Entenda a relação entre a engenharia e o Covid-19

Felippo Pietro (*) – 07.05.2020 – 

Dezembro de 2019. Nesta data, o termo ‘COVID-19’ foi noticiado pela primeira vez nas redondezas da província chinesa de Wuhan. E, o que parecia distante, levou menos de três meses para ultrapassar as fronteiras da China e espalhar-se ao redor do mundo. No Brasil, até o momento em que este artigo foi escrito, a soma era de 22.169 casos confirmados. Neste contexto, detrás dos impactos da pandemia que vão desde o colapso nos sistemas de saúde aos sinais de uma intensa recessão econômica é possível enxergar a ação do homem sobre o meio ambiente ao longo dos últimos anos. Afinal, toda ação provoca uma reação.

Para quem ainda duvida da conexão entre humanidade e natureza, basta checar os números. Há indícios de que na China a poluição por dióxido de nitrogênio (NO2) diminuiu em 25% nos meses de janeiro a fevereiro onde mais de 40 milhões de pessoas estavam em quarentena. Já na Itália, as águas dos canais de Veneza estão cristalinas, enquanto que em cidades como Milão, as emissões de NO2 caíram cerca de 40%. Por fim, segundo informações divulgadas pela Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda por petróleo diminuirá pela primeira vez desde 2009 devido às interrupções dos funcionamentos de indústrias e atividades comerciais.

Diante desse panorama, é inegável a necessidade de nos tornarmos uma sociedade consciente. Ou seja, capaz de alinhar o progresso à preservação da natureza. E, nós, os engenheiros, temos um papel significativo nesse movimento. Na prática, a Engenharia é sinônimo de desenvolvimento desde os primórdios da humanidade quando o homem descobriu a roda e passou a estudar mecanismos para fazê-la funcionar. Atualmente, a profissão trabalha com o propósito de otimizar os serviços prestados à sociedade e na resolução de desafios socioeconômicos em diversos setores. Especificamente, em mais de 30 frentes de atuação.

Aqui, é importante ter em mente que independente do ramo da Engenharia, o novo cenário social que surge a partir do Coronavírus reflete diretamente no posicionamento profissional dos engenheiros, que neste momento de epidemia podem se dispor a mapear as principais necessidades sociais com o objetivo de colocá-las em prática na fase de pós-crise.

Para início de conversa, o que pode ser feito com os resíduos a fim de diminuir o volume produzido e, consequentemente, melhorar a reciclagem desses insumos? Como é possível otimizar a infraestrutura com saneamento básico de determinada cidade? Ou – até mesmo – a tendência dos serviços à distância como delivery e home office contribui para a diminuição de deslocamentos e emissões de poluentes?

A partir desses questionamentos, aparecem os primeiros insights para as soluções. De fato, os engenheiros apresentam uma responsabilidade social e devem agir em relação às últimas transformações mundiais. É preciso parar de focar somente no trabalho técnico e procurar desenvolver um olhar humanitário que apoie o meio ambiente. Juntos somos melhores!

Felippo Pietro é graduando em Engenharia Química pela Escola Politécnica da USP e é gerente de projetos na Poli Júnior.

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