Níquel, Tesla e caminhões elétricos: a próxima onda

Rodrigo Conceição Santos – 01.10.2020 –  

A notícia mais recente da Tesla indica que a gigante americana de tecnologia vai entrar de fato no mundo dos caminhões, um universo até então dominado pelas montadoras tradicionais. A estreia oficial, com potencial de produção de 250 mil a 300 mil veículos pesados por ano, aconteceria em 2022. A informação vem de uma reportagem detalhada do site Equipment World e indica ainda uma movimentação para as baterias elétricas de níquel, o que vai agitar outra indústria tradicional, mas altamente necessária: a mineração.

No caso dos caminhões, a autonomia da bateria é fundamental. Hoje, o modelo de veículo dessa linha da Tesla, o Cybertruck teria atingido uma autonomia de mais de 800 km com apenas uma carga. Trata-se de uma melhoria significativa e acima de 50% em relação aos últimos dados. A área de Powertrain e Energia da Tesla divulgou outros dados que merecem atenção, inclusive a redução de 56% no custo por quilowatt-hora para baterias, juntamente com um corte de 69% por gigawatt-hora nos requisitos de capital de investimento.

Na avaliação do fundador da Tesla, Elon Musk, as inovações recém-divulgadas deverão ser percebidas de um a um ano e meio a partir de agora e o mercado teria uma percepção total em cerca de três anos. Até lá, o Cybertruck também já estaria em produção industrial atendendo uma carteira de pedidos que superaria a casa dos milhões. Tudo, vamos deixar claro, de acordo com as informações oficiais da empresa americana.

É importante lembrar que os planos iniciais de Musk falavam na produção em série no ano que vem, data que já foi mudada para o final de 2022. Os caminhões seriam uma parcela menor dos potenciais 20 milhões de veículos por ano que a Tesla prevê fabricar. Então, vamos ter cautela com os números e aguardar.

Em relação às baterias, a empresa planeja produzir três tipos diferentes que utilizarão uma variedade de materiais, diminuindo o uso de cobalto. Há alguns anos ela tinha anunciado a mudança para o níquel no lugar do cobalto. “O níquel é o mais barato e tem a maior densidade de energia e é por isso que aumentar o níquel é uma meta nossa”, diz o informe oficial da companhia.

Os suprimentos de níquel, no entanto, continuam sendo uma preocupação. “Para escalar, precisamos ter certeza de que não estamos limitados pela disponibilidade total de níquel”, disse Musk. Citando a fala direta do executivo na reportagem da Equipment World: “Na verdade, conversei com os CEOs das maiores empresas de mineração do mundo e pedi: ‘Por favor, façam mais níquel. Isso é muito importante’. Então eu acho que eles vão fazer mais níquel”. Frase impactante e que diz muito a respeito da relação entre as novas e as tradicionais indústrias.

Pra encerrar e não deixar a notícia no ar: os três tipos de bateria que a Tesla planeja lançar são de fosfato de ferro, para uso em veículos de médio alcance e aplicações de fonte de alimentação estacionária; níquel-manganês “como uma espécie de meio-positivo”; e “alto níquel para aplicações de longo alcance como Cybertruck e Semi. Segundo Musk, no caso de caminhões é extremamente importante ter alta densidade de energia para obter um longo alcance. “O níquel é cerca de 50 a 60% melhor do que o ferro”, avalia o executivo.

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