IoT monitora crescimento de fungos em construção 

Nelson Valêncio – 01.10.2020 –

Os recursos de Internet das Coisas (IoT) avançam cada vez mais para a construção civil e o exemplo da empresa sueca Viking Analytics é mais um exemplo disso. A companhia desenvolveu uma tecnologia que usa a inteligência artificial (AI) para detectar o crescimento de fungos em paredes construídas com placas de gesso (drywall) e outros tipos de materiais construtivos similares. A AI só vai funcionar com dados e aí é que entra a Internet das Coisas: sensores colocados nas construções coletam informações sobre temperatura e umidade e enviam para uma plataforma que vai analisar o volume de dados e indicar o risco do desenvolvimento de fungos.

Além de sensores de umidade e temperatura, o sistema criado pela Viking Analytics também inclui dispositivos para medir vazamentos, que são instalados em locais vulneráveis como banheiros e cozinhas, além de sistema de distribuição de água e mecanismos de drenagem pluvial. Com esses dados sendo analisados em tempo real e com o uso de algoritmos, a empresa europeia acredita que pode antecipar problemas, enviando mensagens de alertas para os gestores de prédios. A informação, apesar de trabalhada a partir de vários dados, é entregue num formato amigável, inclusive via SMS.

Outro detalhe interessante é que os algoritmos adotados nessa solução para o mercado de construção civil já vem sendo usado em outras indústrias, com a coleta de dados consolidada há anos em linhas de produção. E mais interessante ainda: prováveis novos usuários de dados podem aparecer no radar, incluindo as empresas de seguro. Será algo similar ao que acontece no mercado de transporte, onde as companhias que possuem sistemas de monitoramento de caminhões, por exemplo, negociam valores melhores na adoção de seguros. IoT dos fungos influenciando o mercado de seguradoras? Parece que sim. Pelo menos na Europa.

Aliás, a solução atual da Viking Analytics veio de uma parceria entre empresas de seguro e companhias de saneamento, justamente para detectar a presença de fungos em instalações de tratamento de água e de esgoto.

Na ponta do lápis, um dado que nos interessa muito no InfraROI, indica que o retorno de investimento (ROI) justifica a tecnologia. Somente na Suécia os custos anuais com danos causados por vazamentos, umidade e fungos estaria por volta de 619 milhões de dólares. Parte dos custos é assumido pelas companhias de seguros. Somente um cliente sueco da companhia teria calculado que a economia com consertos seria equivalente a ativação de mais de 100 sensores da solução.

E pra finalizar: os sensores são sem fio e tem alcance de vários quilômetros, possuem baterias que podem operar durante muitos anos e tem a capacidade de serem conectados a redes públicas ou privadas como a LoRaWAN.

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