ETE Parque Novo Mundo: obra da Sabesp avança e dobra capacidade

Com investimento de R$ 1 bilhão dentro do programa Integra Tietê, a ampliação da estação na zona norte de São Paulo elevará o tratamento de esgoto em 148% e deve ser concluída no primeiro semestre de 2027

Por Redação

em 17 de Junho de 2026

A ampliação e modernização da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na zona norte da capital paulista, é um dos principais projetos de saneamento em andamento no país. A obra elevará a capacidade de tratamento da estação de de 2,5 milhões para 6,2 milhões de litros por segundo — um aumento de 148% — e passará a beneficiar cerca de 2,4 milhões de habitantes, ante os 1,2 milhão atendidos atualmente.

Uma obra de R$ 1 bilhão dentro do Integra Tietê

O projeto integra o programa Integra Tietê, da Sabesp, voltado à revitalização do Rio Tietê e à expansão do tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo. As obras tiveram início em novembro de 2024, conduzidas pelo Consórcio Nova ETE Parque Novo Mundo, e representam um investimento de R$ 1 bilhão. A estação fica próxima à Ponte Aricanduva, na Marginal Tietê, com acesso às rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias.

As obras da ETE Parque Novo Mundo fazem parte do Programa IntegraTietê, iniciativa do governo estadual no contexto da recuperação do Rio Tietê e seus afluentes. O programa reúne um conjunto de obras e ações destinadas à revitalização do principal rio paulista ao longo de seus 1.100 quilômetros de extensão. A Sabesp é a responsável pelas obras.

Tecnologia Nereda e os desafios construtivos

O coração técnico da ampliação está na construção de novos reatores que utilizam a tecnologia Nereda, um processo de tratamento de esgoto por lodo granular aeróbio, reconhecido pela alta eficiência na remoção de carga orgânica e nutrientes com menor consumo de energia. O principal desafio construtivo foi a concretagem de 12 lajes para sustentar esses reatores.

Em etapa recente da obra, a otimização operacional permitiu reduzir em 25% o prazo dessa fase de infraestrutura, segundo a Sabesp. O projeto também incorpora automação de alta precisão e segue preceitos de economia circular.

Os reatores vieram da Alemanha e compõem 76 toneladas de equipamentos destinados à modernização do pré-tratamento mecânico, uma das etapas fundamentais do processo de tratamento de esgoto. É nessa fase que a estação recebe grandes volumes de vazão, além de areia, resíduos sólidos, gorduras e materiais flutuantes que precisam ser removidos antes das etapas biológicas e de decantação.

Com a modernização, a capacidade de retenção e remoção de sólidos grosseiros será ampliada, incluindo plásticos, panos, fibras e outros materiais suspensos. A melhoria reduz o risco de entupimentos em bombas e tubulações, minimiza o desgaste dos equipamentos e evita bloqueios que podem comprometer a eficiência das etapas subsequentes do tratamento.

Leia mais sobre saneamento:

O sistema Lodotudo e a integração com a ETE Barueri

Outro diferencial do projeto é o sistema Lodotudo, que conectará a ETE Parque Novo Mundo à ETE Barueri para centralizar o tratamento de lodo. O investimento adicional de R$ 58 milhões busca dar mais eficiência à gestão de resíduos do processo.

O lododuto do Parque Novo Mundo é uma estrutura subterrânea em construção pela Sabesp que faz parte do projeto de modernização do saneamento da região. Ele é projetado para bombear o lodo (resíduo do tratamento) entre as duas ETEs citadas acima.

Prazos e próximos passos

A previsão mais recente aponta a conclusão da obra para o primeiro semestre de 2027. A ampliação faz parte de um pacote maior de R$ 15 bilhões em obras de saneamento anunciado pela Sabesp e pelo Governo de São Paulo, que inclui a modernização de outras estações como ABC, São Miguel Paulista e Barueri, além de novas ETEs em Guarulhos, Caieiras e Perus.

    Os assuntos mais relevantes diretamente no seu e-mail

    Increva-se na nossa newsletter e receba nossos conteúdos semanalemnte

    Aceito receber a newsletter por email