Operadoras são importantes, mas provedores regionas ganham espaço na Corning

Da Redação – 21.06.2017 –

Claro, da Corning: Grandes operadoras representam 80% do faturamento da empresa.
Claro, da Corning: Grandes operadoras representam 80% do faturamento da empresa.

Nessa entrevista, Ricardo Claro, gerente de Marketing & Desenvolvimento de Mercado para América Latina da Corning Optical Communications, fala sobre o papel dos provedores regionais e como a empresa tem se posicionado na área óptica. Para ele, as redes pré-conectorizadas, criadas pela companhia, tendem a ser uma solução cada vez mais adotada nas plantas externas de telecomunicações, depois de virarem um padrão no cabeamento óptico interno.

Infraroi – O mercado de telecomunicações parece um dos menos afetados pela crise. Você concorda?

Ricardo Claro (RC): O setor tem sido menos penalizado e é um dos que impulsionam e “seguram as pontas”. A demanda por banda larga não caiu e, quando olhamos para o mercado de telefonia móvel, ele aumenta independente do momento. É claro que as operadoras têm tido uma cautela maior nos investimentos de longo prazo, mas o aporte para que a rede atenda a demanda dos usuários vai continuar estável. Esse aporte não sofreu impacto. As grandes operadoras precisam evoluir suas redes e ainda existe uma demanda adicional trazida pelos provedores regionais, que têm investido na migração de sua infraestrutura sem fio para as redes de fibra óptica.

Infraroi – O segmento de provedores regionais é importante para a Corning?

RC: Sim. As grandes operadoras, as tier 1, continuam sendo a maior parte do nosso faturamento, representando pelo menos 80% dos negócios e é um mercado muito bem estabelecido. Elas são grandes investidores em rede óptica e a concorrência entre elas impulsiona a implantação da infraestrutura. É uma migração que está acontecendo pouco a pouco para cenários como o da fibra até o cliente final (FTTH). As grandes operadoras estão focando em projetos mais consistentes. Não estão desacelerando. O que tem acontecido é um investimento mais seletivo em áreas e projetos com maior viabilidade como, por exemplo, condomínios com alta demanda por serviços. O segmento de FTTH vai crescer a uma taxa bem positiva até pelo menos 2020. No caso dos provedores regionais há algumas operações que tem 200 mil, 300 mil assinantes, ou seja, é uma estrutura que tratamos como a de uma operadora. Em operações menores temos privilegiado o atendimento via nossos canais, porque será mais efetivo.

Infraroi – E como é essa estrutura de canais?

RC: Para os provedores regionais menores ela funciona mais próxima porque consegue ser flexível na medida deles. Continuamos essa expansão tendo como base um grande parceiro global, que é a Anixter, e abaixo dele a rede de canais. Essa estrutura, que consegue acompanhar o ciclo de vendas mais rápido, tem capilaridade e atua com nosso suporte.

Infraroi – Os outros países da região tem equilibrado a situação no Brasil?

RC: Atendemos a América Latina, inclusive México. O mercado regional funciona como uma espécie de montanha russa, onde cada situação individual equilibra o todo. Há períodos, por exemplo, em que países como México e Colômbia estão bem. Quando isso muda, em função de modificações na regulamentação, os negócios são equilibrados pelo desempenho outros países, como o da Argentina. O Brasil, de forma geral, continua respondendo por mais de 50% da América Latina e nosso faturamento acompanha isso. O que acontece é um revezamento, que espelha a instabilidade econômica e política do momento.

Infraroi – O que significou a compra da Bargoa (fabricante brasileira do setor de telecomunicações)? Essa base atende a totalidade da demanda da região?

RC: Com a aquisição, estabelecemos um footprint de manufatura de forma rápida. O mercado, principalmente no Brasil, pede personalização e tem características que incentivam a fabricação local. Hoje atendemos – via produção local – 90% da demanda brasileira, desde linha de produtos para redes metálicas de cobre, passando por dispositivos para o mercado de operadoras e data centers. A estrutura da Corning, com outras plantas, como a do México, complementam o fornecimento. Os dez por cento de produtos importados são basicamente os cabos ópticos, caso dos cabos drops para conexão final de usuários, que são produzidos nos Estados Unidos ou Europa.

Infraroi – Especificamente no mercado de cabos ópticos, qual é o destaque da Corning?

RC: O mercado brasileiro demanda muito os cabos autossustentáveis para instalações aéreas de baixa ou média capacidade. Estamos falando em cabos de 12 a 144 fibras. Há uma demanda crescente por implantação de backbones e da infraestrutura de backhaul para as redes móveis. Nesse último segmento, em particular, acontece uma demanda similar a de instalação de banda larga fixa. As operadoras sabem que o futuro, com as redes 5G, vai exigir capacidade de banda no backhaul e isso inclui a chegada das redes ópticas até as torres de telefonia, em toda a sua extensão. As redes pré-concectorizadas, uma tendência que a Corning introduziu, devem ampliar sua presença na planta externa, facilitando a instalação plug and play de infraestrutura. Elas também reduzem o tempo de ativação e o de testes de monitoramento, sem falar no custo da mão de obra.

Infraroi – E há uma melhoria nessas tecnologias?

RC: Sim, existe margem para aprimoramento, lembrando que a tecnologia de pré-conectorização foi criada Corning há 12 anos e tornou-se padrão nos Estados Unidos e Europa e, depois, de mercado. Há uma constante evolução de novos produtos ao longo da rede, facilitando a ativação de redes FTTH e da manutenção de centrais ópticas em data centers e outras instalações. Nossa cultura de compartilhamento facilita o acesso às novas tecnologias já adotadas fora do Brasil. Temos exemplos reais, no México, por exemplo, onde um segundo player de mercado conseguiu se posicionar graças ao salto que deu em sua rede, adotando uma infraestrutura óptica pré-conectorizada de forma agressiva.

Infraroi – E o mercado de concessionárias, incluindo as utilities do setor elétrico e as operadoras de rodovias?

RC: Temos presença nas concessionárias elétricas, mas elas têm uma evolução própria, que é preciso respeitar. No caso das concessionárias de rodovias há projetos importantes em que é necessário ter uma rede com poucos pontos de acesso para garantir baixas perdas de transmissão e, ao mesmo tempo, facilmente localizáveis para facilitar a operação de manutenção ao longo das estradas. São cabos especiais, geralmente de 144 ou 288 fibras.

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