Escassez de engenheiros põe em risco infraestrutura nacional

Déficit pode chegar a 1 milhão de profissionais na próxima década se setor não conseguir atrair jovens para a universidade

Por Redação

em 18 de Junho de 2026

O Brasil registra um déficit de aproximadamente 75 mil engenheiros, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). E o mercado já sente isso, com cerca de 22,4% das empresas industriais relatando dificuldade para contratar profissionais qualificados. No setor da construção, o problema é ainda mais crítico, com 90% das construtoras enfrentam dificuldades de contratação, de acordo com a Câmara Brasileira da Indístria da Construção (CBIC), e 71% relatam o mesmo desafio segundo o IBRE/FGV.

O impacto é sentido na produtividade das empresas, com aumento no custo de projetos, ampliação de prazos de entrega e redução da eficiência operacional. Como aponta o Sindicato Nacional da Indústria da Construção (Sinicon), o risco é o Brasil investir em infraestrutura sem ter quem execute essas obras com a qualidade e a velocidade necessárias, encarecendo o investimento no País.

Engenharia não atrai jovens

A tendência é de agravamento, já que projeções indicam que esse número pode ultrapassar 500 mil até 2030 e alcançar até 1 milhão de profissionais ao longo da década, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

O número de matrículas em cursos de engenharia caíram de mais de 1,2 milhão para cerca de 887 mil estudantes entre 2015 e 2024, redução próxima de 30%, conforme dados do MEC/Inep. No mesmo período, o número de cursos cresceu mais de 50%, evidenciando um descompasso entre oferta e demanda. Somado ao baixo interesses de adolescentes na área — apenas 12% dos estudantes do ensino médio pretendem cursar engenharia, segundo levantamento do CIEE — a expectativa não é boa para combater a escassez.

Os números colocam o Brasil bem atrás na comparação global. São três a quatro engenheiros formados para cada 10 mil habitantes, enquanto países como Alemanha, Japão e Estados Unidos formam cerca de 14 na mesma proporção. Em outra métrica, são aproximadamente 5,6 engenheiros por 100 mil habitantes no Brasil, contra cerca de 25 em economias avançadas.

Sinicon defende nova estratégia

Diante desse cenário, o Sinicon propõe a ampliação da formação em engenharia com maior aderência às demandas do mercado, o fortalecimento da qualificação técnica e profissional, a melhoria do ambiente institucional com maior previsibilidade de investimentos e o avanço na integração entre setor produtivo e instituições de ensino.

A entidade também busca formas de despertar o interesse pela engenharia e pelas profissões ligadas à infraestrutura. A intenção é aproximar os jovens do setor, reduzir barreiras de percepção sobre a carreira e destacar o papel estratégico da engenharia no desenvolvimento do país.

A entidade reforça que a superação desse desafio exige um esforço coordenado e contínuo. Sem capital humano qualificado, o Brasil corre o risco de perder uma janela histórica de crescimento baseada na expansão da infraestrutura.

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