Investimentos em infraestrutura de Telecom continuam, mas o cabeamento foi “pras” nuvens

Por Rodrigo Conceição Santos – 21 de outubro de 2014

cloud-cableO céu não é o limite, tampouco a terra o é para o avanço das redes de telecomunicações. O limiar agora é a nuvem, numa tradução fiel à tendência mundial de cloud servisse. Sim, é para lá que vão os seus vídeos do WhatsApp ou de Short Messenger (SMS), assim como vários outros dados, arquivos, vídeos, gravações…, que são armazenados, baixados, transferidos e acessados de modo virtual e inteligente para uso imediato. Paralelamente, a banda larga precisa estar cada vez mais larga e as redes fixas de cobre – mais antigas – ganham tecnologias de otimização para isso. O avanço também ocorre nas redes de fibra ótica – mais velozes – que são instaladas em mais localidades, tanto pelas grandes operadoras quanto pelas de menor porte (Internet Service Providers – ISPs).
Esse foi o cenário apresentado durante o Futurecom 2014, evento focado no setor de telecomunicações e no qual o InfraROI realizou a cobertura completa, em parceria com o Portal IPNews.
Começando pela virtualização dos serviços, a Telefônica-Vivo e a Embratel são bons exemplos do potencial de mercado e aportes realizados. A primeira está investindo R$ 120 milhões na construção de um novo data center. A segunda completou o aporte de R$ 100 milhões no ano passado, num data center em São Paulo, e aplica o mesmo montante numa nova estrutura no Rio de Janeiro. “Esse novo investimento tem dois motivadores: o primeiro é o atendimento aos Jogos Olímpicos, dos quais a Embratel é a fornecedora oficial de telecomunicações”, diz Ney Acyr Rodrigues, diretor executivo de negócios para data center da Embratel. Nesse caso, ele explica que a Copa do Mundo mostrou a necessidade por armazenamento e inteligência de dados virtualmente, com uma circulação de vídeos e imagens muito acima do que se esperava em todos os estádios durante os jogos.
O segundo motivador é o atendimento convencional aos clientes. De acordo com Rodrigues, o data center de São Paulo, inaugurado em 2013, já está com 70% da capacidade tomada.
A visão de investimento da Embratel, assim como da Telefîonica-Vivo, vem de encontro com uma pesquisa da Frost & Sullivan, divulgada em setembro e demonstrando que o mercado brasileiro de data center movimentará R$ 1,8 bilhão neste ano. Mais importante é que ele vem crescendo a taxas de 9,5% ao ano, devendo chegar a R$ 2,8 bilhão/ano em 2018.

Infraestrutura de rede fixa

À medida que avançam as ofertas de serviços, as operadoras de telecomunicações também precisam investir em redes. Claro que a oferta de serviços sempre está um passo à frente da infraestrutura disponível, mas isso não exime a importância dos aportes realizados.
Levy Cardoso Moreira, presidente executivo do SindiTElebrasil, avalia que a infraestrutura de telecom disponível no Brasil é boa e recebeu cerca de R$ 500 bilhões de investimentos nos últimos 15 anos, algo que superaria qualquer outro país no período. “Hoje, temos uma das maiores infraestruturas de telecomunicações do mundo e, em consequência disso, temos um dos maiores programas de inclusão digital com celulares: são 276 milhões de aparelhos”, diz. “A banda larga já passou os 170 milhões de acessos por redes fixas e móveis e o 3G já está em 92% dos municípios, enquanto o 4G já chegou a 36% deles”, completa.

Levy Moreira, do SindiTelebrasil
Levy Moreira, do SindiTelebrasil

Para Moreira, o setor de telecomunicações avançou a tal ponto que os demais setores da infraestrutura não acompanharam. Esse é o resumo de um estudo encomendado pelo SindiTelebrasil e realizado pela consultoria RCA. Nele, há um plano de ações de 2015 a 2022, abarcando cinco pontos estratégicos para o desenvolvimento do País com o uso das telecomunicações.
“O setor de telecomunicações não é diferente dos principais eixos da infraestrutura brasileira e, portanto, precisa passar de maneira transversal por eles”, avalia Moreira. “Hoje, por exemplo, a maioria das pessoas com acesso ao celular consegue localizar informações de Bancos, com agências e caixas eletrônicos mais próximos. Mas desafio quem encontre informações de hospitais públicos nessa mesma dinâmica”, provoca.
Sobre esse cenário, Levy avalia que é preciso usar mais a infraestrutura existente para os serviços à população e o primeiro exemplo é a educação, onde 97% das escolas têm rede para acesso à internet, mas só 12% delas disponibilizam computadores para as aulas. “E o mesmo ocorre em outros setores, como a saúde, saneamento básico, rodovias inteligentes, etc.”, diz.

Telefônica e GVT
Se o setor de telecomunicações está tão bem atendido em infraestrutura, como pontua Levy Moreira, a Telefônica-Vivo não compactua abertamente, e a prova é que manteve os planos para avanço da sua rede fixa. Depois da compra da GVT, num negócio de R$ 14 bilhões em dinheiro, mais ações, a empresa espanhola conta os louros do negócio, que ainda está em avaliação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Antîonio Valente, da Telefônica-Vivo
Antîonio Valente, da Telefônica-Vivo

Segundo Antônio Carlos Valente, presidente da operadora no Brasil, com a rede da GVT, que é mais moderna e dará penetração à Telefônica-Vivo principalmente fora de São Paulo, a Telecom espanhola pretende fazer frente ao domínio do mercado de banda larga de outra operadora. “Esse concorrente possui quase 70% do market share no Brasil e em torno de 49% em São Paulo, nas contas de banda larga entre 2 e 12 Megabites por segundo (MB).
Com as operadoras, os programas do governo como o Banda Larga para todos e os investimentos menores – mas em massa – das ISPs, a infraestrutura de telecomunicações tende a ser mais parruda e, Levy Moreira, do SindiTelebrasil, volta a relacioná-lo com às demais áreas da infraestrutura. Sem uma projeção de investimento concreta, ele acredita que a utilização da infraestrutura de Telecom pode melhorar o nível dos serviços públicos ao ponto de elevar a posição do Brasil no Ranking do Fórum Econômico Mundial, hoje em 57º lugar, para 30º entre 2015 e 2022. “Só mapeamos e projetamos investimentos em infraestrutura, e não em tecnologias de TI e Comunicações (TIC)”, diz. “Mas, obviamente, isso só será factível se ocorrerem os investimentos públicos e privados necessários”, conclui.

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