primeira delas é o risco de apagão, seguida pela economia de dinheiro no bolso do brasileiro. “Depois, porque está para ser analisado no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 5.829, de 2019, que instituirá o marco legal de energia fotovoltaica no país, democratizando o acesso à energia solar.”

Por fim, ele lembra que são muitas as vantagens da energia solar, como o baixo impacto ambiental, sua instalação simples, seu irrelevante custo em relação ao tempo de vida útil (mais de 25 anos) e o fato de poder ser utilizada como substituta da energia elétrica convencional.

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