Países ricos puxam financiamento em projetos de carvão

Da redação – 16.11.2016 –

Estudo do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais e pela Oil Change International (OCI), divulgado nessa semana, derruba o mito que nações mais pobres seriam as beneficiadas de projetos nessa área.

Os países mais ricos têm liderado os investimentos em geração energética baseados em carvão, segundo o levantamento da OCI. Apenas nos últimos nove anos, os países do G20 – liderados pela China, Japão, Alemanha, Coréia do Sul e Estados Unidos – investiram US$ 76 bilhões no desenvolvimento do recurso mineral em países como o Vietnã, a África do Sul, Austrália e Indonésia.  Estas são as principais conclusões do documento A Armadilha do  Carbono: Como a Economia Internacional do Carvão Prejudica o Acordo de Paris e a Implantação das Energia Limpa.

Ou seja, o discurso de adoção de energias limpas não é uma realidade: enquanto pregam o tema em casa, os mesmos países investem pesado em projetos de carvão mineral no exterior. “Essas nações precisam parar de desperdiçar bilhões de dólares em energia suja e colocar mais força financeira nas energias limpas e renováveis e também na eficiência energética. Isso criará empregos e protegerá o planeta da catástrofe climática”, argumenta Han Chen, co-autor do relatório. Na avaliação do estudo, os principais governos continuam investindo em projetos que aumentam a dependência do carvão, agravando ainda mais as mudanças climáticas.

É o caso do Japão e da China, ambos líderes em tecnologia de energia renovável, mas que investem em dezenas de novas usinas a carvão em todo o mundo, segundo Alex Doukas, ativista sênior da OCI. O primeiro ocupa um papel decisivo e financiou US$ 21 bilhões entre 2007 e 2015, perdendo apenas para a China (US$ 25 bilhões). O país também responde por US$ 10 bilhões dos US$ 24 bilhões em projetos previstos. Os três principais países beneficiários do financiamento pelos integrantes do G20 são a Indonésia (US$ 11 bilhões), Vietnã (US$ 10 bilhões) e África do Sul (US$ 7 bilhões). Indonésia e África do Sul também são membros do G20. Já os países de baixa renda receberam menos de 2% do volume de dinheiro movimentado para ativar projetos de carvão.

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