Lava Jato, chineses e oportunidades: o mapa da infraestrutura na AL

Da Redação – 19.03.2018 –

Reportagem da prestigiada The Economist faz uma radiografia dos problemas na América Latina, de saneamento básico ao transporte rodoferroviário

De acordo com o Banco Mundial, somente a região da África Subsaariana fica atrás da América Latina e Caribe em termos de investimento – público e privado – em infraestrutura. E pra piorar algumas janelas estariam sendo fechadas, incluindo um tempo de juros menores em nível internacional, o que facilitaria empréstimos. E ainda mais: os desdobramentos da operação Lava Jato atingiu diretamente projetos como o gasoduto de US$ 7 bilhões que a Odebrecht iria construir no Peru, trazendo o combustível da selva para o litoral. Outro contrato cancelado foi o da hidrelétrica no Panamá, estimado em US$ 1 bilhão e que também fugiu das mãos da mesma construtora brasileira.

O quadro citado faz parte do cenário da região, espelhado na reportagem Coming Unstuck (Malogrando, numa tradução livre), publicada na edição de 10 de março último. A matéria lembra que as maiores demandas em infraestrutura podem ser concentradas em rodovias, ferrovias, portos e transporte urbano. Se atacadas de frente, mudariam cenários como o transporte de açúcar entre Jujuy, no norte da Argentina, até a capital Buenos Aires. Hoje, a jornada média para vencer os quase 1,7 mil km de ferrovia é de 22 dias. É praticamente o mesmo tempo do transporte do porto da capital até Hamburgo, na Alemanha.

Transnordestina: projeto de US$ 1,8 bilhão ainda não foi totalmente equacionado

Outro exemplo acontece na Colômbia, onde o transporte de carga entre Bogotá e a cidade costeira de Santa Marta, no Caribe, leva dois dias. O tempo de espera na Alfandega é o mesmo. A burocracia é fatal também no planejamento. O projeto de um novo aeroporto próximo a Cusco, no Peru, foi proposto em 1970 e foi emplacado somente em 2014. Infelizmente, a iniciativa malogrou no ano passado e foi descartada de acordo com a The Economist.

Agora, o lado do copo cheio

Apesar dos desafios, há alternativas para melhorar o setor na região. Se investir mais em fontes renováveis, os custos podem mudar de proporção. O investimento em energia elétrica convencional, por exemplo, somaria entre US$ 23 e US$ 24 bilhões ao ano, mas pode ser reduzido para um patamar entre US$ 8 e 9 bilhões com técnicas de conservação de energia e geração não convencional como eólica. A desconcentração da indústria de caminhões é outro exemplo da revista. Comparada aos Estados Unidos, ela é 15 vezes mais concentrada.

Os chineses, por sua vez, aparecem como uma opção de financiamento. Só no Brasil o aporte teria sido de US$ 21 bilhões em portos e usinas de energia. A vizinha Bolívia teria uma linha de crédito aberta que totaliza US$ 10 bilhões e envolve a construção de hidrelétricas e rodovias. O dinheiro é bem vindo, considerando que vários governos, como o Brasil, estão legalmente limitados a investir em infraestrutura.

Já a iniciativa privada – via Parcerias Público Privadas ou PPPs – precisa de bons projetos e que sofram menos nos canais burocráticos. Somente a lista brazuca teria 34 empreendimentos, entre rodovias, portos e outros, cuja licença ambiental está sendo anunciada antes do avanço em si dos projetos. Ou seja, a janela está aberta, mas pode ser fechada.

 

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