Pedreira mais urbana de SP “industrializa” areia

Da Redação – 01.09.2017

Mineradora espelha tendência de produção já adotada na Europa e Estados Unidos e que leva à redução de cimento na produção de concreto, entre outras vantagens

Marcos Roberto: para engenheiro, qualidade padronizada é um dos destaques da areia 

Localizada no bairro de Guaianazes, Zona Leste de São Paulo, a Pedreira Lageado seria a “mais urbana” da cidade segundo o engenheiro Marcos Roberto, responsável pela operação da mineradora. A exploração da rocha do tipo gnaisse já acontece há 60 anos, mas a empresa não ficou na idade da pedra. O exemplo mais recente é a produção de areia industrial, com uma planta com capacidade para 70 toneladas/hora, o que totalizaria aproximadamente 15 mil toneladas por mês. Hoje, apenas 15% dessa capacidade estão efetivamente ativados, uma vez que a comercialização acontece desde março último. O potencial, no entanto, é grande. Por que?

Vamos aos fatos: também chamada de areia artificial ou areia de brita, a produção industrial de areia tem uma série de vantagens, a começar pela padronização do material, o que contribuiria para a melhor qualidade do concreto, uma de suas aplicações mais comuns. De acordo com Roberto, o uso do produto levaria a uma economia média de 15% no consumo de cimento em comparação com a areia natural. Além das concreteiras e dos produtores de pré-fabricados de concreto, incluindo o de blocos para construção civil, outra aplicação da areia industrial acontece como matéria prima em usinas de asfalto (CBUQ, PMF e PMQ). Um terceiro mercado já consolidado inclui as estações de tratamento de esgoto (ETEs), onde a areia de brita substitui a natural como produto drenante e sistema de filtração.

Outro diferencial positivo é o ambiental, uma vez que substitui a extração da areia natural de cavas de rios ou de outros depósitos em terra. “As restrições dos órgãos de meio-ambiente estão cada vez maiores”, lembra Roberto. Ele joga a pá de cal – ou de areia industrial, se preferirem: praticamente 70% do custo da areia natural que abastece as grandes cidades está ligado ao frete. O exemplo da capital paulista é o mais eloquente, considerando que o mercado de construção civil paulistano vem sendo suprido por mineradoras localizadas na região do Vale do Paraíba, a 100 km da capital, ou ainda pelos produtores minerais baseados na região da cidade de Bofete, a 200 km. Ou seja, a areia pode ser natural, mas os custos de exploração não.

“A produção artificial é uma realidade na Europa e Estados Unidos e é que estamos tentando fazer no Brasil, quebrando os padrões”, argumenta o engenheiro da Lageado. Segundo Roberto, a pedreira atende algumas concreteiras da Grande São Paulo, que vem testando o produto. Hoje, ele avalia que já existem operações com uso de 100% de areia artificial, mas são ainda poucas usinas. O mais comum é uma mistura de 50%-50%. Um dos motivos? Um certo desconforto cromático. Explicando: diferentemente da areia natural, que geralmente tem cor amarela, a artificial é cinza. “Um impeditivo que vem sendo vencido com informação sobre o melhor desempenho da matéria prima industrializada”, argumenta.

Operacional comercialmente desde março, mas ativa de fato desde janeiro desse ano, a planta de areia industrial da Lageado adota a tecnologia da finlandesa Metso. Com a fabricação, a empresa deixa de ter o pó de pedra como produto final da linha de britagem. Ela pega o material e o transforma em areia artificial, separando o que fica com a granulometria abaixo do desejado. Nesse último caso, o subproduto é chamado de filler e também tem aproveitamento comercial, principalmente na pavimentação de estradas.

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