Na crise, manutenção de escavadeiras ganha terreno como retorno de investimento

Por Rodrigo Conceição Santos – 28.07.2015 – 

Entenda como as intervenções eficientes na lança e no carro inferior dos equipamentos devem ser feitas para assegurar produtividade e rentabilidade aos frotistas.

No carro inferior, o atrito com materiais, principalmente rocha na operação em pedreira, é o principal causador de avarias
Fotos: Rodrigo Conceição Santos – No carro inferior, o atrito com materiais, principalmente rocha na operação em pedreira, é o principal causador de avarias

Entre 2011 e 2014, foram vendidas mais de 5,5 mil escavadeiras hidráulicas por ano, segundo estudo da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). Com esse volume, as escavadeiras se posicionam como o segundo tipo de equipamento pesado mais consumido no Brasil, atrás apenas das retroescavadeiras, cujas vendas ultrapassam as 6 mil unidades anuais. Para 2015 as projeções são mais conservadoras, como o InfraROI tem apurado com os principais fabricantes desse tipo de equipamento, que esperam um volume de vendas abaixo das 5 mil unidades. Isso não se correlaciona diretamente com a queda da demanda, pois as locações para setores distintos, da agricultura à construção imobiliária, continuam acontecendo. Ocorre que o aumento dos juros para financiamento e a desconfiança dos frotistas, incluindo grandes construtoras estacionadas pela Operação Lava Jato, criou um efeito paralisante, fazendo com que novas compras fossem adiadas por período indeterminado. E para equalizar essa conta, os gestores operacionais dos equipamentos, como gerentes de manutenção ou de equipamentos, têm a árdua missão de fazer com que a frota antiga atenda aos projetos com bom desempenho, missão que passa necessariamente pelos cuidados com o elemento estrutural das escavadeiras.

O InfraROI separou como elemento estrutural o carro inferior e a lança. A concha e a cabine ficam para uma próxima reportagem, pois têm um nível de detalhes que merece dedicação à parte. “No carro inferior, o atrito com materiais, principalmente rocha na operação em pedreira, é o principal causador de avarias”, adianta Diego Viana, gerente de pós-vendas da Tracbel.

A manutenção, nesse caso, consiste na remoção da área danificada por meio de grafite e a soldagem de uma nova chapa de aço para substituir a área danificada. Essas chapas podem ter tamanhos variados, de acordo com a avaria. A experiência de Viana revela casos de troca de mais de um metro de aço em cada procedimento. “Há carros com mais de uma avaria”, salienta.

A soldagem dessa chapa ocorre com solda MIG (metal inert gas) ou com solda a base de elétrodos, dependendo do tipo de aço usado pelo fabricante da escavadeira.

Manutenção da lança
Se no carro inferior o atrito é o principal causador de avarias, na lança a operação inadequada toma a frente. Um exemplo é quando o operador apoia a caçamba no chão, deixando a lança em forma de um “v” invertido, e arrasta o material para limpar determinada área do terreno. Esse esforço não é projetado para a escavadeira e as chances de ele causar torções no braço e empenamento de pinos e buchas são grandes.

O tencionamento da lança para escavação de material rígido também merece atenção, pois representa risco tanto para a longevidade da lança quanto para a segurança do operador. Afinal, se a lança estiver tencionada até o limite e exercendo força além do que rege o gráfico de carga da máquina, o centro de gravidade da escavadeira pode estar comprometido, resultando em tombamento.

Segundo Viana, da Tracbel, quando não há abuso como os descritos acima, os pinos e buchas constituem a parte da lança que mais merecem atenção. Esses componentes precisam ser engraxados na periodicidade correta, mas, por serem peças de desgaste, a utilização cotidiana da máquina exigirá que eles passem por manutenção, cedo ou tarde. “A instalação de pino e bucha é feita em procedimento padrão de montagem, pois são peças de atrito e como tais não podem ser instaladas com folga”, adianta ele.

Balança embarcada otimiza produção de basculante no PROSUB
Cinco dicas para evitar problemas nas centrais de concreto

Nesse processo, os pinos e buchas são resfriados e instalados no orifício da lança e, conforme alcançam a temperatura ambiente – ou, às vezes, a temperatura de trabalho da escavadeira –, eles se expandem/dilatam, preenchendo todo o espaço que lhes cabem.

Trincas e corrosão
Imagem traseira de uma lança avariada pelo efeito corrosivoApesar de serem equipamentos pesados e projetados para trabalho em ambientes severos, as escavadeiras hidráulicas têm algumas fragilidades, que quase sempre podem ser sanadas com as manutenções preventivas e preditivas a cada 250 horas e com uma avaliação técnica após 8 mil horas de uso para identificação de trincas e outros problemas nos elementos estruturais.

A maioria das trincas pode ser vista a olho nu. Mas, quando o equipamento já tem idade operacional avançada, pode haver a iniciação de trincas dentro das chapas de aço, algo que só pode ser percebido com a ajuda de líquido penetrante. “Nessa técnica, primeiro usamos um líquido removedor de impurezas. Depois aplicamos o líquido penetrante, que vai entrar na trinca. Em seguida usamos novamente o removedor e aplicamos uma camada de um líquido revelador, que vai mostrar a trinca, se houver”, explica Diego Viana.

Nas máquinas que trabalham em regiões litorâneas, a atenção deve ser maior, devido à corrosão. Para esses casos, não há outro remédio além da limpeza constante do equipamento para remover a salinidade e da aplicação de pintura especial. “Outra operação delicada é em plantas de cimento ou em tanques de ureia. Nessa última situação, tivemos ocorrência de máquina com 30 dias de uso na qual foi preciso trocar uma série de componentes”, adianta o especialista da Tracbel. Nesse caso, segundo ele, o problema foi a compra de equipamento mal especificado: o frotista comprou a máquina para uma aplicação comum de terraplanagem e depois direcionou-a para o trabalho com ureia. “Por isso oferecemos consultoria de venda, para entregar o equipamento com os componentes corretos. Afinal, há opções mais adequadas com parafusos de inox, pintura especial a base de epóxi, isolamento do sistema elétrico, etc.”, finaliza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *